Cinza se tornam... amores , afetos, o tido como certo, caindo no abismo cinzento Cinza se tornou, a fé, a razão, nem rancor, nem paixão, restou o pesar... então estão cinzentos, e assim permanecem... entre o pulso vazio surge o nada... nem caos, nem ordem nenhuma, nada restou... e quando finalmente se calar, vai enfim encontrar... Paz.
Deixa-me incendiar teu universo, Com cada toque de minhas mãos, e então, sedento pelo teu corpo, te agarro, já louco de paixão...
Unirei minha carne ao teu espírirto, pois como fogo me queima o coração, rasgando em fúria incandescente, crescendo como o sopro do Dragão...
A cada segundo, expande a chama, o fogo eterno brilha rumo ao céu, coram as estrelas, envergonhadas, flamejante se torna o negro véu...
Por fim, derradeira explosão a densa nuvem a envolver, o poder de milhões de megatons, que fez até o sol estremecer...
556
Encontro , afinal
Enfim, estamos cá... Não lembro porque razão, sangue sobre o lar Olhos fechados, a dor , o findar Espero paciente qual paciente sou a aguardar...
Então, luz... Enfim em tua frente, teu brilho a me esmagar, mas por mais que ilumine, não podes esconder a escuridão que paira a teu altar...
Ratos, formigas ao sol... brinquedos sem valor em tuas mãos... nossas lutas, anseios, desejos... falhando para tua cruel diversão...
Pragas , doenças, infestação, fome, miséria e cruéis irmãos... Se importasse a ti, que tudo podes, paz e bonança traria por tuas mãos...
Que pai que ama deixa sofrer? Que pai amoroso permite morrer? Que pai é esse que a todos tortura? Que pai é esse, que entrega a loucura?
Após perfidiosa indagação, erros profanos em comunhão me ponho além de qualquer perdão... minha resposta é o fogo da condenação...
E assim maculado por refletir... oh ,cruel destino, por questionar... ao fogo me lança por pressentir... o quão errado é o nosso tratar...
546
No entanto
Pode um ser de tudo póssuir e nada ser? Pode ter tudo que quiser, mas o que quer enfim? Pode estar tão perdido em si mesmo e ainda querer um mundo que jamais pode carregar?
Quem te tira o sono à noite ? E ainda te abre as chagas ? mostrando que ainda covarde és...
Pode estar e não estar? POde amar e não amar? Pode sorrir enquanto chora? Pode sofrer enquanto cala?
Quem te tira a vida aos poucos? E te deixa louco a sofrer? Matando o que restara...
Pode viver assim? Pode o escravo libertar? E ainda feliz onde lhe foge o pensar?
No entanto...não se permita pensar... sonhar, querer, guardar... Lhe foi negado ao escolher...
Pague sua dívida...
521
Cinza
Cinza se tornam... amores , afetos, o tido como certo, caindo no abismo cinzento Cinza se tornou, a fé, a razão, nem rancor, nem paixão, restou o pesar... então estão cinzentos, e assim permanecem... entre o pulso vazio surge o nada... nem caos, nem ordem nenhuma, nada restou... e quando finalmente se calar, vai enfim encontrar... Paz.
828
Apenas
Apenas corra... se suas pernas queimam, se seu peito arde, se lhe falta o ar... não se permita falhar... Apenas corra.
Apenas voe... se lhe faltam asas, se lhe tiram a fé, se o sol lhe derrete, não pare... apenas voe.
Apenas sonhe... Se o sonho é só, se é só que se sonha, se a visão e só sua, não cale... apenas sonhe.
Apenas lute... Se lhe falta força, se lhe sobra medo, se transborda a dor, punhos cerrados... apenas lute.
E no fim de tudo, se apenas tiver feito, bem ou mal, bom ou ruim, o apenas será o seu mundo!
838
Pai
Eis que abro os olhos, o vejo por fim, Nos céus me atira, um soco no ar, Uma promessa tão bela a ecoar, uma linda existência aguarda por mim...
Eis que cresço, e o que sobrou? Promessas quebradas, humilhação, como pode haver redenção? Como tanto amor acabou?
És pequeno , és um fraco estorvo incapaz, sem um dia de paz, naufragou esse barco...
E hoje ,cacos a reunir nunca mais firmará a promessa, a lição que passo seja essa, nunca deixe uma infância ruir.
808
Caixa
Não quero viver na caixa... A caixa não me comporta mais... Daqui não vejo a luz, ou mesmo onde somos iguais.
Não quero mais essa caixa. Que confina meu entender, Que isola minha angústia, que rouba todo meu poder.
Mas temo deixar a caixa, lá fora monstros a enfrentar, fome, praga , peste, morte... Quem poderá rebelar...
Então saímos juntos da caixa, de mãos dadas, o todo em um, Assim nenhum mal nos afronta não tememos perigo algum.
Mas se saio da caixa sozinho, meu igual monstruoso ficou, então foi a caixa ou o mesmo, quem por fim nos aprisionou?
851
Correntes
E assim passamos os dias... os olhos, as bocas e as mentes e as pragas... são correntes... são os outros a falar, e seguimos sem pensar... correntes ... Bonecos e correntes nos dedos uns dos outros, e correntes em quem importa, e palavras e afetos... desfeitos. Correntes e correntes... seja quem eu quero, eu sou quem querem, todos bonecos em correntes, puxadas por outros bonecos em correntes... alguém pode ser em paz? Ou morrer em paz...? Olhos ,bocas ,mentes e pragas o alcançam no abraço frio... Correntes que já não sente. Para quem há de importar...? A quem fica, mais correntes
844
Sejas escravo
Maldito sejas escravo, Tu que fazes tudo como te ordenam Tu, que te calas diante da opressão, Tu que traz a dor por ordem alheia, ou de devaneios das entranhas tuas, escravo sejas maldito...
Maldito sejas, escravo, Tu que lambe as botas do senhor, Tu que lambe as próprias feridas à noite, quando contra tua própria vontade açoitou, Bateu e humilhou inocentes iguais a tu, escravo sejas, maldito...
Maldito, sejas escravo Tu , que derramaste sangue e lágrimas para aqui estar, e logo logo esqueceste de onde vieras, passando a pisotear aqueles que muito te amaram, transformando em inimigo teus irmãos em sofrer, escravo, sejas maldito!!!