Mornas eram as tardes em que te amava, Entre cálidos beijos com sabor de verão. As brisas leves ao passar anunciavam Esse tempo, marco maior da nossa paixão.
Ah! Horas... Por que tanta pressa em passar? Segundos correndo atrás de segundos... Não sabem dos amores que como o tempo, Transformam os corpos amantes em vultos?
Restou somente em nossas memórias, Um sonho que poderia ser eterno... E como doce lembrança, sobrevive, Ao gélido sopro do amor no inverno.
Olhei as bombas que caiam, e faziam com que tudo voasse pelos ares. Imaginei que fossem flores, abrindo suas pétalas enquanto refletiam raios de luz. Vi bombardeiros sobrevoando céu e imaginei pássaros voltando ao ninho. Vi mísseis cruzando o espaço para atingirem com precisão milimétrica seus alvos. Logo imaginei colibris, na busca de seus cálices de mel. Vi homens lutando com seus iguais, por simples opiniões diferentes. Imaginei uma festa, com muitos abraços e alegria. Vi canhões cuspindo fogo pelas bocas e logo imaginei fogos de artifício. Vi milhares de soldados avançando sobre o exército inimigo. Imaginei torcedores vibrando por mais um recorde quebrado. Vi os desfiles militares demonstrando poder de destruição Imaginei escolas de samba, cantando mais um carnaval.
Eu vi assim a guerra...
Enquanto nos jardins, as flores se espreguiçavam ao sol que na tarde caia, E os pássaros voavam para seus ninhos, onde bicos entreabertos e gulosos os esperavam, Centenas de beija-flores coloriam aquela manhã de primavera. Crianças brincavam nos parques, em uma inocente alegria que esparzia tão somente o amor. Enquanto no céu, um arco-íris se desenhava ainda tímido, Nas praças, casais caminhavam de mãos dadas. Nas vitrines, curiosos assistiam o final de mais um torneio. Uma banda tocava, no coreto elevado, velhas canções carnavalescas. As pessoas se respeitavam e cumprimentavam. Tudo era só vida, e alegria.
Eu, observando agradecia por ter descoberto em minha vida, a poesia.
435
Eu, seu caminho.
Sonhava acordado, e neste sonho, eu era o seu caminho... Um caminho só seu, onde os raios de luz, emanavam do meu sol para refletir unicamente no seu olhar. Um caminho marcado pelo verde de seu chão e pelo esplendor de suas coloridas margens, que serpenteava por enormes pedras, exuberantes pradarias, altas montanhas.
Não era um caminho fácil talvez, mas sempre estaria ali. E você me conhecia tão bem... Um caminho que não tinha bifurcações, mas era repleto de atalhos. Atalhos que você, como ninguém mais, conhecia e sabia como e quando utilizar, quando queria ou precisava chegar depressa a um destino, onde eu poderia leva-la com segurança.
Árvores frondosas e enraizadas a protegiam dos fortes ventos. A abundância das nascentes, que deixavam a água límpida brotar, assim como brota incessantemente todo o carinho que sinto por você. garantiam a tranquilidade de por mim caminhar , observando as flores, os pássaros, os pequenos animais silvestres, assim como as abelhas, agitadas na incessante busca do mel da confiança, néctar de nosso relacionamento antigo e profundo.
As cores das mil flores que me margeavam, sendo este caminho, nada mais eram do que a materialização da alegria que sempre senti ao vê-la, quando você passa com seu jeito de menina mimada, adorada, confiante. Eram flores só suas, que nasciam por você e para você, e apenas as suas mãos saberiam como colhê-las.
Sonhava que sempre a levaria a abrigos seguro, que a protegeria e faria do seu mundo, um lugar mágico. Todo caminho, tem uma razão forte para existir. Todos levam a algum lugar. Eu a orientava para que um dia chegasse, linda, calma, sorridente, completa, como sempre a conheci, até o final de nossas vidas, protegida por todo amor que eu pudesse lhe oferecer.
372
Estranhos
Somos estranhos. Estranhos nas noites. Somos corpos cobertos em mentes nuas, perambulantes, largados nas ruas, cobertos de céu, banhados de lua.
