Lavas fumegando em meu coração Jorram cinzas, ainda deste vulcão Rasgando o peito que sangra ferido D’acre saudade de haver-te perdido
A procela não dá alento à dor Nem meu queixume reverte o amor É como a ave, sem canto, perdida Folha da árvore, pelo vento batida
No chão se arrasta já seca, sem vida Nos espasmos da morte intenso *palor No pranto fugaz de um sonho de amor
Porém, meus lábios, jamais beijarás Qual luz que fenece, então, tu dirás: Do amor que perdi, eu fui consentida ! *palidez São Paulo, 10/09/2013 (data da criação) Armando A. C. Garcia Visite meus blogs: http://brisadapoesia.blogspot.com http://preludiodesonetos.blogspot.com http://criancaspoesias.blogspot.com
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Esse nó !
Esse nó !
Esse nó, também me aperta sem dó Oh! Nó triste, nó porque não me deixas só... Quem só já é, sem ter tua companhia Que persiste qual lágrima de teimosia
Rotular-te de sonho ou quimera Prenúncio futuro de longa espera Se lembranças poderem ser lembradas Sejam elas, mais sutis e delicadas
Diz... que o encantamento de tua ilusão Chegou ao fim. E que tudo foi um engano Da desenfreada torrente da paixão Que durou aproximadamente um ano!
Diz... Sem tremer a voz e empalidecer Que já não me queres mais. E sem que te fira Caminharás adiante sem retroceder Pois teu coração, por mim, não mais suspira.
Diz...que foi um vão ensejo que passou Que hoje, só sentes por mim indiferença E que o amor em teu peito já terminou
Diz... se fores capaz de eloquência tal No extremo fervor de tua desavença Sinto que tu, nada dirás ao final !
Porangaba, 24/11/2012 Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
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Cicatrizes (soneto)
Cicatrizes ... (soneto)
Minhas dores e lamentações, não escutas Que acontece com teu pobre coração... Consequências na troca de permutas A exigir paciência ou resignação !
Sem olor a fragrância dos perfumes Que exalavas na doçura do beijo, Inúteis as palavras que resumes Sendo nada, não são o que almejo
Escondo no peito os prantos sentidos Em segredo preservo a dor do desamor No meu ser, há desejos incontidos
Cicatrizes que meus sonhos marcaram Quando desabrochavam com esplendor Teu desamor. Minhas esperanças secaram.
Dos pobres versos que compus em desalinho Alguns foram lidos, mas muitos outros, não. Como a rosa perfumada, tem o espinho Meu estro, não lhes tocou o coração.
Mas se de versos indecorosos fosse a veia De milhares seriam as suas leituras Felizmente, não é essa a veia que lastreia Foi concebida para coisas mais puras
Não é profana, nem mesmo anticristã É contra os arautos vendilhões dessa fé Que se insurge, por não ser doutrina sã, E opõe-se a políticos, que fazem o que se vê....
Exponho o que dentro da minha alma eu sinto Suspiros, lágrimas ou contentamento E nesta imensidade, ó leitores, não minto É meu primeiro e último comportamento !
São Paulo, 28/11/2012 Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
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Obsessão (soneto)
Obsessão (soneto)
Impertinente pensamento sua figura Em vão procuro esquecê-la. E seu retrato Há muito tempo o queimei com amargura Pensando livrar-me desse *desiderato
A alucinada visão de sua silhueta Em minha mente é constante, interminável Parece ter o poder monstruoso do capeta Sua figura a todo instante é infindável
Ah! Certamente devo estar a delirar Ou talvez no limite das *assimetrias Que na verdade, não sei onde albergar
E nada no mundo preenche este vazio Que gravou na mente sua fisionomia Cuja obsessão, mais parecer um desvario !
• Aquilo que se deseja; que se aspira ** fig. Desarmonias de certas funções
São Paulo, 18/02/2013 Armando A. C. Garcia
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Perimetral
Perimetral
Se és capaz de maltratar Quem da vida nada tem Também podes suportar O peso do meu desdém.
Ó Deus da eterna glória, Do saber e da justiça Leva teu filho à vitória Nos liames desta liça
Não o desampares agora Quando de Ti, mais precisa Socorre-o sem demora, Antes que perca a camisa
A fé, por Ti, descortina És sua âncora de esperança Dissipa-lhe a neblina Que lhe tira a confiança
Senhor, ó Rei da glória Deste mundo sofredor Tu, julgarás a pretória Que julga o mundo a "priori"
Teu julgamento isento Das vicissitudes terrenas Não aceita argumento Estes, são do mundo apenas
No imenso caos do abismo Na escuridão mergulhados Pagarão pelo cinismo Ao serem por Deus julgados.
Agnóstico, é o nome pomposo de ateu Aquele que diz, não existir Deus, nem o céu Diz-se descrente, sem fé, sem religião Entretanto, preocupa-se com sua condição
Agnóstico é aquele que diz não crer em nada Todavia, no íntimo recôndito da alma Tem a semente que procura não germinar E diz o mundo infestado de mentiras
Diz que a noção de justiça foi subvertida Por Deus poder torturar a alma humana Banindo a compaixão dos corações Transformando homens em demônios
Que o Deus da bíblia é insensível, justiceiro Que todas as religiões tem concepção errada E influenicam o homem a sacrifícios e orações Que Cristo foi uma lenda, um mito, e que,
Dos pagãos, adaptaram a eucaristia:
Que no festival da colheita faziam bolos de trigo E no preito a Ceres e a Baco bradavam A Ceres, "esta é a carne de nossa deusa" E a Baco, "Este é o sangue de nosso deus"
Que não há, nem houve um ser criador Vez que triunfa a injustiça neste o mundo Que o dizem governado por um Deus Um Deus que dizem, criador de doutrinas cruéis
A espalhar guerras e mortes no mundo Terremotos, inundações, secas noutras regiões Vulcões vomitando fogo, relâmpagos letais Onde está a bondade de Deus, eles perguntam.
Porém, lá no fundo de seus corações No recôndito da alma, eles crem num Deus Talvez à sua maneira e conveniência Um Deus que atenda e entenda suas intenções.