Eu vou descer dessa perdição Quero desconjurar essa visão Essa adoração já desgastada do tempo Envelhecida, proibida de nova perspectivação...
Vou seguir a onda desse mar Um cigano me indicou seguir À ventania desse ar Disse lendo minha mão...
Vou criar a onda Que eu mesmo vou surfar Até fim-dá No sentido que deságua esse mar...
354
Movimento. Arte.
Em mim mesmo há um enorme monumento, A saber, o amor à vida; A paixão, ao simples e complexo fato De que em tudo há ação, movimentação, resistência, tensão.
A arte está em tudo, e fora propriamente de tudo, Não está em lugar nenhum e surge destoando, Des-sendo o que um dia houve-se a ilusão de ser.
374
Aos enganadores!
Eis um aviso aos bestiais pregadores da verdade E pois, por este aspecto particular, negadores da vida; Vós são dissimulados, mentirosos e no menor insulto enganadores. Pois ao que se diz respeito a nossa condição humana não há verdade Nem mentira que seja válida para todos, Vós também sois enganados e negado a vida e sua dança ventosa, Uma épica rigidez de coração, Estes foram mal adestrados, Tendo em vista que poderiam ter um melhor adestramento.
589
Dos desejos da carne
A carne não passa de um punhado de pó, Suportados a pequenos poros, que suprime, ou costuma suprimir Os momentos de nossas vidas. Tal carne em desejo se converte.
355
Aos sentidos!
Tudo é belo nesta vida nêga, Até mesmo o medonho desconhecido, Grotesco em seu estampido.
Diremos então que é honra conhecer, Despeça-se e finde sua hora, se poderes, Ou tudo é certo se fazer; Arque com a responsabilidade da escolha que fizeres.
401
Eu sou!
Sou tão pouco como nada. Assim como um sumo total. Sou ao mesmo tempo que nada tudo. Sou em todas as medidas e dimensões o tudo e o nada.
462
Sobre o cântico dos grilos.
Não são grilos que gritam antes de você dormir, Eles não podem ter culpa de você querer ouvi-los, Pois os grilos não podem ser culpados do seu inquietante ouvido, Adaptando-se ao "teu silencio".
Eis que não é viável o descanso, Ou quem sabe em insistência seja.
384
Apenas este
Definitivamente o que é azul, o céu ou o mar? Ilusão da minha parte, que parte? Sem parte, nem medida, não tem! Que ilusão és-te, sem dimensão sois, um ser igualmente perdido, desmesurado! Desperdício só para mim, quem sois? Não sou príncipe, não sou estátua, não sou coisa alguma! Apenas sou este, nada mais... Mas para quê subjaz a minha existência? Que perdição! Sou este, apenas este, nesta supérflua dimensão.. ilusão!
662
Da luta, labuta..
Escrevo como se quisera por para fora, Expirar algo da qual pulsa claudicante o meu coração.
Exponho por que é desse modo que luto, Não criei, nem aprendi outra maneira ou estilo de luta.
É assim que exponho a vibração que ainda corre em minhas veias, Em cores encarnadas estribrilha minha alma... Da luta, labuta! É vida!
Mas se não por isso, e mesmo assim tu negues ouvir-me Ou Satirizo uma nova ilusão, ou então, se já não houver forças, nem mesmo implicação/intentação, Serei eu meu próprio vácuo, um fim que sou, E sempre serei e tudo há de assim ser.
Escurece oh meia noite, eis que me reconheço nela, Junto a ela, e no mesmo ato deste desato que tudo escurece em mim. Assim findo minha luta, mas fim-dando, outro tempo brilharei/vibrarei, Serás eu o próprio meio dia... Que astro, oh!