Lista de Poemas
SOU NEGRO,SIM SENHOR
sou forte
na busca da sorte
e viver
sou bravo
sou rude
mas fiz o que pude
para sobreviver
não choro
e até oro
e os dias se esvaziam
na taça do sofrimento
mas não lamento
sou bom de argumento
o jeito é saber
o lugar de destaque
no som da atabaque
sou negro
sou um heròi.
ANDARILHO
Mochila
Matula
Ou cantil
Vou pelo Brasil
E pelas fronteiras
Caçando o El Dorado do existir
E na soleira da inquietude avisto a virtude
De poder encontrar
A Fonte da Vida Eterna em seu olhar
E andarilhando nos eflúvios poéticos
Da sua voz
Tamborilo ao compasso da canção
O tempo passa na argamassa do Destino
E eu menino choramingo a saudade
De um passado que longuíquo ficou.
E lá vou eu,alma em farrapos
Trançando os trapos do que restou.
IMAGINAÇÃO
Leva o sonhador a viajar
Pelo universo
Adverso do existir
E nas ruas vazias do seu sofrimento
Vai desenhando o desejo
De ser mais feliz
Gravando no espaço do pensamento
A melodia
A incerteza
A verdade
E o pesadelo de acordar.
A vida se desfaz
O passado é revirado
O futuro um ponto incerto
Todavia a imaginação
Faz com que o Poeta acorde feliz.
POIS NÃO TENHO NEM ARRANJO PRA ASSOVIO
Se escorregaram nas fímbrias da Saudade
E viraram poemas
Para quem puder me ler nas entrelinhas do sobreviver
E a Lua modorrenta espreguiça na amplidão
Enquanto os galhos do Flamboyant tentam filtrar a luz
Que insolente se instala na calçada
cheia de musgo verde alcatifa aveludada
que disfarça a sujeira
E o formigueiro assanhado
Segue a trilha maravilha da natureza.
O sabiá da laranjeira
Agora se delicia no pé de Acerola
Pois a boa chuva ainda não rola.
O jeito é cantar.
Pois não tenho nem arranjo prá assovio.
Saudades de minha neta
que povoava os nossos dias
trazendo alegria
Esperança e Poesia
Bateu asas e foi-se embora
E o vazio tal qual o frio
foi cortando a nossa alma
Todavia,lá de cima
Nas Planicies Celestiais
Erika Mell nos contempla
E então tudo nos acalma
E a saudade vira um vídeo tape
Na memória.
Corumbá destes meus Sonhos
E se encrava na barranca
Enquanto as Palmeiras Imperiais
Quais esguios Samurais
Dão adeus ao verde Pantanal que se descortina
Aos olhos de quem passa ali na Praça.
A minha cidade velha amiga de outros tempos
Vestuto templo de magia e encantamento
Se desenha no S que se desenrola nos camalotes
Levando viajantes e sonhadores pelo Rio Paraguai
E lá debaixo o Moinho Cultural Sentinela pétrea das Artes.
O Casario contempla o rio.
As embarcações insólitas:canoas,batelões,voadeiras,
Barco-Hotel sobem e descem pelo canal
Fazendo reverência ao Farol Balduino,
Solitário vigia das águas achocolatadas.
E o Minhocão-Aqueduto fica de porteiro na Curva-entrada
Da Baía Tamengo.
A minha Cidade Branca,Capital do Pantanal
Faz fronteira com a Bolívia!
O TEMPO PASSA
e eu já meio sem graça
desloco minha atenção
para os ponteiros do relógio
da Praça
e as Palmeiras Imperiais
balançam dolente
e a Avenida fica cheia de gente
E os faróis
brilhando como sóis
perturbam a sombra das figueirinhas
enquanto nos bancos casais se abrasçam
beijos tórridos
são estalos no ar
e o tempo passa
lá na esquina o bêbado toma a cachaça
no bico
e o jovem rico
bebe Coca Cola misturada com Vermuth.
E o tempo passa
ante os meus olhos
e nada posso fazer.
DIA DE SAUDADE
bateu na minha porta
E então meu coração
Se debulhou na emoção de recordar
Daqueles que se foram
Dos entes mais queridos
E o vídeo tape
Da memória
Desenrolou a história.
POETA DAS ESQUINAS
Sem bússula
Sem guia
Apenas pensando no alvorecer
E lá no céu na cesta do beleléu a Lua
Quase nua de nuvens desvenda o pudor
E o pássaro noturno espedaça o seu voo
Na cortina invisivel.
E em cada esquina a luzerna ilumina a solidão
Do existir
E o Poeta nem se importa
Com a sombra velha da porta
Vai vagando de esquina em esquina
Tomando o porre da nostalgia
Nem quer saber da alegria...
Em cada esquina vomita uma estrofe
E faz
das pedras um travesseiro.
Para dormir na incerteza de acordar
POETA DAS ESQUINAS
Sem bússula
Sem guia
Apenas pensando no alvorecer
E lá no céu na cesta do beleléu a Lua
Quase nua de nuvens desvenda o pudor
E o pássaro noturno espedaça o seu voo
Na cortina invisivel.
E em cada esquina a luzerna ilumina a solidão
Do existir
E o Poeta nem se importa
Com a sombra velha da porta
Vai vagando de esquina em esquina
Tomando o porre da nostalgia
Nem quer saber da alegria...
Em cada esquina vomita uma estrofe
E faz
das pedras um travesseiro.
Para dormir na incerteza de acordar
Comentários (1)
Seus poemas são profundos. Nos seus versos, escritos numa linguagem sóbria e bonita, eu li muita sensibilidade, ternura, maturidade e reflexão.