Antonio Danilo Herculles

Antonio Danilo Herculles

n. 1992 BR BR

Poesias Aforismáticas Existenciais

n. 1992-05-29, Tauá - Ce

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Deixe ir…

Nem toda ida é um adeus,
Nem toda chegada é uma partida…
Não se desespere mariînha,
O mar na certa me voltará…

Nem todo torto a sorte cura,
Nem toda sede má deve matar…
Toda feita de ternura,
Com todo sol ei de vir contar meu ser-tão…

Mas cá pra cá sonho meu,
Nem todo adeus é para sempre..
todo o mar deve vir me deixar,
Deixe ir! Deixe! Volta! Deve voltar…
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Poemas

66

Do andante aforismático

Eu ando rodopiando o mundo-sem-fundo,
Dançante à entrincherar,
Para ao menos me sentir vivo, implicativo,
Com um escuro que eu possa iluminar, ou ao menos tentar..

Neste mundo-sem-fundo,
Um andante que caminha por entre a escuridão não é bastante, e por vezes,
Digno de evitação.
Talvez o seja assim tão temente por não aceitar o absurdo inevitável acontecer:
ação, movimento, devir, ou aquilo na qual acontece na vida sem cessar,
Tensão fenomênica, ou ainda, ato de acontecer como as águas.

O que se considera loucura neste mundo é o mesmo que compreendo como saudável,
O conservador da cultura desintegra
O que diferencia da ilusão do igual
Assim compreendo o ser louco, o fora de si, que assim, o é para o outro,
Mas seria necessariamente para si?

Penso que seja essa uma questão para ser resolvida,
Impessoalmente, comunitariamente, no axilio de bons reflexos
Quem é, portanto, aquele que detém, por fim, o fato verídico?
Há então um fato primordial/universal para nossa existência?

Para todos nós, existentes?
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Do perecer

Quero é me encontrar sozinho e sem esperanças
Me perder e permanecer no chão mais tortuoso, insegurança!
Por amor, não por acaso, por anseio do mais obscurecido desejo

Preferindo as tonalidades mais escuras, sigo eu!
Permitindo o medo e seu sentimento fantástico, sigo eu!
Perdendo e desaprendendo toda razão, sigo eu!

Um anseio primordial, um deslocar-se infindável
É esse abismal, que tudo rodeia e em tudo quer afirmar-se
Indispensável para a vida, o vazio que habita em todas as coisas, segue sem cessar..

Isso é o que faz incendiar meu coração!
Amo aquele que perece e quer por conta própria perecer, assim falava Zaratustra!
Eu vos digo ainda: amo aquele que decide com o que quer perecer; eis uma alta virtuosidade
Pois absolutamente tudo perece simplesmente sendo

Uma sina universal?
Talvez aos seres abismais que aqui jaz..
E por fim, compreenderão..
1 015

Aforismo aos correntes.

O que deveríamos fazer é não atrapalhar
Nem forçar a correnteza da vida,
E no momento mais oportuno haja sem alvoroço.
Não enrijeça ou engesse seu coração.
No momento oportuno faça o que tenha que fazer
Como pode, por você ser feito
E siga sem esperar os elogios ou insultos.
Não há nada mais propício às experiencias humanas.
936

Contra a historicidade

Discorde do tempo, (deste tempo)
Pois tu e tudo fazem parte de uma arte que se desdobra, um movimento plástico.
Eis a força primorosa que escarnece o próprio tempo, a própria história,
E se lhe dispõe a vi-ver, à arte de ser o que em ti assevera e desponta;
Tua instintiva dança, tua criança, cria-ação!
1 004

Do meu fogo/Experiencie!

Não tem hora, nem lugar!

Meu fogo pega algum lugar, um tempo, um momento, instante..

Pra quê pressa!

Pra essa vida bom momento você mesmo constrói

E tudo tem seu tempo,

E tenha tempo pra contemplar todo momento, todo sentimento,

São únicos acontecimentos..

Mas pere um pouco seu humano desumano demasiado,

Como que isso você não consegue experimentar?...
714

É mutável Zé

Quando figuramos alguma coisa,
Tranquilizamo-nos..

Quando esta figura se desfigura ou ganha novas possibilidades de figurar-se,
Nos frustramos!

A tranquilidade é uma aparencia ilusória
Criada afim de gerar segurança.

Mas não tem jeito,
As coisas mudam Zé!
870

À correnteza

Se a casa cair,
Pode ser uma boa deixar até mesmo o local,
Mudar o sentido da tua correnteza,
Pois as vezes ao cair nem mesmo a terra terá a mesma firmeza,
Poderá perder até mesmo sustento.
O desistir também é humano,
Trata de reconhecer a si mesmo e seus limites..
Usarmos a esperteza de começar do zero nos diz respeito não de ser mais ou menos feliz,
Mas sim, diz respeito a vida, ao ato fascinante de estar vivo.
1 012

Vamos fazer isso direito!

Não se engane sobre esta vida e suas ilusões,

Todo fazer é uma morte,

Toda ação é uma sentença,

Um minuto a mais ou a menos não faz diferença..

Não agir é uma morte do mesmo jeito,

Com efeito, sem preconceito Escolha,

Mas vamos fazer isso direito...
845

Do lampião

Eu sou de cangote,
Eu sou de cangaço,
Eu sou ascendência
Eu sou lampião,
Eu sou lá do sertão...
"E na certa é por isso mesmo"
Que tudo é coragem no meu coração..
Já fui humilhado morto sepultado
Mas quem disse que sou um ser igual a tu?
Já lhes disse
Eu sou lampião,
sou feito de uma sina
Que termina com destruição/desconstrução;
Sou de cá dessa caatinga,
Que nem mesmo tu imagina
Com essa primeira ilusão...
E não me negue seus pensamentos
Pois sou capaz de lhe roubar,
Não me deixe de evocar..
Eis o que eu amo
Eis a força que eu represento
Eis o que eu amo
Eis o que espontaneamente rebento
Eis a minha imensidão
O meu bem meu mal
minha própria ilusão
É o caos que dentro de mim anseia em ser esxposto
Eis que me chamo lampião..
1 170

Do saber: Esquecimento e Alegria

Declaro minha admiração
Aquele que sabe e fica sabendo.

Pois eu sei que não sei,
e muito menos me encontraria
em um lugar de ficar sabendo.

Efêmero, plástico, momentâneo.
Caríssimo é todo saber.

À ventura do momento,
é o que segue meus sentidos,

a força que tensiona-me
é o claudicar do meu coração.

Embriagado nesta possibilidade da vida
de ser-com tudo que há;

num encontro ímpar com meus sentidos,
envolvido no mundo da vida

convalesço à condição
de saber e não saber,
de saber que não sei,
de me encontrar e me perder.

Pois sou uma passagem
e acima dessa passagem 
se encontra escrito
Instante!

E em si possibilidade de ser,
sempre outra vez.
Pois que em tudo,
e inclusive no nada
se vê Alegria!
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