Antonio Danilo Herculles

Antonio Danilo Herculles

n. 1992 BR BR

Poesia, aforismo e crônica

n. 1992-05-29, Tauá - Ce

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Deixe ir…

Nem toda ida é um adeus,
Nem toda chegada é uma partida…
Não se desespere mariînha,
O mar na certa me voltará…

Nem todo torto a sorte cura,
Nem toda sede má deve matar…
Toda feita de ternura,
Com todo sol ei de vir contar meu ser-tão…

Mas cá pra cá sonho meu,
Nem todo adeus é para sempre..
todo o mar deve vir me deixar,
Deixe ir! Deixe! Volta! Deve voltar…
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Poemas

66

Sobre o cântico dos grilos.

Não são grilos que gritam antes de você dormir,
Eles não podem ter culpa de você querer ouvi-los,
Pois os grilos não podem ser culpados do seu inquietante ouvido,
Adaptando-se ao "teu silencio".

Eis que não é viável o descanso,
Ou quem sabe em insistência seja.
383

Movimento. Arte.

Em mim mesmo há um enorme monumento,
A saber, o amor à vida;
A paixão, ao simples e complexo fato
De que em tudo há ação, movimentação, resistência, tensão.

A arte está em tudo, e fora propriamente de tudo,
Não está em lugar nenhum e surge destoando,
Des-sendo o que um dia houve-se a ilusão de ser.
374

Aos enganadores!

Eis um aviso aos bestiais pregadores da verdade
E pois, por este aspecto particular, negadores da vida;
Vós são dissimulados, mentirosos e no menor insulto enganadores.
Pois ao que se diz respeito a nossa condição humana não há verdade
Nem mentira que seja válida para todos,
Vós também sois enganados e negado a vida e sua dança ventosa,
Uma épica rigidez de coração,
Estes foram mal adestrados,
Tendo em vista que poderiam ter um melhor adestramento.
588

Minha pia virou bordel

Minha pia de rosto virou bordel,
Lá eu lavo minhas louça suja
E também minhas mãos enterreada do meu verde mato,
É onde lavo minha roupa, desgraçada!
Como é difícil de lavar
E com toda força tento tirar o grude que fica das minhas An-Danças por este mundo.
É também o mesmo lugar onde arquiteto minha barba,
É uma raridade não me cortar.
É, a cada novo dia mais um hobby pra essa pia...
Mas eu é que tô dando fé agora do tanto de coisa que eu fazia lá,
E pra essa agonia não acabar,
Ponho uma musica do Chico pra essa tal tristeza não me embrutar..
316

Aos sentidos!

Tudo é belo nesta vida nêga,
Até mesmo o medonho desconhecido,
Grotesco em seu estampido.

Diremos então que é honra conhecer,
Despeça-se e finde sua hora, se poderes,
Ou tudo é certo se fazer;
Arque com a responsabilidade da escolha que fizeres.
401

Eu sou!

Sou tão pouco como nada.
Assim como um sumo total.
Sou ao mesmo tempo que nada tudo.
Sou em todas as medidas e dimensões o tudo e o nada.
462

De um impulso.

Eu sou um astro,
Uma hora eu nasço
Outra eu me ponho!

Sou um tigre que com um sopapo
Desmorona a estrutura
E depois relaxo.

Sou a partida e a estrada
O caminho e a encruzilhada
Sou o tudo e sou o nada.

Sou aquele que morre e nasce a todo instante,
Sou o equilíbrio inconstante.
Uma ventania obnubilante.
615

Da luta, labuta..

Escrevo como se quisera por para fora,
Expirar algo da qual pulsa claudicante o meu coração.

Exponho por que é desse modo que luto,
Não criei, nem aprendi outra maneira ou estilo de luta.

É assim que exponho a vibração que ainda corre em minhas veias,
Em cores encarnadas estribrilha minha alma... Da luta, labuta! É vida!

Mas se não por isso, e mesmo assim tu negues ouvir-me
Ou Satirizo uma nova ilusão, ou então, se já não houver forças, nem mesmo implicação/intentação,
Serei eu meu próprio vácuo, um fim que sou,
E sempre serei e tudo há de assim ser.

Escurece oh meia noite, eis que me reconheço nela,
Junto a ela, e no mesmo ato deste desato que tudo escurece em mim.
Assim findo minha luta, mas fim-dando, outro tempo brilharei/vibrarei,
Serás eu o próprio meio dia... Que astro, oh!
980

Dos encantos desencantados.

Vi hoje o brilho de uma estrela apagar como se fosse sonho.

Senti como se fosse as cinzas de um tempo fogo

Que até mesmo o tempo esqueceu.

Sou hoje esse verso dela e eu, que agora desfloresceu..

Morte a esse sentimento que em mim moribundamente teceu...

Cansei, estou fora desse sentimento de outrora.
466

Apenas este

Definitivamente o que é azul, o céu ou o mar?
Ilusão da minha parte, que parte?
Sem parte, nem medida, não tem!
Que ilusão és-te, sem dimensão sois, um ser igualmente perdido, desmesurado!
Desperdício só para mim, quem sois?
Não sou príncipe, não sou estátua, não sou coisa alguma!
Apenas sou este, nada mais...
Mas para quê subjaz a minha existência?
Que perdição!
Sou este, apenas este, nesta supérflua dimensão.. ilusão!
661

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