andersonpe

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I. De pulvere

Vê-me, Pai Amado,
entras nas frestas onde me escondo de mim.
Levas as angústias que calado conservo,
as lágrimas que esqueci, as saudades que lamento.

Nada sou, nem desejo engrandecer-me de formas,
porém busco escapar-me do traidor que me visto,
das insignificâncias que grandeza uma tenho dado,
das razões desertas que em vão protestei.

Vê-me, Pai Amado,
não sou mais que poeira que o vento conduz.
Não peço alívio – mas pertença,
não trago méritos – mas arrependimentos.

Pai Amado, vê-me.
Vê-me, Pai Amado.

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Poemas

3

Ela é

Ela é fronteira com a Bolívia,
chá de erva-mate e o nascer do sol.
Tem dias em que ela é banho do rio,
e noutros, dançar na chuva.
Seu espaço é debaixo do céu mais azul,
se perdendo no marrom da cor dos meus olhos.
Ela é feita do soneto mais delicado,
um horizonte sutil, sem fôlego e sem fim,
nebulosa do coração, sim, ela é,
e meu lugar é ao lado dela.

E então nossos toques se encontraram.
Eu fui verde, e ela, o amarelo,
uma pintura renascentista,
com toques de revolução.

287

Indelével

Nem o tique-taque do relógio
falha em me lembrar da saudade
de quem foi, de quem marcou,
de quem veio e não soube ficar.

E no silêncio das estrelas, sigo,
até o brilho dos teus olhos,
onde encontro, ileso e eterno,
o amor que o tempo não soube levar.

285

Maracatu e Nós

Te vi passar, ao som de Alceu, com a alegria solta no rosto,

O maracatu batia fundo, como se o coração já soubesse,

Teu sorriso, mais quente que o sol no Recife, tocou minha alma,

Entre o frevo e a saudade, teu jeito de ser virou casa,

Para viver um grande amor, só tinha de ser com você.

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