Lista de Poemas
Abstrato ébrio.
Abstratos de nós mesmos
Desenhos dos caos da cidade
Sentimentos ignorados
Olhares desprezados
Arrepios disfarçados
As linhas do andar que carrego
Desnorteando os caminhos que penso em seguir
O além, autor de minha história
Alinhando os sentidos
De meu proibir
O contorno dos cabelos ao enrolar minhas palavras
Desorganizando o organizado sopro
Que me afoga em dias
Onde nem o paradoxo me livra
A lua
Que procuro em galáxias de olhares
Que nem ao menos mostram
As estrelas que escondem
Os sorrisos de cada face
Sereno das noites amáveis
Que formo o maior dos rios
Secados com o branco das fronhas
Apartando-me dos males
Descartando meu lado mais sombrio
Serei eu, dono dos meus sentidos
Ou apenas
Um personagem qualquer
Nas linhas tortas que um escritor embriagado
Ousou rabiscar.
Indeterminado.
Indeterminado momento esse em que te faço protagonista de minhas cenas de paixão e drama. Momentos que me desvio do real, olhando as linhas que contornam teu ser e tua personalidade. Bonito és, figura marcada em meus sonhos. Carência não suprida. Deito-me no passar de tuas histórias,fazendo-me figurante mal comido. Masturbo minhas ideias obrigando-as a te seguir. Mastigo meu rumo indeterminando o prosseguir.
Delírios vermelhos.
Sangue do sangue, mas meus olhos teimam ao contrário. Errado pelos olhos de qualquer um, menos pelos meus. O desejo pelo incorreto.
Quero sentir teus dedos como uma tatuagem a contornar minha pele marcando o meu incontrolável tentar por um simples ato do querer. Olhos nos olhos, apenas isso. Em um momento de fuga, me entreguei em teus braços embriagados.Pra ti, só mais uma. Pra mim, um pouco mais que isso.
Uma paixão guardada que desperta toda vez que te vejo. Como abrir mão dessa fissura na qual o que mais quero é fugir? Esqueça o preconceito pelo sangue.
Se te quero homem,faça-me mulher.
Frenesi.
Quero um pouco do teu eu e afogar-me no encostar de tua pele. Quero um pouco do teu sexo, tua atenção e apenas uma frase de teus diálogos. Querer uma pessoa com essa exagerada veemência, será insensatez? Calma,apenas a loucura te faz meu.
A tal Aurora de meus poemas.
Observando cada ato que te faz a Aurora de meus passos, me perco e me encontro numa passagem de segundos em que não aprendi a dominar. Nem o mais escamado dos felinos tem a audácia de fugir dos teus abraços que transmitem a áurea de tamanha luz que te faz meu portal para o além. Minha respiração sendo apenas sua.
Não me leve a mal, amo até a cinza desprezada dos cigarros que se suicidam no calor de tua saliva. Amar-te não é uma opção, sina conhecida como proteção que me guarda e diz 'apenas ela é capaz de te fazer feliz'.
Sobreaviso.
Vou remar sem receio de perder o juízo
E mergulhar aos poucos em teu paraíso.
Não se apavore, dona
O assombro é impreciso
E o destino imprevisível.
Doce tormento.
Horas passando no relógio e essa agonia me corroendo por dentro. Sentada na cadeira de espera, presa nessa linha temporal demorada que me faz querer gritar. Chorando e extravagando por dentro, mas sem coragem de colocar pra fora. Minha perna treme por sentir tamanha raiva que no momento está a crescer no meu interior. Não consigo controlar.
Preciso de algo que me salve dessa tortura. Como pessoas soltando palavras ao ar, sem ao menos conseguir entende-las. Sentada, observo a frieza que cada um que aqui se encontra possui. Ainda mais frio que o ar gelado a congelar minhas pernas. Sufocada! Fria! Inquieta! Só querendo libertar-me dessa corrente que da sala do hospital faz seu metal.
Íntima aversão.
Tuas promessas escorreram ralo a baixo e minhas expectativas já estão em uma boca de esgoto qualquer. Perdoa-me as palavras, meu desgosto clama mais alto e despreza a ampla ignorância de que és dono e sua admirável capacidade de conseguir se acomodar nesse teu mundo que te engole e te faz o humano mais mesquinho em que já ousei mencionar o nome. Pra mim, só resta à inexistência. Textos,versos e prosas derramados nos boieiros que escondem tudo o que há de mais sujo.Vejo-te como uma puta vencida que nem ao menos tem coragem de implorar por um sexo sórdido qualquer. Servia-me a você como um banquete e hoje, não resta nem a migalha do pão velho que esqueci no fundo do armário. Não vejo mais um cisco das cinzas que restaram da nossa grande chama que muito fiz pra manter acesa. Dor e cansaço foram o que senti numa manhã em que despertei aflita, vencida. Com grandes náuseas me calei. Pra sempre. A idolatria pela lubricidade e pelo vulgar faz de você indigerível e vomitável. E nem uma estrofe banal te salvaria desse grande mar de desventura que ao menos anseia pela abolição de tua tão adorável história.
Insensatez.
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