RafaelCastro

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A última folha do Outono.

Sei que gostas de mim,

que te agarras nos meus braços,

e que negas o fim

que vês nos teus passos.

Do frio nasce a neve

fruto do ventre de uma miragem,

e o vento polar ferve

a tua grande coragem.

Já todas caíram

mas tu ficas, longe do calor,

surda ás que desistiram

da melodia do nosso amor.

Admiro-te pela preserverança

face ás leis da Natureza,

pela inquebrável esperança

que mantém a tua luz acesa.

Mas eu conheço o vento polar

e a dureza desta estação

e sei que nada te vais alvar

do teu caminho até ao chão

O fim a todas é igual,

e disso não podes fugir

mas na solidão invernal

foste tu, quem me fez sorrir.

E por isso não te esquecerei.

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Nasci, vivi, escrevi

Poemas

12

A última folha do Outono.

Sei que gostas de mim,

que te agarras nos meus braços,

e que negas o fim

que vês nos teus passos.

Do frio nasce a neve

fruto do ventre de uma miragem,

e o vento polar ferve

a tua grande coragem.

Já todas caíram

mas tu ficas, longe do calor,

surda ás que desistiram

da melodia do nosso amor.

Admiro-te pela preserverança

face ás leis da Natureza,

pela inquebrável esperança

que mantém a tua luz acesa.

Mas eu conheço o vento polar

e a dureza desta estação

e sei que nada te vais alvar

do teu caminho até ao chão

O fim a todas é igual,

e disso não podes fugir

mas na solidão invernal

foste tu, quem me fez sorrir.

E por isso não te esquecerei.

126

Pensamento Horticula

Vagueio nas ruas do pensamento, e do ser

solto no mundo onde tudo vi

penso no que me rodeia e concluo

que sou consequência dos caminhos que escolhi.

Não faz muito desde que escolho

as consequências de ser quem sou,

tento ser melhor pois o mal eu colho

tento mas já todo o homem tentou.

É necessário procurar

levar palavras da potência á acção

é essa a lei do meu viver

interpretar a lingua do coração

Desconstrui-la num mero acto

esperar como quem espera seu tempo

equanto o acto solto, solta seu impacto

e se difunde pelo momento.

Encontro-me a cada segundo

na crista da onda impossível,

nela descubro um mundo

onde a minha loucura é credivel.

117

O inverno e a tempestade

Faz tempos de um dia em que na neve me perdi

com o coração da montanha e o frio como companhia

Foi aí entre pinheiros queas tuas sardas vi

Dançavas selvagem com aleveza da neve

e eu aproximei-me,nervoso, seguro de que eras magia,

seguro de que um suspiro te levaria em breve.

Mas eras veradeira e com olhos de cristal,

que pude ver quando os olhares se cruzaram

ficámos estáticos numa linguagem transcendental,

e foi aí que conheci a beleza do teu Inverno

nos olhos de um animal que os Deuses marcaram,

aí ficámos congelados por um silêncio eterno.

Larguei a arma, a roupa e por fim larguei-me a mim

Nu, renasci perante ti sem sonhar que sequer morri.
Tu avançaste lentamente e a minha testa tocaste

e ainda no silêncio eterno os meus lábios beijaste.

Aí ficamos congelados porum tempo incerto

na floresta, no silêncio,esperando a explosão

de um futuro que se tinha aberto

do qual haviamos sido ignição

e do frio viria a última revolução.

138

Inexplorável Horizonte

Misteriosos caminhos do anoitecer

da aventura ainda por acontecer,

de tudo o que fica por saber

aí, á espera que o vamos viver.

Oh! magia do amanhecer,

de rir e de o agradecer,

ser livre e livre poderser

que encanto é este viver

Rei do meu próprio querer

sem um reino para ter.

116

Um mundo em ti

Vi-te por uma estrela

guiada pela mão,

perguntei aos olhos

se serias uma visão.

