Lista de Poemas

Flores ao vento

Flores ao Vento

Uma mistura imposta
feita na cor do sangue
era o meu corpo exposto e exangue
como uma planta inumana e quieta.

Havia mais de mim em cada poça de lama
não há quem as possa descrever
ou diluir nos pequenos raios do sol
que eram sementes nas feridas do meu rosto
e iluminavam o profundo dos meus olhos
com ferocidade e gosto.

Havia mais de mim espalhado pela terra
que purgava neste marasmo irascível
e no silencio destas flores
o que espantava a minha alma
confusa
com todo os horrores
de uma espera.

Mas quando tudo, tudo
for apenas saudades
eu jogarei flores ao vento
e olharei o firmamento
para poder vê-las voar.

Alexandre Montalvan
980

Quando se Ama



Quando se Ama
Lance sobre mim a claridade da aurora!
Esta
luz que me inflama, flamejante chama
na
sonora voz de uma linda dama
e neste mar
que flutua em teu olhar
como
luzes a brilhar
e
ardem em meus olhos como o sol poente
porque
é assim que se sente
quando se ama.

Alexandre

557

Poesia e Dor


Poesia e Dor

Doem em mim as palavras escritas

ecos e sentidos do meu coração

corta em mim como faca maldita

explosões na alegria e na paixão.

Devoro-me a cada frase marcada

imploro-me para não escreve-las

com elas choro as alegrias passadas

sorrisos e lágrimas hão de trazê-las.

Nas nuvens que trazem a escuridão do dia

nos céus que choram esta chuva tão fria

pensar na angustia que você sempre trazia

escrever no amor, na dor, e na poesia.

Alexandre Montalvan

543

Se

Se

Se toda a poesia for sempre um acalanto
se sonhos e esperanças apenas leve pluma
se toda dor deste mundo for só alguma
e todo amor que existe cantar o desencanto.

Eu vou me espelhar em sonhos loucos violentos
com o meu pobre corpo coberto de lama
ser esquartejado por ventos turbulentos
eu não vou deixar minha paixão sozinha nesta cama.

Nas linhas que percorro está o meu destino
nos sonhos que eu sonho procuro o divino
mas quando em teus braços sou tão pequenino.

Como um rio que corre livre e cristalino
luzes das estrelas louco desatino
pois morrer em teus braços é meu destino.

Alexandre
533

O palco dos Engôdos


O palco dos Engôdos

Aqui é um palco em que a loucura impera
e não importa o lado que você está
para viver aqui somente sendo fera
e é porque aqui o que tiver de ser será.

É um efervescente mar tomado por serpentes
elas se devoram ao seu um bel prazer
não há heróis, culpados ou inocentes
apenas a tênue linha, entre viver e morrer.

E aqui Deus e diabo nos inundam de perfume
guiados somos pela ausência da razão
bem e mal digladiam-se da base até o cume
montanha mística carregada de emoção.

Deixe-me aqui neste meu caminho solitário
talvez o bem e mal que eu vejo seja ilusão
e tudo pode ser parte do meu imaginário
ou tudo é tristeza que invade meu coração.
Alexandre
532

Tua Ausência

Tua Ausência

Não há maior dor que perder um amor
A vida se torna sem sal, vazia.
Resto das chamas de um coração
Apenas são cinzas sem cor, tão frias.

Sou todas as vozes em um único fim
Afague o tom da minha fala
E sinta a dor em m'alma
Molhada com lagrimas de sangue
Pois resta apenas exangue
O meu corpo...assim

Sou toda amargura que existe
Eu sou fragmentos de um sonho de amor
Meus caminhos percorro calado, tão triste.
A tua ausência atroz é o maior carrasco que existe
Que mata aos pouco e me traz tanta dor

Alexandre

522

Quem?

Quem?

