Lista de Poemas

Tempo/envelhecimento/escolhas.

E o tempo vai passando,
Tudo se esvanecendo,
Se desfazendo do que um dia
Se fora feito, se acabando?

Ah! Sem refletir meu tempo,
Eu sigo tempo,
Mas tempo esse que sigo,
Escolhi por mim? Eu mesmo o fiz?

Escolhendo ou não,
Lá vai o tempo se distorcendo..
E nossas carinhas bonitas?
É a partir desta bela ilusão
Que escrevemos nossas vidas?

Que bela ilusão,
E que seja bela até quando dure,
Mas que também seja superável,
Que eu não precise olhar para o passado
Com essa precisão de me encontrar,

Sou o que sou,
Eis o que posso ser, e o passado?
Deixai como uma bela lembrança esvoaçada.

Apenas este é o que sou,
que seja o melhor que possa neste tempo, agora.
Haverá mais para ser? Ainda mais,
Para quem há de haver?
261

Das plantas

Bonito é a sabedoria das plantas:
uma sabedoria do crescimento,
que poderíamos chamar de espontâneo.

Um desabrochar de forças;
que apenas seguem à ventura
de ser sendo..

Acontec(s)endo no dorso de um instante,
o seu maior conhecimento vai além
dos frutos que se prócria.
565

Do meu ser

Insegurança para que eu e toda a história
que em mim carrego fique sem chão,
para que, nem eu mesmo me acerte
golpes de martelo em dias de "lumiação".

Assim quero saltar,
no grande meio dia,
invisível para todos,
inclusive e com maior esmero,
invisível para mim mesmo..

Sendo assim,
portanto, apenas um ser universal,
Abismal.

Me encontro bem onde me perco...
310

Quando eu me for.

No dia que eu me for, quero apenas descobrir que não mais volto..
Quero aleatoriamente partir, entendendo o que não quer ser compreendido
E de braços abertos ao fim da minha cisão no mundo, ou do recomeço dela mesma,
Essa tal vida que escapole entre todos os dedos, também me deseja vivo, para vir-vê-la?
Sou também os desejos dos que me desejam, e essa tal lembrança que nos é essencial, me parece instintivação.
Seja como for a multiplicidade que me sucede, seja qual for a sina que determina a minha passagem terrestre,
Permaneço até descobrir qual ilusão há porvir...
304

Lembranças Essenciais

Lembro-me como se fosse amanhã que deveras a felicitude bater até se abster na minha porta.

Lembro-me como se fosse amanhã do meu desespero de abraçar o mundo inteiro sem com-juras o fazer.

Lembro-me como se fosse amanhã de mostrar para meu próximo o quanto ele é importante apenas por ser quem o é.

Lembro-me como se fosse amanhã de pedir a bênção aos meus ancestrais, meu pai mãe.

Lembro-me como se fosse amanhã "que a força esteve o tempo todo em mim" (Gonzaguinha).

Lembro-me como se fosse amanhã como lembro do dia e da noite, da claria de estrelas que estremece meu coração e todo o solo tortuoso em noites de escuridão;

Daí lembro-me como se fosse amanhã dos meus amigos e suas acalentadas e saborosas conversas, os guardarei sempre em meu peito, (res-peito).

Lembro-me como se fosse amanhã de olhar nos olhos da mulher da minha vida e dizer-te-lhe do mais puro encanto que és a mim tua volúpia e o que o que além disso se desvai.

Lembro-me como se fosse amanhã dos mestres que muito ensinaram-me a sobre-vi-ver, sem isso não saberia o tentar – sábios são em seus movimentos.

Lembro-me como se fosse hoje que meu amanhã é meu desejo de vi-ver, espectro que invade meu ser.. Antes do fim sou grato pelo ontem e o amanhã nada ser...
294

Propositalmente sigo!

Uma vez me disseram que a vida era simples.

Eu não acreditei.



Mas depois de um tempo observei,

Que as coisas são verdadeiramente simples

Para quem as olha de modo simples,

E todas as outras são ao mesmo tempo complexas, profundas.

É nesse caso, uma questão de perspectivas,

Mas com tudo, apenas seguem, todos com o mesmo propósito;

Tens apenas de reconhecer o que melhor lhe agrada.



Um sopro é a vida e não deixa de ser. Segue à ventura!

