stellarprince

stellarprince

Professor aposentado, poeta, escritor e consultor pedagógico.

1950-02-24 Campo Belo, MG, Brasil
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Alguns Poemas

Aconteceu no Natal

Os Shoppings Center estavam lotados de pessoas em busca de presentes, as luzes encantavam a todos com seus arranjos festivos de Natal. As ruas com um movimento intenso de vai e vem de pessoas e carros apressados.
Era já véspera da tão sonhada Noite de Natal.
Eu absorto em meus pensamentos dirigia meu carro rumo à casa de minha irmã onde encontraria a família já reunida. O trânsito estava apressado, todos a caminho de suas casas ou indo para encontrar os amigos, os parentes para com eles festejarem.
De repente, num cruzamento entre duas avenidas movimentadas o sinal fecha e eu parei meu carro a espera do sinal verde.
- Moço! Moço!
Surpreendi-me com aquela voz de criança do lado de fora. Deparei-me com uma menininha, cerca de 8 anos, mal trapilha com uma caixa na mão.
- Moço, compra uma bala. Compra moço!
Eu fora pego de surpresa, um pouco assustado ao meio daquele corre-corre e respondi de imediato:
- Meu amor, eu não tenho dinheiro trocado!
- Ah moço compra!
Olhei dos lados, apenas aquela garotinha estava ali ao meio dos carros, não havia mais nenhum ambulante, nenhum vendedor de farol.
De repente surpreendo-me com a atitude daquela menina.
- Moço, pega a metade. Fica com esta metade e eu fico com a outra!
Fiquei sem palavras com aquele gesto, com as mãozinhas estendidas sobre o vidro de meu carro entreaberto. Titubeie, mas não poderia fazer tal desfeita com o gesto daquela criatura inocente!
- Muito obrigado meu amor.
Mal tive tempo de vasculhar o bolso em busca de algum trocado, fui abalado pelas buzinas impacientes dos carros que estavam atrás do meu.
Então me dei conta do farol que já estava verde e tinha que prosseguir mas antes olhei para os lados e não vi mais a menina de vestido claro e surrado. Desapareceu... e eu fui obrigado a prosseguir, pois todos estavam pedindo passagem em meio ao trânsito.
Mal consegui conter a emoção daqueles instantes atrás! Segui meu trajeto ao encontro dos meus familiares e anos já se passaram, mas a imagem daquele anjo permanece em minhas lembranças!
Por onde andará tal criança? Uma simples mortal ou um ser celestial!?

A PRINCESA ENFEITIÇADA


(Das estórias que vovó contava...)

