Augusto Fracari

Augusto Fracari

n. 1981 BR BR

n. 1981-02-22, Brasil

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Sobre loucura e escolha

Passei todas as minhas loucuras a ferro
e pendurei no armário.
Todo dia...
Visto a que me cair melhor.
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Poemas

13

Sobre loucura e escolha

Passei todas as minhas loucuras a ferro
e pendurei no armário.
Todo dia...
Visto a que me cair melhor.
898

Tântrico e Tirânico

Feito de palavras
Aqui você poderá ler minhas verdades ?
Degustar da minha escrita?
Na possibilidade que meu verbo oferece
Desfiguro meu estado inicial
Transbordando o que o complexo não pode conter simples.
Sou uma metamorfose poética
Infinitivamente infinito
Metaforicamente
Tântrico e tirânico...
Sou eu o verso
que espera ser extraído
pela Palavra
analisada
e derramado
feito às lágrimas de cera das velas
que choram mantras
para endurecer tuas promessas.



726

Canção para o céu da boca

Eu não sei cantar
Não sei calcular
Não arrisco pretensões exatas
Nem ao menos sei o tempo adequado de cada coisa
Meu humor é tão variável quanto o vento
Onde esconderam minha quietude?
Não sei passar iluminado em ruas escuras
Ser um pouco sombra me faz sentir pertencido à solidez da noite
Aprendi desde cedo a buscar luz em sorrisos
Para iluminar minhas ausências
Minhas carências são desesperadas
E meu desejo é cortante e afiado
Sei respeitar as lágrimas
E depurar minha dor
Descobri que as palavras são perfumadas
Alguém já havia descoberto antes?
Eu modulo a voz para cuspir minhas fúrias
e limpo o céu da minha boca
para guardar estrelas.
702

A mão de Deus e a língua do Diabo

Enquanto eu,
inocentemente
seguro a mão de Deus...
O Diabo me lambe os pés!

690

Destino

Nasceu-lhe uma estrela nos olhos.
A noite foi embora e levou junto de si algumas partes doloridas.
A moldura ficou vazia, no dourado, na parede e nas lembranças.
Assim amanhecida, com fome de começos, espalhou seus raios e iluminou-se.
Anunciou-se em nuances singulares.
Sim, era um novo começo
Um novo poema
Um novo dia.
Sem pretensões
Todos sabiam:
Ela brilharia.
714

sobre blues

Fiz um blues pra te invocar
Consegue me ouvir?
Chamo teu espírito nestas notas cinzas
Que entôo em teu nome
Nas noites febris
de um tempo em que o vermelho
puro fogo nos preenchia.
Quero que venhas
Livre como uma nota
ou um verso
Perdido em pautas
se aproximando
vagarosamente
em segredo
em anexos
em vibrações uníssonas
dissipadas no tempo e no espaço
como uma ausência
distraída
que não se nota
não se sente
sutilmente presa nas pálpebras que ainda tremem
mas já não cantam
Deixa eu ver teus olhos se encherem
do blues que fiz pra te chamar...

693

Sem Título nº 2

Toco tua pele e ela recita versos
Teus poros fazem rima para meus dedos
Os olhos permanecem fechados
Fixando nosso instante no tempo
derretendo minhas palavras nas tuas imagens congeladas
Tua pele riscada com meus versos
arabescos dançando livres entre a retidão das tuas linhas
Teu olhos lacrados no meu beijo
ofuscados pela luz que invadia as frestas, quebrando as sombras daquele quarto
Minha boca manchada no teu tom
meu nome escrito em teu lençol.

710

Sobre casas, plátanos e o amor

Meu amor é casa inteira
Aberta
Tudo mora ali
Cada canto
Cantado
Esconde um instrumento afinado para cada ato
Guardo tudo ali
Aconchego e uns recortes
Para não esquecer quem sou
Para não esquecer do sol
Meu amor é casa
Forte
Reparte-se em cômodos
Para abrigar os hóspedes
Tenho endereço certo
Para postar minhas dores
Meus rancores
Meus humores
Meu amor é jardim
Da nostalgia dos plátanos de outono
Da inocência de gerânios que se revelam lindos enquanto caem derramados nas soleiras das janelas
E macio feito grama que nasce sem convite
E perigoso feito um abismo que anuncia o silêncio.
Meu amor é a morada de resquícios
dos versos que não fiz.
695

Desespero

não tem solução.
meu verso parou em ti...
e todo o vermelho do meu poema
se derramou
clamando
por tua mão.
intercedo feito devoto
pelo milagre
inescrupuloso
que somente tuas mãos
(assim como teus dentes de fera...)

poderão exorcizar de minha carne
do meu espírito este desejo
tão teu
tão azul
com seus tons contraditórios
essa voz que diz que:
" nada é pra já
que o amor não tem pressa"...
...mas quem secará meu desespero
toda noite
quando me fecho
nessas paredes analíticas e cruéis?
me conta, quem?
657

Soldado de Chumbo

Me preparava dentro da letra de criança
Unia medos e brincadeiras
separava convenções
Fragmentava o desejo.
Infantil
Buscava rostos
afetos
em jogos de faz de conta,
me perdia.
O soldadinho de chumbo não abriu o sorrriso que eu esperava
minha face se quebrou
cresci,
partindo...
e a viagem já estava decretada
desde a infância.
775

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Michel Gailard

UM NOTÁVEL TEXTO DE SUA AUTORIA Bom dia, Augusto Li este seu texto “TÂNTRICO E TIRÂNICO” publicado no site “ESCRITAS.ORG” e gostei bastante de sua forma de se expressar. Você é uma pessoa que sabe o que, e do que está falando. E olhe que esta arte de fazer versos é competência para uns poucos privilegiados. Mesmo sendo agente literário, e prestando serviços para várias editoras, recentemente publiquei alguns de meus escritos em uma antologia produzida pela Editora Palavra é Arte. O sistema que eles utilizam para o edição de livros é algo inédito. Nós autores não gastamos nada com produção da obra. Os exemplares nos são disponibilizados no sistema de venda consignada. Isto quer dizer que se alguns exemplares não forem vendidos, podemos devolvê-los, e estes serão doados a bibliotecas públicas e presídios, inclusive das cidades onde moramos. Como gostei muito da forma como você escreve, pedi permissão à editora para convidar você e mais oito outros autores, para participarem de uma das próximas edições. Se um de seus objetivos quanto à Literatura é ter seus textos publicados em forma de livro impresso, acredito que esta seja uma boa oportunidade. Por isto peço permissão para que façam contato com você e lhe enviem o material referente à publicação. Espero que desta forma, eu esteja retribuindo a sua amizade. Se for dar resposta a esta minha mensagem, gostaria de pedir-lhe que, por gentileza, envie sua resposta para o meu e-mail pessoal que é este: [email protected] Um abraço fraterno, Marc Burnier