A última folha do Outono.
Sei que gostas de mim,
que te agarras nos meus braços,
e que negas o fim
que vês nos teus passos.
Do frio nasce a neve
fruto do ventre de uma miragem,
e o vento polar ferve
a tua grande coragem.
Já todas caíram
mas tu ficas, longe do calor,
surda ás que desistiram
da melodia do nosso amor.
Admiro-te pela preserverança
face ás leis da Natureza,
pela inquebrável esperança
que mantém a tua luz acesa.
Mas eu conheço o vento polar
e a dureza desta estação
e sei que nada te vais alvar
do teu caminho até ao chão
O fim a todas é igual,
e disso não podes fugir
mas na solidão invernal
foste tu, quem me fez sorrir.
E por isso não te esquecerei.
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