Flores Sobre Os Meus Ossos
Quando o tempo me apagar dos rostos,
E a terra me acolher sem nome,
Não haverá gritos, nem vestígios,
Apenas o sussurro das raízes.
A minha pele há de ceder ao ventre do mundo,
Os meus ossos, frágeis, tornar-se-ão pó,
Mas das fissuras crescerão lírios pálidos,
E nelas, eu serei sem ser só.
O vento levará o que fui na brisa,
Os pássaros cantarão a minha ausência,
E nos jardins onde nunca estive,
Será minha a sua essência.
Quem colher uma dessas flores,
Sentirá nos dedos um toque frio,
Mas não é morte, o que floresce
É apenas a eternidade vestida de vazio.
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