Eu e você, dois caminhos Que só pelo acaso, por vezes se cruzam, nos bancos dos bares, costumes que usam. Na troca de olhares, nas roupas que ousam.
Somos dois, mas somamos milhões, de almas diversas em mundos iguais. De feras perdidas em seus rituais, na busca constante de suas razões.
Somos garotos, vestidos de adultos, que na liberdade expressam seus cultos, nas pistas de dança, libertam seus vultos, nas horas perdidas, procuram emoções.
Perdidos! De nós não sabemos, alem do momento, este que vivemos. Apenas do amor, que por vezes fizemos, mas que se acabou, como as ilusões.
451
Brigamos
Estou caminhando pelas ruas nuas da cidade. Uma confusão absolutamente desordenada invade e domina meus pensamentos. Estou caminhando pelas ruas, sem uma direção, sem ter onde chegar. Não tenho um destino. A noite é fria e parece congelar a alma. O chão umedecido pela garoa insistente, deixa meus pés molhados, mas não me importo.
As luzes dos faróis dos carros que passam, transformam-se em estrelas ao atravessarem as gotas de água que inundam meus olhos. Algumas doces, misturam-se às lágrimas salgadas. Algumas frias outras, quentes. Algumas indolores, outras... doídas.
Brigamos. Discutimos. Dissemos coisas horríveis. Ficamos magoados. Fiz você chorar. Não sei por que aconteceu. Não sei como começou, como cresceu e atingiu essa grandeza. Agora, nesta solidão que me encontro, caminhando por ruas repletas de pessoas, cada qual com suas preocupações, problemas, alegrias... sou apenas mais um.
Mais um a caminhar sem rumo. Mais um a procurar soluções. Mais um a se culpar, a não se perdoar. Mais um que não sabe o que fazer, com todo amor ferido que carrega no peito.
561
Desencontrar
A razão demorou tanto a chegar, que quando finalmente aportou, a vida já estava de saída. Mal se comunicaram.
507
Volúpia
Eis que em tuas mãos entrego, toda a volúpia que amargo nesse sentimento. Não queiras nem por um momento domina-la, ela é por ti, mas só a mim pertence este tormento.
Não imagine viver das minhas insônias, as horas que a pensar em ti dedico. Pois sofrer de amor é meu alento, que empresto a ti, mas de forma alguma abdico.
Quero possuir a cada movimento, do relógio que marca o meu tempo, o direito, pela angustia que me oprime, ao prazer por viver em sofrimento.
Já que sofrer é legado de quem ama, por ser assim, sofredor assíduo, me confesso. E neste mundo dos amantes assumidos, preso cativo, renuncio a ser egresso.
Toma então do meu corpo frio, tudo o que me resta a entregar. Pois se alma já não mais possuo, é que a troquei, pelo prazer de amar.
467
Filosofando insetos (texto rápido)
Era um final de tarde. O sol forte do dia começava a dourar o céu. Eu observava um pequeno inseto. Bem, na verdade, nos observávamos... Sim, porque ele reagia a qualquer movimento que eu fizesse. Nos seus passinhos apressados de quem tem muitas pernas a contar, procurava em vão um esconderijo, mas nenhuma fresta, nenhum móvel, nenhuma pedra, nada se apresentava para resolver sua agonia. Eu era o mal. Mas, eu? Ele tinha invadido minha casa, andado sobre meus alimentos, minhas louças limpas (?) no armário! Ali era o MEU lugar... Só, que não. Eu havia construído sobre a sua mata. Aliás, eu havia acabado com ela. Eu tinha colocado cimento sobre seus esconderijos de cascas e folhas. Eu tinha trocado suas plantas por meus tijolos, seu habitat pelo meu. Devia ter ficado difícil para ele atravessar o chão de cimento quente e encontrar um abrigo à sombra. Devia estar mais difícil encontrar alimento. E ali estava ele, minúsculo, acuado, defendendo sua vida. Por que um inseto teima em defender sua vida? Acho que porque cada vida é uma vida... Eu às vezes ficava imaginando que os animais em geral soubessem mais da origem da vida, do que nós, humanos. Eles possuem uma espécie de instinto grupal. Você viu um, viu todos daquele grupo. Será que é mesmo assim, ou sou eu que não consigo perceber as diferenças? Minha nossa! Os insetos pensam! Claro, porque se não pensasse, por que estaria com medo de mim? Ele sabe muito bem, o perigo que represento em sua vida. O chinelo que já estava em minhas mãos, foi ao chão. Longe do inseto. Eu não era um monstro aniquilador de vidas. Que culpa ele teria por ter nascido inseto? E quem disse que ser inseto é ruim ou menos digno que um ser humano grandalhão e mal intencionado? Minha nossa! Já estava delirando, eu acho. Eu ali, parado, filosofando sobre insetos. Percebi que enquanto filosofava, tinha relaxado na guarda. Quando procurei pelo inseto, não mais o vi. Será que ele tem algum poder sobre mim? Não o procurei. Afastei-me resignado a conviver com os insetos, pelo menos até que outra crise de importância, magnitude, prepotência ou outro mal humano qualquer venha a me acometer.
