Antônio Perin

Antônio Perin

n. 1954 BR BR

n. 1954-02-07, Cataguases

Perfil
2 854 Visualizações

A Casa Morta

Em antigas noites adolescentes
entre perfumes de mangas e teias de aranhas
pelas frestas do soalho...

Luzes.

Sedas, cetins, brancas coxas
Nevoas de franceses perfumes
brilha o corpo da jovem
capricorniana.

Olhos gulosos se lambuzam
em orgias voieristas.

A memória fantasmeia o passado,
corre os quartos, porões e quintais
da velha casa da rua Alferes em cacos.
Ler poema completo
Biografia
Nasceu em Itaobim - Vale do Jequitinhonha - MG.  
Migrante, morou no Rio de Janeiro, viveu em São Paulo e retornou a Minas Gerais.
Morando atualmente em Cataguases.

Poemas

1

Riacho triste

Relendo Meia Pataca de Chico Peixoto


Aflora em mim uma necessidade
de cantar a tua ausência que dói.
Escorregar pelos teus barrancos
sentindo o teu barro quente junto à pele
queimando os ossos como aguardente no peito,
me jogar em tuas barrentas e frias águas,
ser percorrido pelo frio na espinha
de percorrer-te por dentro.
Ver tua amarelada escuridão
tocar teu leito arenoso, onde abrigavas teu viço,
outrora deflorado por bateadores.


Maldito progresso que te prostituiu.
Rasgaram-te à procura de pepitas
arrancaram teus verdes cabelos,
que nas chuvas eram uma profusão de cores e contas.
Hoje fábricas ejaculam, não sêmen de vida
mas licores negros e mortíferos.
Te pintam de negro, te defecam, te matam.
Como é dolorido te olhar meia pataca.


1982
242

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.