Mas eras verdadeira

e teu peito cristal,

a imagem doutro mundo

e dele o portal.

VInhas dum lugar

aquém das leis,

onde o tempo passa

e somos dele reis.

Lá onde somos leves

e nos leva o vento,

como uma palha,

como um momento.

Leva-me até lá

ao mundo que vi,

ensina-me o caminho

que me leva até ti.

133

Que é de tudo?

Que é de um poeta sem musa

sem beleza para oinspirar.

Que é da noite semestrelas

sem nada lá para brilhar.

Que é de tudo isto

senão o perfeito escuro,

senão trevas de veludo

sem promessas de futuro.

Que é do escuro

senão uma branca tela,

paciente à espera

que alguém pinte nela.

Que é da tela

senão a nossa vida,

uma viagem única

e um bilhete de ida

Que é de um caminho

senão para andar

nas pegadas do destino

até onde este nos levar.

122

Que me guardas hoje?

ao que tenho sido?
Dar-me-ás uma flor,

rios de tinta e cor

enchendo-me o caderno?

Ou lembrar-me-ás do amor

que me aqueceu o Inverno?

Brinda-me com a presença

da incerteza do futuro,

do medo de não saber

o que esconde o escuro.

Pois hoje quero descobrir

as virtudes do medo,

quero acordar e sentir

como na vida é cedo.

Que falsa é a certeza

que te dá como garantido,

de saber de um momento

que ainda não o tenha sido.

Escondes a mudança

em frente á vista

num passo de dança

na alma do artista.

Hoje quero navegar

nas ondas do desconhecido,

e se me perder voltarei aomar

de onde nunca havia partido.

Essa casa de eterna Mudança

és tu a esperança

nas voltas da minha andança,

és tu o acreditar

que um dia,

um dia como tantos,

vou abrir as asas

e voar.ça ÇÇÇÇsdqwieasdasdasda

146

Uma noite

Sentimos silenciosa a tensão,

quando mil luzes coloridas enchiam o céu

Numa noite escrita pelo acaso e pela sorte

nas páginas do Verão.

O poder e o querer do coração

e um segundo, apenas um, de coragem

foi essa a diferença naquela noite

onde acendemos a escuridão.

Testemunhámos a vida

bailando com o sentimento

que nos fez estranhos seres

de uma familía verdadeira e unida.

Guardo os vossos sorrisos

como leves memórias,

que me alentam ora a sorrir

ora a chorar meus dilemas e juízos.

Na noite, filhos dac ombustão,

do fogo que ardemos

por vermos

com o coração

aquilo que os olhos jamais saberão.

153

A Janela de Janeiro

A Janela de Janeiro,

foi lá por ela

que me perdi inteiro.

Na solidão de Inverno,

o meu primeiro,

de um tempo eterno

com a ausência do teucheiro.

As amizades com as letras

de idades

por pó cobertas,

de tempos e vidas certas,

de outrora portas abertas.

Foi nelas que passei,

a ausência de ti

o que hoje sei

com elas aprendi

na luz dímea do sol

que espreita nas nuvens,

foi aí que fiquei.

Lá na Janela de Janeiro,

voltei a ela

por juras de guerreiro

de resolver a batalha

como os fantasmas do roupeiro,

uma luta muda

de um monge no mosteiro.

O vento espalha,

a memória do teu cheiro,

um dia calha

e voo do poleiro,

Um dia ameno,

Um dia...
O meu primeiro.

118

Velho, no vale da vida boa

Hoje sou velho sentado no orvalho,

Há dias em que vivo a aventura

mas hoje dá-me paz o trabalho

que a mente não procura.

Hoje sou velho aqui e ali,

mas podia não estar de todo

que importa que rume aí

no alto ou no lodo.

Hoje sou velho sentado aolhar

o vento soprando-me a paz,

lento e forte no meu andar

pode ser que amanhã acorde rapaz.

152

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