este tempo que me toma...
Transfigurou-me o tempo, me abandono.
Fiquei do outro lado das despedidas
Com tanto silêncio, já me chega o sono
Trago gestos e palavras repetidas.
Goteja o orvalho é já madrugada
E eu indiferente à minha vontade
Trago da vida, a esperança estilhaçada
Sou no tempo a comoção da saudade.
Trago a fronte a latejar
Palavras me saem imprecisas
Este tempo me toma, e eu a deixar
Minhas raivas, em lentidão, indecisas.
Se ando fora do tempo é ousadia
Suspiro p'lo sol que me foge!
Vivo de sonhos e utopia
E peço ao dia que não me deixe por hoje.
Largo meu coração aos ventos
Palavras se estatelam no chão
Borbulham na minha cabeça pensamentos
E insistem as batidas do coração.
E assim, estala de novo em mim a vida
Um tesouro em silêncio abandonado
Como se voltasse ao ponto de partida
Ao final deste caminho traçado.
natalia nuno
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
Pele ossos e mais
Pele ossos e mais Memória de gente de fato é memória de dentro memória óssea. Lembras daquele dia que não houve ? Eu também não. M…
Darlan de Matos Cunha
Memória Caiçara
Alma criada, feita para navegar
no mar da Humanidade,
tem memória caiçara desde
nascença para fazer tudo durar.
Sem teme…
Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
Sereias bahamenses
Em tempos absolutos
da florada Ginger Thomas,
da Ilha de Andros
trago a misteriosa poção
para fisgar o coração.
Caí n…
Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
I get so much satisfaction washing God's peple's feet
I get so much Satisfaction washing God's people's feet Also when I teach The bible to God's People they become Hungry for the bible It w…
Aldo gabbay kraas