Pela manhã ... quando as últimas gotas de orvalho caiam das folhas... ou quando vovó terminava seus afazeres...ia para o alpendre no qual tínhamos a visão dos camadas com suas ferramentas nos ombros, cabisbaixo, exaustos...desciam pelos trilhos da serra depois de um dia trabalhando nos imensos cafezais.
Enquanto isso admirávamos na jardineira, no alpendre..., ainda abertas lindas flores vermelhas da onze horas...
Dentro daquelas lindas e mimosas flores... minúsculas formiguinhas que mal se podiam ver. Percebia se que elas pelo seus movimentos estavam saciando do néctar da flor.
Sem perguntar vovó começou a me contar a estória daqueles minúsculos seres.
- sabe, esta formiguinha, apontando uma que estava sozinha numa das flores, era um linda princesa que vivia num castelo no alto de uma montanha, lá fora havia um exuberante bosque mas o Rei, havia deixado ordens a todos os guardas que não deixassem a princesa sair do castelo pois havia um feiticeiro muito mal e perverso andando por aquelas bandas.
- Certo dia por descuido dos guardas do castelo, a princesa conseguirá matar sua curiosidade e visitar o bosque o qual tanto admirava.
- Andando pelo bosque ficou muito encantada admirando cada flor,cada árvore e os pássaros.
- Aí de repente um pássaro posou próximo a ela e deu-lhe as boas vindas!
- A princesa assustou-se com o pássaro falante mas por acreditar em fadas, doentes...se acostumando logo achando normal.
- O pássaro disse então: menina pegue uma fruta daquela árvore e como três delas. Assim ela o fez e gostou do sabor ... Acontece que que num passo de mágica ela se transformou numa minúscula formiga, uma formiguinha que fora aprisionada dentro de uma flor mal conseguiu perceber que o pássaro não era um pássaro e sim um terrível feiceiro.
Eu estava bem curioso enquanto vovó olha os campos as colinas e o morro da onça enquanto eu em silêncio pensava a respeito do que ouvira ...
De repente...perguntei a vovó e aí o que aconteceu depois? Como lo rei ficou sabendo? Etc. E vovó voltou os olhos para a jardineira observando a formiguinha que ainda estava lá .....respondeu calmamente:
- Sabe todo o reino ficou muito triste com o desaparecimento da princesa. Então o rei mandou um mensageiro percorrer todo o reino em busca de informações e se encontrasse alguém que soubesse de alguma coisa que levasse ao castelo e seria bem recompensado. O mensageiro então fez o que o rei pediu. Num bosque muito distante do castelo ele encontrou com uma anciã muito simpática e ao ser indagada do paradeiro da princesa ela levantou se do tronco de árvore onde estava sentada mostrou se interessada em falaram o rei e explicar o que acontecera com a princesa.
Assim atendendo o pedido rei ela acompanhou o mensageiro até o castelo onde foi recebida pelo rei. E como o rei pressentiu que a conversa seria longa pediu que primeira seria servido o almoce e reservou um lugar à mesa para aquela simpática anciã. Havia muita fartura servida... depois de saciada a fome e terem saboreado as deliciosas gulodices foram para uma sala de visita onde ouvia da visitante uma longa e intrigante estória!
- Há muito e muito tempo atrás ...viveu num reino vizinho um príncipe que foi proibido descortejar uma linda princesa deste reino.
- Este príncipe ficou muito triste, magoado e tornou se um feiticeiro que há anos perambula pelos arredores do castelo e querendo de alguma forma vingar-se do ocorrido no passado.
O rei que era um homem bom indagou aquela senhora:
- mas o que eu posso fazer para resgatar minha filha?
Respondeu em ar de tristeza aquela senhora,
- Oh senhor, meu rei, nada! Mas eu sei a única pessoa que pode trazer sua filha de volta....fez se silêncio..e espantado é curioso o rei indagou:
- Quem, e como encontrar essa pessoa?
Aquela senhora era na verdade uma curandeira, uma vidente que mora nas redondezas do castelo disse ao rei o que sabia. Meu senhor a princesa antes mesmo de se dar conta foi alfinetada na cabeça e reduziu a uma simples formiguinha que fora aprisionada numa flor. E só há uma maneira dela sair da sua prisão e voltar a ser a linda princesa!
Curioso o rei pergunta a anciã ?
- O dia que que aparecer um príncipe elegante, bondoso e encontrar o alfinete na cabeça desta formiguinha e conseguir arranca-lo a maldição acabará e ela se casará com este príncipe serão felizes por muitos e muitos anos.
Vários príncipes visitaram o bosque nas cercanias do palácio onde viveu a princesa e não conseguiram e há muitos que há esperança de quebrar o feitiço arranjar bom casamento ainda tentam encontrar o alfinete na cabeça da princesa.
Observem, quando ver uma linda flor de onze horas preste atenção naquela pequena formiga se não será a princesa enfeitiçada!?
Se encontrar a princesa e conseguir arrancar o alfinete de sua cabeça será um forte pretendente a ser amigo do rei e ainda for solteiro terá um lindo casamento real e viverá feliz por muitos e muitos anos!

MEUS ESCRITOS

Escrever é um fascínio que me atrai desde a tenra infância... sempre rabisquei meus escritos, mas nem sempre os guardava, achava que não eram bons e os jogava fora.Desde meus doze anos tinha vontade de escrever, escrevia minhas narrativas sobre minha infância, sobre coisas e lugares que eu gostava.Lembro-me que guardei um rascunho por décadas de uma estória que estava escrevendo sobre um cachorro chamado Norte, um velho amigo da infância que morreu mordido por uma cobra venenosa. Acabei um dia desinteressando-me pela narrativa e jogando todo rascunho no lixo.Vasculhando minhas mais tenras lembranças, encontro velho sonho de um dia ser escritor, escrever livros que pudesse encantar as pessoas assim como os muitos que me fizeram viajar além do tempo, além de minha cidade.Durante toda minha carreira no magistério, sempre incentivei meus alunos ao mundo mágico da escrita, promovia a escrita, a leitura aos meus alunos, desde as crianças aos mais maduros.O meu sonho de escrever foi ficando apenas na lembrança, ora escrevia alguns versos para alguém, ora alguns textos, mas não me apegava a eles e apenas alguns ficaram em rascunhos que guardei até publicar aqui no meu Site.Hoje, penso em dedicar mais tempo a escrever, principalmente as minhas lembranças, as minhas vivências, os meus sonhos...Escrever um livro, quiçá um dia! Mas enquanto não sai de um sonho meus escritos ao invés de ficar engavetados e depois ser jogados ao lixo editei-os na Morada dos Sonhos e daqui jamais saberei até onde irão.Para quem quiser aventurar-se a leitura de meus escritos.. que muitas vezes vão além deste nosso mundo de realidades... esteja a vontade e navegue pelo menu ou sub-menu na lateral direita.
Críticas ou Sugestões serão sempre bem vindas.