377
Hoje, és pó.
Vi o fogo queimar sua carne. Senti o odor característico dos infernos. Vi músculos que se retesavam em uma espécie de dança macabra.
Aspirei a fumaça de sua existência Inalei sua alma, exalei seus pecados. Esperei que o tempo pousasse no chão seco, suas cinzas E esfreguei-as em minhas mãos, até que fugissem pelo vão de meus dedos.
Hoje, és pó.
Ontem, foste amor.
424
Submissão
Velejo sobre o azul das águas do seu oceano, Mergulho em seus pensamentos... Sobrevivo submerso em seus anseios, No mais profundo abismo da sua existência.
Sou parte de você, estou em você, vivo em você. Ilumino Minh ‘alma no reflexo da sua superfície, Oculto meus desejos na escuridão do seu chão, Deixo-me levar pelas correntes do seu amor.
Sou a imensidão deste vazio, a solidão deste nada. A rocha banhada pelas ondas de seus carinhos, A fina areia que mostra sua eternidade, A única realidade presente nos seus sonhos...
Meu caro Poeta JRUnder... muito esclarecedor o texto ... fica até dramático com esta tua visão. ( que a poesia nunca mais me fale ,coisas de sonhos que não quero mais ouvir... ) Boa Noite , foi um prazer em ler tal texto. Ademir.
Meu caro Senhor Poeta... me estranho até agora - não recebo nenhuma visita com opiniões. sobre meus escritos... na parte de enviar comentários. desde 07.24 até a presente data . somente o Senhor com vossa sabedoria me deixou mais aliviado sobre o contexto de ser um verdadeiro poeta. e isto me deixa muito feliz. no mais agradeço suas opiniãos a mim enviadaas. boa noite.
Meu Caro Poeta JRUnder - teus versos ( Sorria ) é de um significado deslumbrante : são como um renascer de um belo anoitecer e um de esplendoroso amanhecer . Nos dá mais alegria para sempre seguir em frente e viver.
Meu Caro Poeta... teus versejares são divinos... Ela... Ela .... são como lírios plantados aos campos , que estão para um novo nascer. pois teu amor por ela , jamais vais esqueceres.
Meu caro poeta... JRunder - teus versos são muitos reais , como você escreveu - o amor é doado - aceita-o quem o quiser. parabéns. Ademir.
Solidão, liberdade e companhia propria.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabéns. ademir.
Bem meu caro poeta.... estas a navegar em escuros do saber alegre da poesias. parabens.
Lindos poemas. Com muito sentimento.
De oásis em oásis, sobrevive a poesia. Um achado!
Um tesouro.
Tem algum livro editado com estes poemas?
Bonitos poemas.
Dificil saber qual o mais bonito.
Excelente! Parabéns por tanto sentimento exposto em forma de poesias.
Poemas incríveis, de uma melancolia dosada, amei, parabéns!
Grande amigo, com certeza . Aprende muito com o poeta!
Obrigado Gildo. Estou lendo suas postagens também.
Agradeço. Mesmo!
Parceiro, Seu comentário foi uma injeção de animo, me fez sentir importante. Muito obrigado e volte sempre. Jaime