Catarina Lelo

Catarina Lelo

n. 2008

Uma Poeta em construção

n. 2008 , Angola

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Depois de Mim

Quando eu morrer,

Quero que o mundo não pare,

Que a luz atravesse as janelas

Como sempre fez,

Que os autocarros passem atrasados,

Que alguém reclame do calor

Ou da chuva.

 

Posso morrer hoje

Ou amanhã,

E isso não me assusta.

Assusta-me mais

A ideia de tudo suspenso,

Como se a vida tivesse de pedir licença

À minha ausência.

 

Quero que riam na rua,

Que os cafés encham,

Que a cidade continue a respirar

Sem saber o meu nome.

Porque morrer, afinal,

É só deixar de segurar o tempo,

E o tempo

Nunca precisou de mim.

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Poemas

2

Depois de Mim

Quando eu morrer,

Quero que o mundo não pare,

Que a luz atravesse as janelas

Como sempre fez,

Que os autocarros passem atrasados,

Que alguém reclame do calor

Ou da chuva.

 

Posso morrer hoje

Ou amanhã,

E isso não me assusta.

Assusta-me mais

A ideia de tudo suspenso,

Como se a vida tivesse de pedir licença

À minha ausência.

 

Quero que riam na rua,

Que os cafés encham,

Que a cidade continue a respirar

Sem saber o meu nome.

Porque morrer, afinal,

É só deixar de segurar o tempo,

E o tempo

Nunca precisou de mim.

Flores Sobre Os Meus Ossos

Quando o tempo me apagar dos rostos,

E a terra me acolher sem nome,

Não haverá gritos, nem vestígios,

Apenas o sussurro das raízes.

 

A minha pele há de ceder ao ventre do mundo,

Os meus ossos, frágeis, tornar-se-ão pó,

Mas das fissuras crescerão lírios pálidos,

E nelas, eu serei sem ser só.

 

O vento levará o que fui na brisa,

Os pássaros cantarão a minha ausência,

E nos jardins onde nunca estive,

Será minha a sua essência.

 

Quem colher uma dessas flores,

Sentirá nos dedos um toque frio,

Mas não é morte, o que floresce

É apenas a eternidade vestida de vazio.

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