Exilado
Sob o ardente beijo do sol,
E abraçado pelo poeira,
Segue o exilado...
Enquanto pisa sobre o solo rachado,
Se questiona , fora exilado,
Por sua vontade ou de outros?
Para onde vai agora...?
Não lhe cabe decidir,
Lhe cabe apenas cumprir,
Um destino já acertado...
Pois por Deus fora condenado,
Os dons que lhe cabem à mente,
Não dão forma a prisão ,
Nem a face de demônio, ou ao corpo mutilado,
Então assim amaldiçoado,
Espera sua redenção...
Quem sabe em outra vida, possa ter de bom agrado,
O que agora lhe é negado...
Uma luz na escuridão...
No entanto...
Segue, exilado.
Caos
Uma estrela nascente,
um sol moribundo,
uma jovem cratera,
um abismo profundo,
um nasce para riqueza,
outro no fim do mundo
caos
Uma galáxia distante,
do meu bolso a pobreza
um cão come do lixo,
um lobo mata sua presa,
por amor um canta alegre,
outro morre de tristeza
caos
Quem é certo ou errado,
para quem cabe a razão?
do mendigo daquela esquina,
aos "doutores" da nação?
uma mãe chora seu filho,
seja polícia ou ladrão...
caos
Idos
Os idos,
como concha lhe pesam as costas,
como correntes lhe prendem os pés,
impedido de seguir, de novos rumos fluir,
apega-se ao que não ficou...
Alegra-se
pois novos tempos virão,
novas tempestades e verão,
nova chance para ser,
um dia novo para viver...
Então
se a tristeza vier,
se o amargor se espalhar,
num instante volte a sonhar,
jamais queira se calar...
Uma vida só...
Fogo
Num instante
onde nada mais havia
cinza o mundo
frio e mudo
fogo
E com o fogo
o poder
a conquista
o renascer
o querer
Iluminada
e não mais
sombria
a vida
não mais vazia
Segue o ímpeto
indiferente
tempestade
inclemente
em busca de um amanhã.
Exílio
Passo a passo,
Gota a gota,
O deserto o acolhe...
Sem parar,
Nunca escapar,
Lentos passam os dias...
A areia sob o chão,
a miragem, ilusão,
Apenas o sol lhe testemunhe...
O pecado , o prazer,
a dor, o sofrer,
Agora já idos longe...
Em sua guarda inocentes,
em sua alma descontente,
um brilho que não pode ver...
Então, segue o tormento,
e persiste o horror,
que no exílio esteja redento...
Ícarus
Seja justo teu juízo,
seja branda tua pena,
para meu crime sem perdão...
Aquele que mente a quem ama,
mente a si mesmo, e chora,
pela morte da ilusão...
Nenhuma solidão deste mundo,
é maior que o vazio de estar,
perdido entre o brilho de um olhar...
Nenhum amor deste mundo,
resiste ao tempo e o passar,
mostra o erro em guardar...
A vã ilusão humana,
a perfeita vida a dois,
possivel no poema, e só...
O sol é mais quente para quem,
sem medo das asas queimar,
se lança intrépido ao ar...
Chumbo, sangue e aço
Foi na curva...
O chumbo, o sangue, o aço...
e jamais vira igual,
foram 18 anjos de metal,
contra os cavaleiros do inferno,
que numa curva o esperaram...
O inocente rezou,
o valente acudiu,
o hábil salvou e conduziu...
E das 18 vespas ardentes,
uma o caminho perfurou,
a queda e o chão inclemente...
o monstro curvado em pavor...
O cavalo , a barreira, o caminho,
a carruagem fez parar...
o valente porém não tolo,
por prudência foi recuar...
E passos ligeiros se afastaram,
enquanto ambos aguardavam,
no escuro a se esconder,
sabendo que se voltar,
outros anjos virão ao encalço...