Hoje a tristeza se fez onipresente no passar dos minutos que divagam nas lembranças que incomodam e exalam o mesmo cheiro frio do vazio entorpecente.
743
A ausência é sua última parada
A ausência é sua última parada. Aquela que lhe traz o silêncio.
Enquanto ausência é escolha, o vazio é inerente à existência. Não há escolhas no vazio, ele existe, mudarará sua face a cada parada e o acompanhará até o fim da estação. A ausência te brinda o distanciamento necessário para te veres, te sentires. Se vier junto, o medo, talvez o caminho real de si lhe tenha sido mostrado.
525
Procura-se o Amor
Quero um amor tranquilo Desses de risada De gaitada De amigo
Quero um amor presente Que divida com a gente Seus medos Seus erros
Quero um amor sossegado Que de tardezinha Faça café coado E de noite se aconchegue ao meu lado
Quero amor engraçado Que seja leve e atrapalhado E deixe tudo que passou no passado
Quero amor possível Desses que não se mede o nível E mesmo que seja óbvio, seja eterno.
772
Retorno a mim
Há dias que o silêncio é meu abrigo, cada vez mais, meu melhor amigo.
679
Vem e se demora
Todas as vezes que me assopra, sinto o quente do teu coração. Como quem pede, calma! Depois da trovoada, vem as noites de verão.
716
Primeira verdade
O mais difícil é se manter bom nesse mundo.
526
Ensaio sobre a felicidade
Se há perversidade no estar feliz, não deveria ser algo tão superestimado e desejado. Talvez então desejar a consciência para escolhas mais justas e fiéis a si. Ouso dizer que, isso e apenas isso, torna a visão do todo mais ampla no que diz respeito à sua existência e tudo o que compõe sua subjetividade.
505
Quando não há escolha
A fome rasga meu estômago, mas a boca não saliva o suficiente para saciar. A ansiedade rasga meu peito, mas as pernas não se mexem. Ela está vindo em minha direção, vai me devorar! Mas meu corpo, está inerte. Rezo que a mente encontre um modo de se libertar, já que não mais existe caminho para voltar. Abraçarei assim minha devoradora e deixarei que veja de perto minhas entranhas, e, quando as ver, talvez sinta culpa, mas será tarde demais. Seremos uma, ou talvez, nada.
534
Quando não há escolha
A fome rasga meu estômago, mas a boca não saliva o suficiente para saciar. A ansiedade rasga meu peito, mas as pernas não se mexem. Ela está vindo em minha direção, vai me devorar! Mas meu corpo, está inerte. Rezo que a mente encontre um modo de se libertar, já que não mais existe caminho para voltar. Abraçarei assim minha devoradora e deixarei que veja de perto minhas entranhas, e, quando as ver, talvez sinta culpa, mas será tarde demais. Seremos uma, ou talvez, nada.
537
Como pisca-pisca
Quando te conheci, a primeira coisa que me prendeu foi seu olhar. Era um olhar profundo, distante, tinha uma certa tristeza, um certo vazio. Quando cruzou o meu ficou tímido, porém, intencional.
O meu olhar alegre ficou brilhante como pisca-pisca. Te encarou e você ficou mais tímido ainda. Seu olhar então ficou aceso e buscou o meu, aos poucos foram se acostumando e cada vez mais, um buscava o outro.
O tempo passou, o meu olhar se derreteu, mas o seu estava distante.
Meu olhar te sorriu com carinho, permaneceu, fixou no seu. E depois de muito tempo sem resposta, se transformou em agonia e dúvida, enquanto o seu permanecia inerte.
Num dia comum, já cansado, meu olhar ouviu meu coração. Implorou. E ao olhar novamente, não conseguiu reconhecer o outro, parecia que o encanto do vazio já não fazia mais sentido e agora se via apenas a indiferença.
Neste momento, meu olhar buscou a si mesmo e viu que precisava de brilhos mais aconchegantes e tranquilos, que o fizessem se sentir brilhantes como pisca-pisca.