stellarprince

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Professor aposentado, poeta, escritor e consultor pedagógico.

1950-02-24 Campo Belo, MG, Brasil
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Prémios e Movimentos

Eric Gregory Award 1987

Alguns Poemas

UM TIO INESQUECÍVEL


Tio Zezé era um daqueles tios que gostava de conversar sobre tudo principalmente contar histórias,de pessoas, lugares sempre com toque misterioso no ar e nas suas palavras.
Dos irmãos mais velhos ajudou cuidar dos mais novos.
Logo cedo aprendeu a dividir com a irmã mais velha a responsabilidades de cuidados país que tragicamente por motivos diferentes adoeceram e partiram cedo.
Nunca casou-se viveu desde cedo assumindo a responsabilidade com os irmãos e dos negócios da família sendo nomeado tutor dos irmãos menores assim que a mãe morreu.
Passou a maior parte da sua vida no povoado pertencente à sua cidade natal, Porto dos Mendes.
Desde jovem, muito religioso, cuidou dos. Assuntos paroquiais, sendo sacristão e zelador da igreja.
Exerceu vários cargos no povoado, sendo representante do Instituto Butanta, em SP, Juiz de Paz, agente público de saúde, administrador da barca local para travessia do Rio Grande, entre outros.
Mas como tio,foi uma daquelas pessoas que gostava de passar seus conhecimentos, e suas estórias.
Falava das coisas que ouviu, que lhe contaram e de suas memórias.
De fala mansa com um sotaque peculiar tendendo ao lusitano.
Zé Neves sabia de tudo um pouco e no povoado que morava era um tipo de anfitrião.
Um irmão prestativo é carinhoso com os sobrinhos dos quais eu era o que morava mais distante fora do povoado.
Durante os anos que morei no Morro Grande, tive o privilégio de, algumas vezes, receber sua visita em casa e numa delas ele chegou com um Monjolo, em miniatura, media cerca de cinquenta centímetros talhado em madeira manualmente por ele e acompanhava o pilão bem feito da mesma forma.
Ele me disse: - vamos escolher um local para instalar e por para funcionar de verdade.
Depois de observar ao redor da casa ele escolheu um local e pegou algumas ferramentas e começou a preparar o local.
Disse: - aqui está bom, vamos fazer uma cabana, cobrir com sapé e instalar o monjolo debaixo da cobertura. Vamos desviar um pouco de água para cá colocando uma biquinha para encher o bojo do monjolo e fazer ele funcionar direitinho.
É assim em pouco tempo estava tudo funcionando... a cabana era pequenas mas eu cabia nela, sentado no chão observando o trabalho lindo que o tio fez.
Um gesto simples mas cheio de carinho e amor que deixou gratidão e lembranças para a vida toda!

Aconteceu no Natal

Os Shoppings Center estavam lotados de pessoas em busca de presentes, as luzes encantavam a todos com seus arranjos festivos de Natal. As ruas com um movimento intenso de vai e vem de pessoas e carros apressados.
Era já véspera da tão sonhada Noite de Natal.
Eu absorto em meus pensamentos dirigia meu carro rumo à casa de minha irmã onde encontraria a família já reunida. O trânsito estava apressado, todos a caminho de suas casas ou indo para encontrar os amigos, os parentes para com eles festejarem.
De repente, num cruzamento entre duas avenidas movimentadas o sinal fecha e eu parei meu carro a espera do sinal verde.
- Moço! Moço!
Surpreendi-me com aquela voz de criança do lado de fora. Deparei-me com uma menininha, cerca de 8 anos, mal trapilha com uma caixa na mão.
- Moço, compra uma bala. Compra moço!
Eu fora pego de surpresa, um pouco assustado ao meio daquele corre-corre e respondi de imediato:
- Meu amor, eu não tenho dinheiro trocado!
- Ah moço compra!
Olhei dos lados, apenas aquela garotinha estava ali ao meio dos carros, não havia mais nenhum ambulante, nenhum vendedor de farol.
De repente surpreendo-me com a atitude daquela menina.
- Moço, pega a metade. Fica com esta metade e eu fico com a outra!
Fiquei sem palavras com aquele gesto, com as mãozinhas estendidas sobre o vidro de meu carro entreaberto. Titubeie, mas não poderia fazer tal desfeita com o gesto daquela criatura inocente!
- Muito obrigado meu amor.
Mal tive tempo de vasculhar o bolso em busca de algum trocado, fui abalado pelas buzinas impacientes dos carros que estavam atrás do meu.
Então me dei conta do farol que já estava verde e tinha que prosseguir mas antes olhei para os lados e não vi mais a menina de vestido claro e surrado. Desapareceu... e eu fui obrigado a prosseguir, pois todos estavam pedindo passagem em meio ao trânsito.
Mal consegui conter a emoção daqueles instantes atrás! Segui meu trajeto ao encontro dos meus familiares e anos já se passaram, mas a imagem daquele anjo permanece em minhas lembranças!
Por onde andará tal criança? Uma simples mortal ou um ser celestial!?

