Antonio Danilo Herculles

Antonio Danilo Herculles

n. 1992 BR BR

Poesia, aforismo e crônica

n. 1992-05-29, Tauá - Ce

Perfil
39 311 Visualizações

Deixe ir…

Nem toda ida é um adeus,
Nem toda chegada é uma partida…
Não se desespere mariînha,
O mar na certa me voltará…

Nem todo torto a sorte cura,
Nem toda sede má deve matar…
Toda feita de ternura,
Com todo sol ei de vir contar meu ser-tão…

Mas cá pra cá sonho meu,
Nem todo adeus é para sempre..
todo o mar deve vir me deixar,
Deixe ir! Deixe! Volta! Deve voltar…
Ler poema completo

Poemas

66

Do que há no mais íntimo mistério.

Há retirada repentina das suas virtudes,

Desde as mais horrendas; como a proibição.

Ah! Não temas intolerante.

Pois trata-se de um fenômeno paradoxal,

Faça-te do circulo que não se esvai;

Uma incrível e memorável explosão brotará de ti,

Pois de ti brotas o céu e a terra.

És-te a tua própria inspiração..!?
667

À a-ventura

Enquanto a causa reduz-se numa tensão,

O efeito vem do feito.

A causa só faz o feito se só conhece-se o desrespeito de diminuir o ato..

Causa-efeito é fato,

Mas não é tudo,

Pois fora disso existe um mundo que acontece sem cessar, 

a estas coisas que aparentemente são,

Como à a-ventura dos nossos seres e não seres..
749

Eis o grito do artista que cria seu próprio brilho, sua própria vida.

O meu sangue nasceu sentenciado a morte.
Não há res-peito no peito de quem desigualmente me eclipsia a vida.
Matam-me desde sempre!
Aqui jaz!
Onde nunca pude me virir além de mim mesmo.
Morto e executado desde o dia em que nasci.
Extirpado em vida!
Esgotado é o mundo!
Fim-dá fôrma em vazio à todo sumo do meu ser.
461

Aforismo sobre sentimento

Eu sou quase nada.

Sou apenas um suspiro, um fantasma.

Sou neutro, sou apenas um vento que soa nos ouvidos de quem pode ouvir.

Sou apenas um vulto para olhos míopes que menos ainda me enxergam.

Sou finalmente sua ligeira lembrança, uma rápida aparição que aos poucos se esvai..
541

Amigos

Meus amigos, normais amigos, eu também gosto de fazer coisas fora de um padrão já determinado e comum. A novidade, o novo ato me instiga, me encanta, isto me faz sentir vivo, à vocês não?

Meus amigos, normais amigos, eu não tenho tantos amigos, nem muito menos tenho amigos loucos ou que ao menos elogiem a lou-cura, que também façam loucuras, e como um raio, fuja da regra e iludam as normas.

Não se trata, pois, de uma loucura total, trata-se de uma dança, de um saber ser e fazer diferente, mas nem sempre, pois “todos temos um par de chinelos velhos onde nos sentimos mais a vontade e podemos para lá voltar”; é compreender que pode vir a ser, uma dança, andança…

“É preciso saber vi-ver!”, como cantarolava Gonzaguinha, mas antes não concordam que é importante aprender a dançar?

Oh normalizados amigos, não precisamos – sempre – repetir (apenas reproduzir) o feito, o per-feito, de uma cultura perceptivelmente em decadência: em que rótulo encontramos este ou aquele certo/errado? Por ser mais conveniente julgamos ser aquilo que é vivo, unicamente isso é vivo? E ainda, é vivo para quem? Mas é este fato, em suma, ao mesmo tempo, vazio de Si, portanto, vazio. De que então valerá tu? Tua vida? Teu suor? Tua luta para se manter vivo nesta vida?

Mas normais amigos, desculpem-me se se julga isso que vos falo inconveniente. Mas me chega um sentimento de que não sinto prazer em vi-ver repetindo as tradições dos outros, não totalmente, ou levando até o pé da letra, percebo que é bem mais legal podermos criar, podemos depois voltar, não há quem nos impeça tentar..

No mínimo, olhemo-nos a cultura de nós mesmos, todos temos um mundo dentro de si, que pode ser infindável… Cabe-nos ao menos verificar se há luz, se há força para girar por si mesmo uma roda, a roda das rodas! Há esse esmerado movimento que acontece no mundo, esse eterno girar, ser, Vi-ver.
766

...

não há esperança, a não ser esta caminhada que é perder-se
na ousadia de tentar; sempre em relação, inebriação, embriaguez.
128

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.