Versos de um domingo
O rio desce tranquilo da montanha;
com calma, escorre as águas cristalinas,
mas quando chove muito ele se assanha
e invade, além das margens, as campinas.
E a força da torrente é tal, tamanha
a callha da enxurrada, que termina
por revolver o saibro; a água ganha
a cor barrenta e arrasta a areia fina.
À beira de um remanso, vendo a cena,
o olhar perdido, a alma, então serena,
transmite para o corpo um sobressalto.
Relembra de beber da água mais pura,
do tempo em que o amor era ventura,
de quando o coração fremia, incauto.
Nilza Azzi
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