Lembranças de vovó.

Nos anos cinqüenta, lá na roça, não havia energia elétrica, apenas lamparina com querosene ou azeite para iluminar a noite quando necessário.
Algumas fazendas, poucas na região, possuíam um gerador movido por uma roda d água, como o da fazenda de meus avós materno.
A usina ficava nos fundos da fazenda, cerca de uns seiscentos metros abaixo, era alimentado por água do córrego represado que fora desviado para que passasse no terreiro, do lado da cozinha.
Quando mudamos para lá este córrego possuía suas margens irregulares e havia um pequeno volume de água represado e muita água escapando pela sua margem esquerda antes de chegar à barragem.
Lembro-me de vovó chamar meu pai logo depois de nos acomodar e falar:
- Walter eu queria que você acertasse as margens do córrego e a barragem aqui perto do terreiro e arrumasse as caixas de comporta para (¹) moinho, para a (²) usina elétrica e a do (³) carneiro.
Vou pedir para os camaradas carregar pedras para você refazer a barragem e calçar as margens, onde esta com vazamento, ta bom!?
Papai sempre fora um homem zeloso, não era seu ofício, havia voltado há pouco tempo de São Paulo onde trabalhou vários anos numa Mercearia, mas disse que faria sim e logo começou o serviço.
Eu tinha quase dois aninhos e gostava de ficar observando o que papai estava fazendo.
Em poucos dias o serviço estava pronto.
Ah como papai arrumou tudo bonito, gora sim dava gosto ficar sentado ali nas margens, tomar aquela água límpida e fresca o dia todo.
Ouvir o barulho d’água transbordando sob a barragem de pedra. Deitar ali na margem direita do córrego sob a mureta construída pelo papai. Eu passava horas lá observando os pequenos lambaris e girinos que pareciam não se importar comigo ali e se divertiam naquela água límpida e calma.
Havia na margem esquerda três comportas, conforme disse anteriormente, uma para o (¹) moinho, outra para a (²) usina elétrica e outra para o (³) carneiro.
Quando a água não estava sendo utilizada por nenhuma destas comportas ela transbordava por cima da barragem de pedra que papai havia refeito cuidadosamente. E a água seguia seu curso córrego abaixo em direção a casa do monjolo e depois vazava grota abaixo recuperando seu curso de origem.
Qualquer curso de água sempre me fascinou, principalmente aquele córrego o qual saciava minha sede e mais tarde serviu para sustentar minha primeira jangada, feita de tronco de bananeira, na qual passava muito tempo subindo e descendo seu leito, passando pelas margens sombreadas por galhos verdes repletos de amoras deliciosas.
Vez e outra dividiam o espaço com algumas cobras d água ancoradas as margens do córrego. Vovó dizia que cobra d’água não faziam nenhum mal então eu não tinha medo.
Quando chegava o anoitecer era a vez dos sapos que vinham em grupo e dispostos para o concerto. Era uma cantoria só ! 
Lá da cozinha, no “rabo” do fogão me aquecendo e ainda proseando com vovó ficava a ouvir os sapos lá fora numa animação só!
O concerto começara o tenor prevalecia sobre os demais, era um som que parecia dizer:
“ - joaaaaaão.. cê vaiii ?
- vouuuu!
- joaaaaaão.. cê vaiii ?
- vouuuu!
Ah, havia também um sapo que emitia um som que parecia da bigorna, era o sapo ferreiro como chamávamos pois parecia estar sempre batendo com o martelo em sua bigorna.
E isto se repetia até a madrugada chegar ao meio de outros sons, coaxo e piado de aves noturnas quando esta orquestra não era quebrada por uma raposa, cachorro do mato a espantar as galinhas no galinheiro na tentativa de roubá-las.
Então vovó corria porta a fora em socorro das crias e depois de segura que afugentara os intrusos ela voltava.
Reinando a tranqüilidade vovó voltava a beira do fogão, vovô já havia recolhido em seu quarto e nós ficávamos conversando mais um pouco, geralmente eu como sempre perguntando as coisas para vovó e ela tranquilamente respondendo.
De repente ela se afastava ia até o armário que ficava na dispensa pegava uma taça de leite e dizia:
- Adarto (*¹)... bebe seu leite com farinha antes de dormir.
Pegava a (*²) taça com leite e farinha de milho e com uma colher tomava aquilo com gosto. Depois tomava a bênção e ia dormir.
No dia seguinte tudo se repetia!

