Quando eu morrer,

Quero que o mundo não pare,

Que a luz atravesse as janelas

Como sempre fez,

Que os autocarros passem atrasados,

Que alguém reclame do calor

Ou da chuva.

 

Posso morrer hoje

Ou amanhã,

E isso não me assusta.

Assusta-me mais

A ideia de tudo suspenso,

Como se a vida tivesse de pedir licença

À minha ausência.

 

Quero que riam na rua,

Que os cafés encham,

Que a cidade continue a respirar

Sem saber o meu nome.

Porque morrer, afinal,

É só deixar de segurar o tempo,

E o tempo

Nunca precisou de mim.

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