Alexandre Rodrigues da Costa possui graduação em Letras pela UFMG (1997), mestrado em Letras pela UFMG (2001), e doutorado em Letras pela UFMG (2005). Em 2010 e 2011, desenvolveu pesquisa sobre as obras poéticas de Georges Bataille e Samuel Beckett como pós-doutorado na Pós-Graduação em Estudos Literários da Faculdade de Letras da UFMG. É autor de Objetos Difíceis (7Letras/Funalfa, 2004), vencedor do Prêmio Cidade de Juiz de Fora 2003; Fora de Quadro (7Letras, 2005), vencedor do Prêmio Vivaldi Moreira da Academia Mineira de Letras; Peso morto (7Letras, 2008), Corpos cegos (7Letras, 2012), Bela Lugosi no ateliê de Kandinski (7Letras, 2013), Prêmio Barueri de Literatura - categoria Livros Já Editados, A mímica invertida dos desaparecidos (7Letras, 2014), Acidentes de Leitura (Editora do autor, 2015), Como assistir a um road movie em pé (7Letras, 2016), Do outro lado sedimentos, ou até onde a vista alcança (7Letras, 2018), A transfiguração do olhar: um estudo das relações entre artes visuais e literatura em Rainer Maria Rilke e Clarice Lispector (EdUEMG, 2019). Organizou e traduziu Poemas de Georges Bataille (Editora UFMG, 2015) e Corpos labirínticos: textos de Hans Bellmer (Editora Gramma, 2019). É professor de disciplinas teóricas da Escola Guignard (UEMG) e do Programa de Pós-Graduação em Artes (UEMG).
Lista de Poemas
LÂMINA 5
Há esse incômodo das feridas,
de precisar chamar a atenção,
mesmo que o limite do corpo
não seja parte desse corpo.
É que sua simples presença
não basta para justificar
o fim perseguido.
Tudo se passa sem sinceridade.
Ela nem ao menos sabe
onde está, repete o nome
como se esperasse
algo dele e o movimento
dos dedos pudesse interromper
cada uma daquelas ondas.
de precisar chamar a atenção,
mesmo que o limite do corpo
não seja parte desse corpo.
É que sua simples presença
não basta para justificar
o fim perseguido.
Tudo se passa sem sinceridade.
Ela nem ao menos sabe
onde está, repete o nome
como se esperasse
algo dele e o movimento
dos dedos pudesse interromper
cada uma daquelas ondas.
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LÂMINA 4
Entrega o vazio de sua forma,
mas seria óbvio demais
deixar a luz queimá-la
contra o fundo desfocado.
O que a sustenta não permite
uma ferida tão improvável
ou esforço para excluí-la
daquilo que vê.
Se nenhuma voz a interrompe,
o mar não impede que ela
abandone o que nunca
soube manter, de uma coisa
à outra, para banhar-se, fria,
na expressão da própria dor.
mas seria óbvio demais
deixar a luz queimá-la
contra o fundo desfocado.
O que a sustenta não permite
uma ferida tão improvável
ou esforço para excluí-la
daquilo que vê.
Se nenhuma voz a interrompe,
o mar não impede que ela
abandone o que nunca
soube manter, de uma coisa
à outra, para banhar-se, fria,
na expressão da própria dor.
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LÂMINA 3
O rosto em primeiro plano.
Não saberia dizer
quanto tempo estava ali.
De um objeto a outro,
seu olhar permanecia
onde as mãos se feriam,
à custa de o corpo não ser
mais que uma superfície,
de até mesmo podermos
desprezar o mar
em torno dela.
Sem precisar considerar
qualquer movimento
ou a imagem aí imersa.
Não saberia dizer
quanto tempo estava ali.
De um objeto a outro,
seu olhar permanecia
onde as mãos se feriam,
à custa de o corpo não ser
mais que uma superfície,
de até mesmo podermos
desprezar o mar
em torno dela.
Sem precisar considerar
qualquer movimento
ou a imagem aí imersa.
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Comentários (1)
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Sua construção poética é de fato encantadora, estou embriagada por sua poesia, simplesmente bela!