MEU PRIMEIRO PAPAGAIO

Jamais me esquecerei de meu primeiro papagaio.
Estávamos morando com meus avós maternos e era costume passarmos finais de semana na cidade com meus avós.
Como vovó havia vendido a casa da cidade nossa estadia era na casa da vó Julita, minha bisavó.
A casa da vó Mulata, como era tratada, morava com o filho Juarez e sua família, era como "quartel general" situada, na época em frente à velha caixa d'água na cabeceira da praça.
A casa além de hospedar a família da vó Anita quando vinha a cidade era ponto de encontro dos irmãos devido à localização na entrada e saída da cidade para as terras do Abilio.
Foi numa destas estadias, numa manhã de segunda feira todos já se preparavam para partir para a roça. Estávamos só esperando vovô chegar com a camionete para partir. Estava no alpendre observando os meninos que brincavam na praça, naquele dia ensolarado com seus papagaios coloridos e cada um tentando subir mais alto e se exibir mais. Mas ao contrário do que se observa hoje, não havia tentativa de estragar a brincadeira do outro, todos soltavam seus brinquedos em harmonia
Mal percebi que papai acabara de chegar com um embrulho e logo vovô também encostou a camionete em frente chamando por vovó.
⁃ Anita! Chama a Gileite, o Walter e os meninos.  (Disse vovô que se manteve na direção.
Na frente com vovô foram a vovó, mamãe com o neném, o Pascoal. Eu fui com papai na carroceria entre os "trem" que compraram para levar pra roça.
Embora já desconfiava o que seria o que papai fora comprar de última hora não hesitei perguntar.
⁃ Pai. O que o senhor comprou? Para quê? - perguntei timidamente.
⁃ Comprei papel de seda, linha 10 ....para fazer um papagaio para você igual dos meninos.
Mal podia conter de alegria e ansiedade para chegar na roça e esperar pelo prometido.
Hora de descarregar a camionete, vovô pegou suas compras levou as para o porão e papai ajudou a vovó levar os "trem" para a dispensa, enquanto mamãe cuidava do menino.
Mal podia esperar terminar a lida. Mas vovó chamou:
⁃ Adarto, vem me ajudar aqui. E depois vai lá na Memba e veja se ela tem um pouco de feijão cozido.
Conforme vovó pediu corri lá na casa do Zé Soares e fui logo encontrei a Memba e pedi o feijão e voltei correndo com uma vasilha com o feijão.
Quando cheguei na fazenda encontrei papai sentado lá no terreiro com um canivete preparando algumas varetas de bambu. Ansioso enchi papai com perguntas e ele calmamente me respondia enquanto trabalhava as varetas alisando as cuidadosamente com o canivete afiado.
Logo ele levantou e tomou o material preparado e subiu as escadas e entrando na varanda onde preparou a mesa, retirando os objetos que lá estava e colocou as varetas, a linha e o papel. E pediu que eu o aguardasse enquanto dirigiu-se à cozinha. Pegou uma colher de polvilho acrescentou um pouco de água e levou ao fogão onde aqueceu e transformou numa cola branca, um grude e colocou numa vasilha.
 Na varanda enquanto todo material já estava em cima da mesa estendeu a folha de seda roxa na horizontal e cuidadosamente passou o grude na extremidade e colou a outra folha na vertical de forma que uma armação em cruz fosse colocada como armação.
As varetas foram amarradas (no eixo) cuidadosamente e firme e em seguido circundada com a mesma linha utilizada no amarro.
Eu só observava papai com sua habilidade na sua arte com o bambu, a linha e o papel. Mal pude conter minha ansiedade. Com o adiantamento do trabalho interrompi o que papai estava fazendo indagando:
⁃ Pai, mas vai faltar papel nas beiradas!
Calmamente papai me explicou.
⁃ você está vendo estes pedaços em forma de triângulos que cortei nas bordas inferiores, do rabo?
⁃ Então, assim como a costureira faz, emenda, colando estes pedaços que sobrou nos lados que ficou faltando.
Pai entendi e no final não sobrou quase nada e algumas aparas papai pediu que guardasse para eventuais reparos no caso de algum rasgo acidental!
As colagens já estavam prontas o papagaio já havia tomado forma e eu todo orgulhoso gritava:
⁃ Mãe, mamãe nota, (como chamava vovó) vem ver o meu papagaio, vem mãe...
⁃ Não pode pegar enquanto não secar, tem que esperar....fui alertado.
