Nem toda ida é um adeus, Nem toda chegada é uma partida… Não se desespere mariînha, O mar na certa me voltará…
Nem todo torto a sorte cura, Nem toda sede má deve matar… Toda feita de ternura, Com todo sol ei de vir contar meu ser-tão…
Mas cá pra cá sonho meu, Nem todo adeus é para sempre.. todo o mar deve vir me deixar, Deixe ir! Deixe! Volta! Deve voltar…
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Poesia de ment-ira
Eu sou poeta, e toda poesia é uma tira da mente. Mentira! Todos aqueles que diziam ser poeta. Pois essa mente tem de vir de algum lugar. Mentira! Pesca e quando colhe tira d'água, Uma parte da vida que se dá. Mentira! Cá está a poesia, lírica, ética, sensual. A fonte de virtude humana que se tenha viva Em tantos a tirar da mente a mentira de sonhar.. Mentira-lá! Uma tira de lá desse sonho azul, hoje tive de viver na mente Acordei ciente e estava crente que ia se acabar.. Mentira! Pensei até numa miragem antiga que viria me a-curar... Toda a vida fala e sente e de repente tende a se acabar. Mentira-lá! Na tira da vida que se dá, apenas deixe se mostrar A vida repentina do que há, a vida matutina de um gostar... Mentira! Poesia na mente é ira, e virá! Deixe está!
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Dance!
Uma pergunta a ser feita ao homem (e seus costumes), esses pregadores do não rebento; Vós que sois iguais o tempo todo, para quem queres ser iguais o tempo todo? Você não sente o seu desprezo à mudança, tua mudança! dança... dança! Não supera a ti mesmo. Humano pequeno, Escolhe por livre espontaneidade tua pequenez? Não ti lamuries, depreciando quem tendes a ser, tudo muda o tempo todo, tudo é novo e tudo retorna sem cessar. Não tens amor sobre este fato em teu coração? Então não és capaz de amar a si mesmo, e nem ao fato existencial! A quem queres amar? Ame primeiro Tua tensão, teu fato de existencia, e a tua transformação, acuração. Retorna incessantemente para ti e ama-te.
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Desmantelamento
Vem de um estremecimento da alma, argila errante. Representando algo da qual ficou-se por saber o que, ou talvez nem se questionasse a dúvida de ser; ou ainda, duvidasse-se sem saber.
Vem no desvelar acerca do que não dá para ser mantido não mais pudera, ou só em fantasia e sonho voltar ao que antes era; pois atravessando se desestrutura se modifica, se desmantela na ação. aqui nos entendemos como encontro, acontecimento e assim também nos encontramos onde não estamos. Somos em relação!
O desmantelamento vem como possibilidade integrativa, criativa da ação transformativa, constituinte de força múltipla, plástica, artística. emerge à ventura da novidade que seu próprio núcleo intensifica numa relação Una com a vida.
É pois movimento, ação força ativa de vida e mudança numa vivencia que toma forma na dimensão daquilo que não pode mais ser mantido. des-man-tele-ação!
653
Quero te pegar
Você é uma coisa e eu outra coisa.. somos coisas da mundanidade Que atualmente nos encontramos presentes, somos coisas, Entes viventes, res-mente, condição de ser humanamente existente!
Somos complexa coisificação acontecendo Perplexivamente desdobrando a vida em instantes na ventura de se dá.
O instante se desvela nessse movimento Universal de coisa que somos. Coisas entre coisas!
Coisemos as coisas e vivamos coisando-as
Coisas que somos...
626
Não se vive Demasiadamente
Nem as estrelas podem brilhar em demasia, Pois perderão o sentido do brilho. Nem as sereias podem cantarolar em demasia, Pois perderão o sentido do encanto.
Perderão = ao outro perderá.
Logo, não se vive demasiadamente, pois, tanto você perderá o sentido Como o outro perderá o sentido de você.
827
Ortodoxia e Convicção
Pré-conceito!
Sei tudo de você! Com o saber Que antes de viver você Experimento.
Envolvido com o que já está dado, Implicado com o conceitualizado. Não me interesso ir-vê a vida, Nem na condição livre de teu espírito.
Rasgo tua verdade E aplico-a a minha concepção, Pois conheço o necessário Antes de ser evidenciada a ação. ...
Precipitada ortodoxia, Fundamentada a luz da teorialidade. Vislumbra o acabamento do ser E extermina a possibilidade multipla da existencia.
636
Suporte
Suporte
sou portador do porto seu suportador do que é seu
Comporte a dor Com o portamento meu
Me importo com o porto seu, disponha a dor de portar
Suporte o que é seu com o portamento do porto meu.
638
Do escrever o que se sente
Sonhos perdidos, meu coração partido Nenhuma esperança que se disponha a mão Vejo-me desentendido do que há por dentro vendo que meu sentimento no vazio se integrou Vejo agora refletido diante dos meus pensamentos! Pois o âmago desse sentimento que me refletiu Era uma instantânea luz que vislumbrei em arrebol e passou...
Porem vislumbrado em meu vazio e assim integrado nele próprio, em tudo, Todos os seres e não seres à finitude, isso precisa ser compreendido; ...Se dá aquilo que se deu no tempo instantâneo que já morreu! Tudo se vai indo, Nesse fléxo incessante, num à-deus fremente! Fissura no Norte e na fronte do ver, floresce um horizonte inspirado de poesias, Vazias fissuras escorregadias, num simples ato de expressar o que se sente, Na forma da vida como se mostra e desponta espontaneamente Do escrever o que se sente
697
Descaminho
Me devanearei, me debandarei,
Me perderei nos teus cheiros,
Nas tuas tranças discordiais,
Tais e quais são sua própria perdição, se perca então..
Nem o ser primeiro,
O Avohai das tiranias,
Discordaria desta tua afeição,
Nem mesmo se fosse um ser místico de outra dimensão..