(¹) moinho – consiste de uma pedra bruta medindo cerca de 1m de diâmetro por uns 20 cm de espessura, com um furo de cerca de de 15 cm de circunferência ao centro. 
Esta roda de pedra na horizontal sob um bloco plano de pedra girava triturando o milho que era colocado sobre o orifício central. Após moído o grão o mistura fina caia numa caixa que armazenava o produto. A Roda de pedra era movido por um sistema de engrenagem em combinação com a roda d’água. 
(²) usina elétrica = Um pequeno gerado (motor) movimentado por uma roda d’água que gera energia (contínua) elétrica.
(³) carneiro = uma esfera metálica com seu bojo oco que ao encher de água movimenta um pino criando um sistema hidráulico de elevar a água até um reservatório. Muito utilizado no interior de Minas e Rio de Janeiro.
(*¹) Adarto = é a maneira que vovó me chamava assim como os demais empregados (camaradas) lá da roça.
 

Um alerta.

Certa manhã do verão de 2016 acordei e chamei minta esposa pedindo-a para guardar uma palavra que acabara de ouvir num sonho, “máuuua” algo assim que ainda não conseguia definir como escrever.
No sonho: estava eu e minha mulher numa ampla casa numa colina numa região bem arborizada e na sala onde estávamos as janelas estavam com suas veneziana abertas…quando de repente observei objetos vindo pelo ar em direção dela.
Corri…corri para defendê-la e foi quando ouvi uma voz que alertava com uma palavra que soava mais ou menos com este som que tento reproduzir por escrito “máuuua..” assim que ainda soa nos meus ouvidos.
Mas eu nem ela fomos atingidos.
Os objetos eram em forma de discos escuros e com um bico numa das borda, semelhante à um pino.
Em pouco tempo eu estava de volta ao meu quarto e ao despertar veio na lembrança tudo que aconteceu e logo imaginei se tratar daquelas coisas (armas) usadas pelos “ninjas” ou outros grupos orientais.
Será algo como um “alerta” ? Pensei!
A primeira coisa ao levantar foi ver que estávamos todos bem e correr ao computador e acessar o GOOGLE e pesquisar algum nome que pudesse assimilar àquele som que ouvira.
Mas em minhas buscas nenhum resultado.
Pesquisei o que os ninjas utilizam e vi que são na maioria em forma de estrelas e não na forma circular e menos ainda com o pino num lado da circunferência!
Dias depois resolvi compartilhar este “sonho” com uma amiga, médica e sensitiva através de e-mail.
A resposta veio de imediato que tal relato tratava-se de um aviso, uma advertência.
A palavra que eu mal consegui decifrar era na verdade sussurros que diziam aos meus ouvidos: “mau ar”… “mau ar”…
Explicou me ela ainda que hoje em dia é comum receber tais mensagens…pois estamos numa dimensão mais aberta a outros “mundos”.
Os “mundos” estão operando numa sintonia mais fina.
Esta é mais uma das experiências que vivenciei dentre elas uma das mais intrigantes e significativas.
Sou um viajante do tempo, em busca de meus sonhos; na minha caminhada costumo ser alegre... rio, choro, me emociono com o olhar de uma criança, com o brilho do sol, da lua; o cantar dos pássaros. Sou um simples mortal que acredita na imortalidade da essência do Ser, do espírito . . As coisas que eu gosto? ... são as mais simples que existem. Gosto de ver o sol nascer, se por... ver a lua bailar no infinito espaço, e as estrelas enfeitando o manto negro e majestoso da noite... (e só de pensar que viemos e iremos ainda para alguma delas, chega a dar saudade ... !) Ver o rio correr tranqüilo seguindo seu curso sem reclamar, ouvir o sussurro do vento, o som dos pardais ao entardecer, o sorriso de uma criança, a sensualidade feminina, e tantas outras coisas mais que nos rodeiam!Como eu vejo as pessoas? ... Vejo as todas companheiras de viagem, indo em busca de algo; são viajantes das mais diferentes origens, oriundas de algum lugar do Universo e na maioria das vezes perdidas sem saber para onde irão e o que buscam ! Isto é triste! Sonhos ? ... sou um eterno sonhador ! " Sei, que n'algum lugar, muito além dos horizontes... nossos sonhos realmente acontecem! " Vou-me embora para PASARGADA , sonho de todo poeta, ir se embora para Pasárgada,..... Sinto-me privilegiado possuidor das chaves deste lugar, entretanto, sei que nada vale a pena se não for fruto de nosso próprio esforço... Do que adianta ser amigo do rei, ter tudo que se imagina e não ser feliz ? Prefiro seguir meu caminho, colhendo todas as pedras que encontro na estrada e utiliza-las para meu caminhar. Quem quiser ... acompanhe-me e caminhemos juntos!
Diones
Esse escrito me fez lembrar a minha amada! Gostei muito. Parabéns...
05/novembro/2018

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