Eu ando rodopiando o mundo-sem-fundo, Dançante à entrincherar, Para ao menos me sentir vivo, implicativo, Com um escuro que eu possa iluminar, ou ao menos tentar..
Neste mundo-sem-fundo, Um andante que caminha por entre a escuridão não é bastante, e por vezes, Digno de evitação. Talvez o seja assim tão temente por não aceitar o absurdo inevitável acontecer: ação, movimento, devir, ou aquilo na qual acontece na vida sem cessar, Tensão fenomênica, ou ainda, ato de acontecer como as águas.
O que se considera loucura neste mundo é o mesmo que compreendo como saudável, O conservador da cultura desintegra O que diferencia da ilusão do igual Assim compreendo o ser louco, o fora de si, que assim, o é para o outro, Mas seria necessariamente para si?
Penso que seja essa uma questão para ser resolvida, Impessoalmente, comunitariamente, no axilio de bons reflexos Quem é, portanto, aquele que detém, por fim, o fato verídico? Há então um fato primordial/universal para nossa existência?
Para todos nós, existentes?
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Do perecer
Quero é me encontrar sozinho e sem esperanças Me perder e permanecer no chão mais tortuoso, insegurança! Por amor, não por acaso, por anseio do mais obscurecido desejo
Preferindo as tonalidades mais escuras, sigo eu! Permitindo o medo e seu sentimento fantástico, sigo eu! Perdendo e desaprendendo toda razão, sigo eu!
Um anseio primordial, um deslocar-se infindável É esse abismal, que tudo rodeia e em tudo quer afirmar-se Indispensável para a vida, o vazio que habita em todas as coisas, segue sem cessar..
Isso é o que faz incendiar meu coração! Amo aquele que perece e quer por conta própria perecer, assim falava Zaratustra! Eu vos digo ainda: amo aquele que decide com o que quer perecer; eis uma alta virtuosidade Pois absolutamente tudo perece simplesmente sendo
Uma sina universal? Talvez aos seres abismais que aqui jaz.. E por fim, compreenderão..
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Aforismo aos correntes.
O que deveríamos fazer é não atrapalhar Nem forçar a correnteza da vida, E no momento mais oportuno haja sem alvoroço. Não enrijeça ou engesse seu coração. No momento oportuno faça o que tenha que fazer Como pode, por você ser feito E siga sem esperar os elogios ou insultos. Não há nada mais propício às experiencias humanas.
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Contra a historicidade
Discorde do tempo, (deste tempo) Pois tu e tudo fazem parte de uma arte que se desdobra, um movimento plástico. Eis a força primorosa que escarnece o próprio tempo, a própria história, E se lhe dispõe a vi-ver, à arte de ser o que em ti assevera e desponta; Tua instintiva dança, tua criança, cria-ação!
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Do meu fogo/Experiencie!
Não tem hora, nem lugar!
Meu fogo pega algum lugar, um tempo, um momento, instante..
Pra quê pressa!
Pra essa vida bom momento você mesmo constrói
E tudo tem seu tempo,
E tenha tempo pra contemplar todo momento, todo sentimento,
São únicos acontecimentos..
Mas pere um pouco seu humano desumano demasiado,
Como que isso você não consegue experimentar?...
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É mutável Zé
Quando figuramos alguma coisa, Tranquilizamo-nos..
Quando esta figura se desfigura ou ganha novas possibilidades de figurar-se, Nos frustramos!
A tranquilidade é uma aparencia ilusória Criada afim de gerar segurança.
Mas não tem jeito, As coisas mudam Zé!
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À correnteza
Se a casa cair, Pode ser uma boa deixar até mesmo o local, Mudar o sentido da tua correnteza, Pois as vezes ao cair nem mesmo a terra terá a mesma firmeza, Poderá perder até mesmo sustento. O desistir também é humano, Trata de reconhecer a si mesmo e seus limites.. Usarmos a esperteza de começar do zero nos diz respeito não de ser mais ou menos feliz, Mas sim, diz respeito a vida, ao ato fascinante de estar vivo.
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Vamos fazer isso direito!
Não se engane sobre esta vida e suas ilusões,
Todo fazer é uma morte,
Toda ação é uma sentença,
Um minuto a mais ou a menos não faz diferença..
Não agir é uma morte do mesmo jeito,
Com efeito, sem preconceito Escolha,
Mas vamos fazer isso direito...
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Do lampião
Eu sou de cangote, Eu sou de cangaço, Eu sou ascendência Eu sou lampião, Eu sou lá do sertão... "E na certa é por isso mesmo" Que tudo é coragem no meu coração.. Já fui humilhado morto sepultado Mas quem disse que sou um ser igual a tu? Já lhes disse Eu sou lampião, sou feito de uma sina Que termina com destruição/desconstrução; Sou de cá dessa caatinga, Que nem mesmo tu imagina Com essa primeira ilusão... E não me negue seus pensamentos Pois sou capaz de lhe roubar, Não me deixe de evocar.. Eis o que eu amo Eis a força que eu represento Eis o que eu amo Eis o que espontaneamente rebento Eis a minha imensidão O meu bem meu mal minha própria ilusão É o caos que dentro de mim anseia em ser esxposto Eis que me chamo lampião..
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Do saber: Esquecimento e Alegria
Declaro minha admiração Aquele que sabe e fica sabendo.
Pois eu sei que não sei, e muito menos me encontraria em um lugar de ficar sabendo.
Efêmero, plástico, momentâneo. Caríssimo é todo saber.
À ventura do momento, é o que segue meus sentidos,
a força que tensiona-me é o claudicar do meu coração.
Embriagado nesta possibilidade da vida de ser-com tudo que há;
num encontro ímpar com meus sentidos, envolvido no mundo da vida
convalesço à condição de saber e não saber, de saber que não sei, de me encontrar e me perder.
Pois sou uma passagem e acima dessa passagem se encontra escrito Instante!
E em si possibilidade de ser, sempre outra vez. Pois que em tudo, e inclusive no nada se vê Alegria!