Elegia a um jovem
(à memória de Victor Pimenta)
Eu que vi corada a tua face,
E o arfar do teu peito inda jovem,
Não concebo tal desenlace,
Tal visão me causa desordem!
Como pode tão bela flor
Murchar inda em pleno verão,
No auge da beleza e esplendor,
Sem que fosse a certa sazão?
Eu que vi corada a tua face,
E o arfar do teu peito inda jovem,
Não concebo tal desenlace,
Tal visão me causa desordem!
O que houve co'a tua alma infante,
Co teu espírito jovial?
Viveste só por um instante,
E já seguiste à luz divinal!
Eu que vi corada a tua face,
E o arfar do teu peito inda jovem,
Não concebo tal desenlace,
Tal visão me causa desordem!
Porém sei que agora é feliz,
Inda mais que fora entre nós!,
Contudo é grande a cicatriz
Que deixaste ao deixar-nos sós...
Eu que vi corada a tua face,
E o arfar do teu peito inda jovem,
Sei que gozas do Seu enlace,
E que ao teu lado os anjos dormem.
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