Simplesmente ou complexamente; aceitemo-la.
263

Velho vendedor de sonhos: O Mundo

Não me poupes, nem me mostres meu caminho

Não me tenha de elogios, nem me diga tuas verdades

Não me force, nem arranque o meu mal pela raiz, nem meu bem

Pois o que tenho de melhor e o que tenho de pior são justamente o que de melhor tenho pra vi(r)-ver.

Não tenho pernas compridas para ainda agora acompanhar o que me faz ser

Não sou daqui, nem vim pra ficar, estou só de passagem, não perco viagem e as minhas bagagens ei-lo de convir comigo contar.

Minha sina, é a mesma que a tua, somos feitos do mesmo barro batido e untado, curtido e aprimorado

Mais ainda, não se deve com desventura olhar para a terra,

Terra é antes um elogio, uma mãe, terra é mar-ia donde o mar não mais vai;

Terra é como um sinônimo para Maria, mas o mar nunca deixa de cessar, e a terra sempre há de se esfascelar.
320

Pensa que a vida é fácil nega..

Se fosse fácil eu estaria em Paris me doando tempo,

Tomando um café quente ou escrevendo um poema maluco

Em veias de uma ilusão qualquer.

Mas a lógica sempre me conduz de volta,

E me chama pra vida,

Pra dançar a dança dela, me pisa, me fere,

Depois vai em boa hora...

Pois ela mesma, essa tal vida, escapole pra sonhar...

Por entre uma completa fantasia,

Um novo mundo que ela mesma cria

Ao desvelar a porta entre aberta que ali está...

E esse mundo sou eu.

Ela me traz de volta para me viver,

Ela me apanha para não deixar que eu vá tão longe

Que nem mesmo ela possa me alcançar.

É por isso que não é fácil.





Quando nasci me chamaram de equilibrista...

Prazer, me chamo equilibrista!
239

Aforismos sobre Culpa.

- A culpa é um sentimento pró-criado/pré-criado, é neste caso, imposta para nós, na maioria das vezes, de forma rude em demasia. Pois bem, o acesso da culpa, se nos atentarmos, é a presença dos outros e de toda a cobrança comunitária em nós; não é necessariamente nossa, mas sim, um sentimento desatinado/depositado/deixado pelo outro. Como um exalar de essências.

- Por alto, nossa essência é sentimento que conosco habitua este mundo; essa lembrança de passo de dança, e com efeito, é o sentimento que deixamos com os outros, e que, logo após, tem tendido a se transformar em culpa.

- Por isso, não quero que sintas culpa ao lembrares de mim, seja livre!
554

Do Palhaço Trágico

Nem artista, nem amador.
Mais um humorista pra trazer discórdia.
Tanta carne ferida, tanta dor.
Traga mais um copo dessa água-ardente.
Pra eu me embriagar na praça pública.
E depois ganhar o sobrenome "vagabundo".
Sem Temer o estrondo de toda a torcida.
Que por mim passa, e acha graça da minha arruaça.

No meu peito um solo encandeia a frente.
Meio intransigente desafógo as sinas.
Junto com a desgraça é que eu acho graça.
Tanto com a cachaça, como com o sol matutino.
Não me determino porque estou ciente.
Mas tem muita gente que o coro arranca.
Tanto esse pilantra velho coração.
Trago sorridente como uma pedra.

Quando antigamente era convincente.
Medo me tomava da cabeça aos pés.
Eram os quarteis traças sobre a nação.
Tempos de são joão eu inté dancei.
Fora do meu tempo, dentro da oneração.
Quem dirá do sonho do clarão da lua.
Quero você nua só mais uma vez.
Canto a cantiga do beija-flor que me viu passar.

Quero despertar desse absurdo.
Que amo eternamente sem me questionar.
Trago no meu peito com tanta mesura.
Tudo que há na terra, a raiz do mar.
Tudo me ilumina pra me navegar.
Do profundo ao mais curto abismo ei de atravessar.
Nessa melodia vivo como andarilho.

Grite coração e se esgoele.
Viva e se deixe experimentar.
Nada é mais belo que a natureza.
Vivo a procura de me encontrar.
Bêbado, palhaço, cura-céu, deves me direcionar.
Trágico na morte desta vida, quero ela mesma, linda traquina vida.
E até o fim me projetiá.

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