André Medeiros

André Medeiros

n. 1967 BR BR

n. 1967-10-22

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A Rosa Amarela do deserto.



 

Fui na feira comprar flores pra ela

Ela queria uma rosa do deserto amarela

O feirante não tinha a rara flor

Pra não desagradar a minha bela

Trouxe na sacola todo o deserto pra ela.

 
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Poemas

3

Onde brilhem os olhos teus.



As vezes descanso no olhar dela

É como um refúgio

Nele volto a ser criança

A soltar pipa

Corro pela sala

Aprumo meu pensamento

Até onde a vista alcança a expressão.



Enquanto isso ela espalha perfume pela casa 

Põe música para agradar

E prepara seu prato mais saboroso.



Quando ela adormece e cerra os olhos

Deito ao seu lado, encantado

No tapete dobrado, do seu coração.
393

O Poema analfabeto.




As vezes as palavras de poema

Saem como balas de prata

Sem direção

Sem vírgula

Sem acento de exclamação

E submeter-lhe

A gramática ortográfica

É arrancar – lhe a emoção prática

Da concepção.

 

Ele se comunica como veio ao mundo

Sendo objeto para análise alheia e sua dedução.

 

Não cabe assim,  vestir – lhe um terno de aceitação

Ele está pronto para a festa em que for convidado a dançar

Seja lá, quem for lhe interpretar.
371

Com ciúme do vento.



 

Esse vento constante

De certa forma desrespeitoso

Afaga os teus cabelos sem a tua permissão

E me deixa com ciúmes.

 

Esse vento insistente 

De certo contente

Pois te toca e acompanha

Dia após dia:

Diariamente.

 

Enquanto isso eu faço contraponto, longe de ti

Na fronteira do outro lado da cidade

Solitário, mas vigilante a intervir

 

Sopro brisa de amor contrária

Pra embalar teu sono e proteger

Em oposição a esse vento inapropriado

Que insiste em te tocar.

 

Pra quem sabe, ele ir embora

E você voltar a caminhar

Sem ser incomodada

Na orla que adora ver você amanhecer.
325

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Prestes e Silva

Encantada.