Esse nó, também me aperta sem dó Oh! Nó triste, nó porque não me deixas só... Quem só já é, sem ter tua companhia Que persiste qual lágrima de teimosia
Rotular-te de sonho ou quimera Prenúncio futuro de longa espera Se lembranças poderem ser lembradas Sejam elas, mais sutis e delicadas
Se Deus igualasse nossos pensamentos Se, também, igualasse os sentimentos O mundo seria uníssono em tom e cor Como ficaria a atração física e o amor?
Que seria de nossos vãos contentamentos Como seriam nossos vis comportamentos E que seria de nossas loucas esperanças Talvez, sendo jogadas nas intemperanças
Mas a sapiência Dele nos fez desiguais Para que cada um procure o algo mais E nas bordoadas da vida, a exalação
Pôs amor e sentimento no coração Pôs no pensamento a pura reflexão Fez de cada um de nós, seres universais
Impertinente pensamento sua figura Em vão procuro esquecê-la. E seu retrato Há muito tempo o queimei com amargura Pensando livrar-me desse *desiderato
A alucinada visão de sua silhueta Em minha mente é constante, interminável Parece ter o poder monstruoso do capeta Sua figura a todo instante é infindável
Ah! Certamente devo estar a delirar Ou talvez no limite das *assimetrias Que na verdade, não sei onde albergar
E nada no mundo preenche este vazio Que gravou na mente sua fisionomia Cuja obsessão, mais parecer um desvario !
• Aquilo que se deseja; que se aspira ** fig. Desarmonias de certas funções
São Paulo, 18/02/2013 Armando A. C. Garcia
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Homenagem à Rainha do Fado Amália Rodrigues
Homenagem à Rainha do Fado Amália Rodrigues
Amália, do outro lado, Junto do Homem da cruz Pediu pra cantar um fado Em homenagem a Jesus
Deus consentiu no pedido E foi ouvi-la cantar Ficou muito arrependido, Tê-la mandado chamar
Disse ao anjo, francamente Que vacilo foi o teu Amália, eternamente Em Portugal tinha o céu !
É tão grande a perfeição Da cantora portuguesa Os anjos não conseguirão Imitá-la, com certeza
Ao povo das caravelas Que tantas graças lhe dei Dei-lhe Amália como estrela Por descuido lha tirei !
Diz... que o encantamento de tua ilusão Chegou ao fim. E que tudo foi um engano Da desenfreada torrente da paixão Que durou aproximadamente um ano!
Diz... Sem tremer a voz e empalidecer Que já não me queres mais. E sem que te fira Caminharás adiante sem retroceder Pois teu coração, por mim, não mais suspira.
Diz...que foi um vão ensejo que passou Que hoje, só sentes por mim indiferença E que o amor em teu peito já terminou
Diz... se fores capaz de eloquência tal No extremo fervor de tua desavença Sinto que tu, nada dirás ao final !
Porangaba, 24/11/2012 Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
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Rio Douro
Rio Douro
Arribas do Rio Douro Que tantas vezes subi Ó que saudades eu tenho Quando me lembro de ti
Tens contornos tortuosos Escarpas que não têm fim Serpenteando as arribas Altas fragas e o alecrim
Onde aves de rapinas Têm condições ambientais Nos penedos rendilhados Águias, abutres e mais
Têm seus ninhos escondidos Das raposas predadoras, O lobo, a tal não se atreve Prefere caça das pastoras
Gigantes fragas escarpadas Pela erosão milenar Tingiu de cores variadas Com efeitos a imaginar
O número dois, podemos ler Nas fragas do lado espanhol. Quem não acredita, venha ver E ouça o canto do rouxinol.
Entras por fragas abruptas Neste querido Portugal Aos poucos interruptas Com tua calma natural
Rio Douro, Rio Douro Quantas enguias comi, Tu és o maior tesouro Dos rios que eu já vi.
Dos pobres versos que compus em desalinho Alguns foram lidos, mas muitos outros, não. Como a rosa perfumada, tem o espinho Meu estro, não lhes tocou o coração.
Mas se de versos indecorosos fosse a veia De milhares seriam as suas leituras Felizmente, não é essa a veia que lastreia Foi concebida para coisas mais puras
Não é profana, nem mesmo anticristã É contra os arautos vendilhões dessa fé Que se insurge, por não ser doutrina sã, E opõe-se a políticos, que fazem o que se vê....
Exponho o que dentro da minha alma eu sinto Suspiros, lágrimas ou contentamento E nesta imensidade, ó leitores, não minto É meu primeiro e último comportamento !
São Paulo, 28/11/2012 Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
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Deixa (soneto)
Deixa... (soneto)
Deixa eu tecer minhas ilusões No tear de minhas fantasias Pra que possa, depois aos guturões Saborear tão sonhadas iguarias
Nem que percorra *absconso caminho Da invasão de uma tristeza profunda Deixa que meu tear urda cada espinho Nem que a lança na caminhada rotunda
Corte minhas mãos a cada urdida Deixa mesmo que sofra é meu sudário É minha veleidade. Gosto d’vida
Neste acervo ávido de ilusões Quando o físico nefando, refratário Já se esconde do lume das paixões.
Agnóstico, é o nome pomposo de ateu Aquele que diz, não existir Deus, nem o céu Diz-se descrente, sem fé, sem religião Entretanto, preocupa-se com sua condição
Agnóstico é aquele que diz não crer em nada Todavia, no íntimo recôndito da alma Tem a semente que procura não germinar E diz o mundo infestado de mentiras
Diz que a noção de justiça foi subvertida Por Deus poder torturar a alma humana Banindo a compaixão dos corações Transformando homens em demônios
Que o Deus da bíblia é insensível, justiceiro Que todas as religiões tem concepção errada E influenicam o homem a sacrifícios e orações Que Cristo foi uma lenda, um mito, e que,
Dos pagãos, adaptaram a eucaristia:
Que no festival da colheita faziam bolos de trigo E no preito a Ceres e a Baco bradavam A Ceres, "esta é a carne de nossa deusa" E a Baco, "Este é o sangue de nosso deus"
Que não há, nem houve um ser criador Vez que triunfa a injustiça neste o mundo Que o dizem governado por um Deus Um Deus que dizem, criador de doutrinas cruéis
A espalhar guerras e mortes no mundo Terremotos, inundações, secas noutras regiões Vulcões vomitando fogo, relâmpagos letais Onde está a bondade de Deus, eles perguntam.
Porém, lá no fundo de seus corações No recôndito da alma, eles crem num Deus Talvez à sua maneira e conveniência Um Deus que atenda e entenda suas intenções.