Antônio Perin

Antônio Perin

n. 1954 BR BR

n. 1954-02-07, Cataguases

Perfil
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A Casa Morta

Em antigas noites adolescentes
entre perfumes de mangas e teias de aranhas
pelas frestas do soalho...

Luzes.

Sedas, cetins, brancas coxas
Nevoas de franceses perfumes
brilha o corpo da jovem
capricorniana.

Olhos gulosos se lambuzam
em orgias voieristas.

A memória fantasmeia o passado,
corre os quartos, porões e quintais
da velha casa da rua Alferes em cacos.
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Biografia
Nasceu em Itaobim - Vale do Jequitinhonha - MG.  
Migrante, morou no Rio de Janeiro, viveu em São Paulo e retornou a Minas Gerais.
Morando atualmente em Cataguases.

Poemas

5

A Casa Morta

Em antigas noites adolescentes
entre perfumes de mangas e teias de aranhas
pelas frestas do soalho...

Luzes.

Sedas, cetins, brancas coxas
Nevoas de franceses perfumes
brilha o corpo da jovem
capricorniana.

Olhos gulosos se lambuzam
em orgias voieristas.

A memória fantasmeia o passado,
corre os quartos, porões e quintais
da velha casa da rua Alferes em cacos.
544

As mulheres da Rosenstrasse

A ação heróica não é inútil
Ainda que a não violência pareça fútil



Não sei de que lado está
não sei o quanto dista
do portão de Brandenburgo.
Nunca fui a Berlim.
Falam de um parque desconhecido,
de um monumento
cor de terra - Terra de Berlim?



Numa distante semana alemã
mulheres lutam por seus maridos
em uma pequena praça de Berlim
imóveis, irredutíveis, não arredam
dia a dia diante das baionetas nazistas
desafiam e calam suas metralhadoras.
Derrotada pelas mulheres desarmadas
a Gestapo recua.



Berlim! Berlim! Berlim!
Não nos deixem esquecer
as mulheres da Rosenstrasse.
504

Cachoeira


Ao Vicente Costa e seu amigo canibal


Lágrimas escorregam por entre seios sem mamilos
Explodem em cristais num fundo negro
Repousam silenciosas como quartzo na quadra seguinte
Pés sobre folhas e galhos secos tecem um lamento
Um falo amarelo estica-se sobre tudo com seus pelos verdes
Imponente o canibal viaja nas mensagens de sua canabis.


Distrito da Glória (Cataguases -MG) em 21.07.2002
462

O voo da morte

A Kuhira Sadako -Hiroshima
poetisa hibajusha (vítima da bomba atômica)


Rompendo o negrume do oceano
soa a marcha fúnebre dos motores
Hiroshima acorda num pacifico horizonte azul.

Das entranhas da prateada serpente alada
brota um filho da puta - o ovo negro
Após o relâmpago da loucura
o olho secou na lágrima
a boca emudeceu no grito
pessoas foram codaquiadas nas paredes.

No outro tempo em Hollywod
Robert Taylor beija Eleanor Parker
em Above and Beyond.

547

Riacho triste

Relendo Meia Pataca de Chico Peixoto


Aflora em mim uma necessidade
de cantar a tua ausência que dói.
Escorregar pelos teus barrancos
sentindo o teu barro quente junto à pele
queimando os ossos como aguardente no peito,
me jogar em tuas barrentas e frias águas,
ser percorrido pelo frio na espinha
de percorrer-te por dentro.
Ver tua amarelada escuridão
tocar teu leito arenoso, onde abrigavas teu viço,
outrora deflorado por bateadores.


Maldito progresso que te prostituiu.
Rasgaram-te à procura de pepitas
arrancaram teus verdes cabelos,
que nas chuvas eram uma profusão de cores e contas.
Hoje fábricas ejaculam, não sêmen de vida
mas licores negros e mortíferos.
Te pintam de negro, te defecam, te matam.
Como é dolorido te olhar meia pataca.


1982
242

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