A causa só faz o feito se só conhece-se o desrespeito de diminuir o ato..
Causa-efeito é fato,
Mas não é tudo,
Pois fora disso existe um mundo que acontece sem cessar,
a estas coisas que aparentemente são,
Como à a-ventura dos nossos seres e não seres..
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Eis o grito do artista que cria seu próprio brilho, sua própria vida.
O meu sangue nasceu sentenciado a morte. Não há res-peito no peito de quem desigualmente me eclipsia a vida. Matam-me desde sempre! Aqui jaz! Onde nunca pude me virir além de mim mesmo. Morto e executado desde o dia em que nasci. Extirpado em vida! Esgotado é o mundo! Fim-dá fôrma em vazio à todo sumo do meu ser.
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Aforismo sobre sentimento
Eu sou quase nada.
Sou apenas um suspiro, um fantasma.
Sou neutro, sou apenas um vento que soa nos ouvidos de quem pode ouvir.
Sou apenas um vulto para olhos míopes que menos ainda me enxergam.
Sou finalmente sua ligeira lembrança, uma rápida aparição que aos poucos se esvai..
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Amigos
Meus amigos, normais amigos, eu também gosto de fazer coisas fora de um padrão já determinado e comum. A novidade, o novo ato me instiga, me encanta, isto me faz sentir vivo, à vocês não?
Meus amigos, normais amigos, eu não tenho tantos amigos, nem muito menos tenho amigos loucos ou que ao menos elogiem a lou-cura, que também façam loucuras, e como um raio, fuja da regra e iludam as normas.
Não se trata, pois, de uma loucura total, trata-se de uma dança, de um saber ser e fazer diferente, mas nem sempre, pois “todos temos um par de chinelos velhos onde nos sentimos mais a vontade e podemos para lá voltar”; é compreender que pode vir a ser, uma dança, andança…
“É preciso saber vi-ver!”, como cantarolava Gonzaguinha, mas antes não concordam que é importante aprender a dançar?
Oh normalizados amigos, não precisamos – sempre – repetir (apenas reproduzir) o feito, o per-feito, de uma cultura perceptivelmente em decadência: em que rótulo encontramos este ou aquele certo/errado? Por ser mais conveniente julgamos ser aquilo que é vivo, unicamente isso é vivo? E ainda, é vivo para quem? Mas é este fato, em suma, ao mesmo tempo, vazio de Si, portanto, vazio. De que então valerá tu? Tua vida? Teu suor? Tua luta para se manter vivo nesta vida?
Mas normais amigos, desculpem-me se se julga isso que vos falo inconveniente. Mas me chega um sentimento de que não sinto prazer em vi-ver repetindo as tradições dos outros, não totalmente, ou levando até o pé da letra, percebo que é bem mais legal podermos criar, podemos depois voltar, não há quem nos impeça tentar..
No mínimo, olhemo-nos a cultura de nós mesmos, todos temos um mundo dentro de si, que pode ser infindável… Cabe-nos ao menos verificar se há luz, se há força para girar por si mesmo uma roda, a roda das rodas! Há esse esmerado movimento que acontece no mundo, esse eterno girar, ser, Vi-ver.
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não há esperança, a não ser esta caminhada que é perder-se na ousadia de tentar; sempre em relação, inebriação, embriaguez.