Aparições

Males indébitos, incrédulo ao meu ascético,
Mares em déficits, acético, profundamente calma.
Instrucionais sais, particularidades da alma,
Mil sóis, uma única Lua.
​A redenção refletida em um breve olhar adere a uma sensação concebida,
Cicatriz invisível na pele.
Uma dose da morte, embriaguez do sopro de vida ao que se perdeu, mal que se perdua.
​Sinta-se sintaxe, intoxique-se do existe;
Faces de Hefesto remetem ao seu eu triste.
Eu disse,
Muitas vezes sem pensar, deixando que meus sentidos fossem os olhos dos sentimentos que me cobrissem.
​Confesso:
O quanto me resta deste denso ar eu não sei, mas assumo o risco.
Cobiço
Uma embarcação rumo a cada tesouro da memória que desperdiço.
Não fixo
Toda a minha fé em um crucifixo;
A alegria também advém do luto:
Descubra-se nisso.
​Se for mergulhar no que é capaz de acreditar, afogue-se;
Não seja percebido, e então note-se.
Há noites em que Nietzsche
Não conseguia dormir com as aparições de Ilse Koch.
​De um futuro não muito distante,
Dentro de um presente conturbante,
Um anonimato não descrito de diálogos restritos,
Filosofias opostas com palavras semelhantes.
​Nunca coube
Proferir, proporcionar mentoria e ser propagado como coach;
Existem duas maneiras de acabar com a guerra, e nem sempre será retirando o Colt Paterson do coldre.
​Nunca soube
Queimar na própria gratificação da luz,
Resplandecer na penitência de ser livre na prisão que o conduz à retificação do caminho asqueroso e nefasto.
​Dentro de um portfólio, um desenho antigo de um mastro.
O gosto
De aventurar-se sem medo;
O gesto
De sorrir em meio ao fracasso tornou-se um emendo
Para navegar diante da neblina escura e de um frio tremendo.
​O rosto
De uma figurante que para as pessoas nunca foi considerada importante,
Vivenciando descobertas fascinantes, onde até mesmo as derrotas se tornaram exuberantes.
Uma criança, humilde menina sem relatos do seu passado,
Perguntando-se:
"O que veio antes?"
​Com face confusa, conversa com Confúcio;
Ouve-se o prenúncio:
Um futuro próspero, tributário existencial do próximo.
​O rastro
De uma lágrima desfigurada;
O resto
De uma íntima sátira destilada;
A réstia
De uma vítima, rubrica de fé desconfigurada.
​Males indébitos,
Mares em déficits,
Fúnebre febre.
Males indébitos,
Mares em déficits,
O que o impede?
​O quanto dessa intoxicação o rege?
​Acredito que todo Ser é poeta, pois todos nós temos uma página que foi bruscamente arrancada.
Em gotículas de poesia, vi a chuva cair, molhar a calçada, fertilizar o árido solo, mas também provocar um sórdido dolo.
A doença que se espalha e nos divide se espelha em esperança, para que a cura nos convide a acreditar que, na próxima renascença poética, o verso mude.
​Poemas também são rudes:
Hitler escrevia em atitudes o mundo que moldava;
Páginas vívidas foram queimadas,
Letras soltas, capturadas.
​A poesia é o jeito de viver,
O que transborda em dúvidas, o que transpira no ato simples do que se crê.
Cada poema é único:
Escreva em si e leia-se ao público;
Escreva ao público e lerá em si o seu maior súdito.

5 Visualizações
Partilhar

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.