Impertinente pensamento sua figura Em vão procuro esquecê-la. E seu retrato Há muito tempo o queimei com amargura Pensando livrar-me desse *desiderato
A alucinada visão de sua silhueta Em minha mente é constante, interminável Parece ter o poder monstruoso do capeta Sua figura a todo instante é infindável
Ah! Certamente devo estar a delirar Ou talvez no limite das *assimetrias Que na verdade, não sei onde albergar
E nada no mundo preenche este vazio Que gravou na mente sua fisionomia Cuja obsessão, mais parecer um desvario !
• Aquilo que se deseja; que se aspira ** fig. Desarmonias de certas funções
São Paulo, 18/02/2013 Armando A. C. Garcia
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Se Deus igualasse (soneto)
Se Deus igualasse...
Se Deus igualasse nossos pensamentos
Se, também, igualasse os sentimentos
O mundo seria uníssono em tom e cor
Como ficaria a atração física e o amor?
Que seria de nossos vãos contentamentos
Como seriam nossos vis comportamentos
E que seria de nossas loucas esperanças
Talvez, sendo jogadas nas intemperanças
Mas a sapiência Dele nos fez desiguais
Para que cada um procure o algo mais
E nas bordoadas da vida, a exalação
Pôs amor e sentimento no coração
Pôs no pensamento a pura reflexão
Fez de cada um de nós, seres universais
Dos pobres versos que compus em desalinho
Alguns foram lidos, mas muitos outros, não.
Como a rosa perfumada, tem o espinho
Meu estro, não lhes tocou o coração.
Mas se de versos indecorosos fosse a veia
De milhares seriam as suas leituras
Felizmente, não é essa a veia que lastreia
Foi concebida para coisas mais puras
Não é profana, nem mesmo anticristã
É contra os arautos vendilhões dessa fé
Que se insurge, por não ser doutrina sã,
E opõe-se a políticos, que fazem o que se vê....
Exponho o que dentro da minha alma eu sinto
Suspiros, lágrimas ou contentamento
E nesta imensidade, ó leitores, não minto
É meu primeiro e último comportamento !
São Paulo, 28/11/2012
Armando A. C. Garcia
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Homenagem à Rainha do Fado Amália Rodrigues
Homenagem à Rainha do Fado Amália Rodrigues
Amália, do outro lado, Junto do Homem da cruz Pediu pra cantar um fado Em homenagem a Jesus
Deus consentiu no pedido E foi ouvi-la cantar Ficou muito arrependido, Tê-la mandado chamar
Disse ao anjo, francamente Que vacilo foi o teu Amália, eternamente Em Portugal tinha o céu !
É tão grande a perfeição Da cantora portuguesa Os anjos não conseguirão Imitá-la, com certeza
Ao povo das caravelas Que tantas graças lhe dei Dei-lhe Amália como estrela Por descuido lha tirei !
Agnóstico, é o nome pomposo de ateu
Aquele que diz, não existir Deus, nem o céu
Diz-se descrente, sem fé, sem religião
Entretanto, preocupa-se com sua condição
Agnóstico é aquele que diz não crer em nada
Todavia, no íntimo recôndito da alma
Tem a semente que procura não germinar
E diz o mundo infestado de mentiras
Diz que a noção de justiça foi subvertida
Por Deus poder torturar a alma humana
Banindo a compaixão dos corações
Transformando homens em demônios
Que o Deus da bíblia é insensível, justiceiro
Que todas as religiões tem concepção errada
E influenicam o homem a sacrifícios e orações
Que Cristo foi uma lenda, um mito, e que,
Dos pagãos, adaptaram a eucaristia:
Que no festival da colheita faziam bolos de trigo
E no preito a Ceres e a Baco bradavam
A Ceres, "esta é a carne de nossa deusa"
E a Baco, "Este é o sangue de nosso deus"
Que não há, nem houve um ser criador
Vez que triunfa a injustiça neste o mundo
Que o dizem governado por um Deus
Um Deus que dizem, criador de doutrinas cruéis
A espalhar guerras e mortes no mundo
Terremotos, inundações, secas noutras regiões
Vulcões vomitando fogo, relâmpagos letais
Onde está a bondade de Deus, eles perguntam.
Porém, lá no fundo de seus corações
No recôndito da alma, eles crem num Deus
Talvez à sua maneira e conveniência
Um Deus que atenda e entenda suas intenções.
Diz... que o encantamento de tua ilusão
Chegou ao fim. E que tudo foi um engano
Da desenfreada torrente da paixão
Que durou aproximadamente um ano!
Diz... Sem tremer a voz e empalidecer
Que já não me queres mais. E sem que te fira
Caminharás adiante sem retroceder
Pois teu coração, por mim, não mais suspira.
Diz...que foi um vão ensejo que passou
Que hoje, só sentes por mim indiferença
E que o amor em teu peito já terminou
Diz... se fores capaz de eloquência tal
No extremo fervor de tua desavença
Sinto que tu, nada dirás ao final !
Porangaba, 24/11/2012
Armando A. C. Garcia
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Deixa (soneto)
Deixa... (soneto)
Deixa eu tecer minhas ilusões No tear de minhas fantasias Pra que possa, depois aos guturões Saborear tão sonhadas iguarias
Nem que percorra *absconso caminho Da invasão de uma tristeza profunda Deixa que meu tear urda cada espinho Nem que a lança na caminhada rotunda
Corte minhas mãos a cada urdida Deixa mesmo que sofra é meu sudário É minha veleidade. Gosto d’vida
Neste acervo ávido de ilusões Quando o físico nefando, refratário Já se esconde do lume das paixões.