Mas enquanto ficava lá olhando todo feliz aquele enorme papagaio, todo belo, vermelho e roxo mal podia vê lo singrando os céus!
Mas uma duvida ainda me inquietava, como vou amarrar a linha!?
Nisso papai percebendo minha dúvida disse:
⁃ Assim que secar bem vou fazer o estirante, o cabresto o qual vai sustenta-lo no ar!
Aí depois de receber esta explicação fiquei mais tranquilo embora ainda ansioso.
Almoçamos e logo depois acompanhei atentamente a marcação, (furos) uma cruz centralizada no cento do papagaio onde as varetas se cruzam e estava pronto para ir ao ar.
Colocado de pé na vertical era maior do que eu e por isso fui orientado a ter cuidado no modo de carregar e segurar.
Fomos eu, papai, mamãe e vovó lá para a frente da fazenda soltar o papagaio.
Com a ajuda de papai logo subi-o todo imponente e contrastando com o céu azul e algumas nuvens em forma de algodão de passagem no céu!
Assim que dominei o lindo presente ficamos eu e mamãe (já que o menino estava dormindo) admirando aquele papagaio cada vez mais alto.
Noutro dia aprendi com mamãe a enviar carta, bilhete como dizia ela.
Um disco de papel, cerca de dez centímetros de diâmetro, um furo central e um corte encaixava-se na linha impulsionando a girar e dirigir se ao eixo do papagaio lá no alto. (Mamãe dizia que eram cartas e bilhetes que se mandava aos anjos lá no céu)!
Assim o papagaio, este primeiro, eu e ele passamos muitos dias ensolarados ao lado do belo ipê , em frente à tulha, onde foi minha primeira escola.
Logo aprendi fazer outro, depois que o primeiro, por acidente resolver ficar no alto de uma árvore e não mais voltou!
Fiz um, dois, três é muitíssimo outros...cresci...noutra cidade onde fui estudar vi que os papagaios de lá não eram como o meu até o nome era outro, pipa!
Resolvi fazer um agora, igual o de outrora só que quis inovar e coloquei uma luzinha pequena em cada extremidade cuidadosamente afixada e ligadas com um fio fino ligados à uma pilha pequena centralizada no bordo.
Nas noites enluaradas e frias tendo de cenários de fundo as serras da manteigueiras soltava meu papagaio que subia silenciosamente com suas lâmpadas nas extremidades.
Nas vizinhanças cogitavam sobre aquele objeto silencioso pairado no céu contrastando com o céu estrelado.
Até hoje ainda há quem se lembra e comentam da façanha do menino que soltava papagaio a noite!
Sou um viajante do tempo, em busca de meus sonhos; na minha caminhada costumo ser alegre... rio, choro, me emociono com o olhar de uma criança, com o brilho do sol, da lua; o cantar dos pássaros. Sou um simples mortal que acredita na imortalidade da essência do Ser, do espírito . . As coisas que eu gosto? ... são as mais simples que existem. Gosto de ver o sol nascer, se por... ver a lua bailar no infinito espaço, e as estrelas enfeitando o manto negro e majestoso da noite... (e só de pensar que viemos e iremos ainda para alguma delas, chega a dar saudade ... !) Ver o rio correr tranqüilo seguindo seu curso sem reclamar, ouvir o sussurro do vento, o som dos pardais ao entardecer, o sorriso de uma criança, a sensualidade feminina, e tantas outras coisas mais que nos rodeiam!Como eu vejo as pessoas? ... Vejo as todas companheiras de viagem, indo em busca de algo; são viajantes das mais diferentes origens, oriundas de algum lugar do Universo e na maioria das vezes perdidas sem saber para onde irão e o que buscam ! Isto é triste! Sonhos ? ... sou um eterno sonhador ! " Sei, que n'algum lugar, muito além dos horizontes... nossos sonhos realmente acontecem! " Vou-me embora para PASARGADA , sonho de todo poeta, ir se embora para Pasárgada,..... Sinto-me privilegiado possuidor das chaves deste lugar, entretanto, sei que nada vale a pena se não for fruto de nosso próprio esforço... Do que adianta ser amigo do rei, ter tudo que se imagina e não ser feliz ? Prefiro seguir meu caminho, colhendo todas as pedras que encontro na estrada e utiliza-las para meu caminhar. Quem quiser ... acompanhe-me e caminhemos juntos!
Diones
Esse escrito me fez lembrar a minha amada! Gostei muito. Parabéns...
05/novembro/2018

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