Quem é que rouba cada minuto da minha vida?
Quem pode fazer o que se faz?
E a cada noite uma nova fatia perdida
Sempre é mais doída
Como uma mordida de uma boca voraz

Toda noite a terra mal começa a girar
Neste mundo aonde vertigem é suprema
E esta magia por mais que seja pequena
Seca a carne e a alma, destrói o ar.
Quem em mim poderá esta loucura criar?

Quem em mim me lança ao desamparo?
E me tira o claro me jogando na intensa escuridão
Se eu disparo pela rua como um louco alucinado
Como uma última cena de um teatro sepultado
Ecoa em meu carma em minha alma em meu coração

Quem em mim me transcende neste caos de violência
E me remete a finitude deste tempo e deste espaço
Onde a paixão é chama e também barras de aço
Pedaços de uma vida vão ficando nos caminhos
Carcomida desgraçadamente do primeiro ao ultimo passo.

Alexandre Montalvan
539

Amou por Eternos e Lindos Instantes

Amou por Eternos e Lindos Instantes

Foi um quase de mim junto a você
neste amor que no infinito se perdeu
passou como o vento do amanhecer
como um denso raio, que ao nascer morreu.

Mas desta efemeridade ficou saudades
pois foi tão pouca dor que ele deixou
o amor que ficou só na vontade
como a tempestade que o vento dissipou.

Em mares esfumaçados de nebulosas brumas
momentos idílicos foram apenas ilusões
nas incendiarias chamas de espumas
em um inconsequente assombro de paixões.

Num ímpeto de puro encantamento
foram sonhos azuis no firmamento
repletos de estrelas tão distantes
um quase de mim por um momento
te amou por eternos e lindos instantes.

Alexandre

1 360

Como eu Te Amo

Como eu Te amo

Espalme tuas mãos em meu corpo
Percorra cada milímetro
E outro e mais outro. . .

Com suavidade da espuma
Com tua língua quente pela febre do desejo
Em todo meu corpo
A cada segundo eu quero teu beijo
E outro e mais outro. . .

Com tua umidade ardente
Ensopa-me
As tuas peças íntimas
Que eu vou arrancar com os meus dentes. . .

Umidade ardente vai matar minha fome
E a minha sede e agora aflora
Por todos teus poros em cascatas quentes
Atos inconsequentes cheio de carícias
Em ritmos inocentes cheio de delícias
Em gemidos surdos cheio de malícias

Nesta louca união um etéreo abraço
Dissolvido em teu corpo eu me faço
e desfaço
Exausto me esparramo
Em teu regaço,
Olhando nos teus olhos e eu digo

Como eu te amo!

Alexandre Montalvan
1 380

Sintonia do Destino

SINTONIA
Sintonia do Destino

Incerto estes destinos que são. Pedaços e passamentos
O certo é no derradeiro momento. Sumir na escuridão
Abras as tuas mãos para o nada pois é só a angustia do tempo
Talvez não aja mais argumento para o bater do teu coração.

Nada é o senão nesta realidade surda de absurda ambição
Pois é que são nos olhos que se esconde o conflito contido
É como uma semente enegrecida de um feto feio e mal nascido
Desprovido de uma única alma, sentimento ou emoção.

Escreve nas paredes descarnadas e cruas frases que em um dia
Vão se dissipar na orgia que na tua esquálida face transfigura
Com nervuras mal formadas em que a tua natureza desconfia
Triste é a tua alma desnuda e tosca que sofre deste mal sem cura

Em teu final esta escondida toda a forma de deformação
Quase toda a tua vida foi atrás das grades de uma prisão
Quando olhas em sua volta e só vê um mar de desolação
É tão certo este teu destino nesta sintonia da tua ilusão.

Alexandre Montalvan



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Comentários (2)

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thaisftnl

És um poeta magnifico, poesias lindas, parabéns!

Alexandre tua poesia fala com a alma, transborda de amor pleno , puro que exala ternura . Parabéns !!!