Bianca Lopes

Bianca Lopes

n. 2002 BR BR

Menina em rascunho. Um dia publico minha edição definitiva.

n. 2002-07-11, Rio de Janeiro

Perfil
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A voz

A voz que hoje se apresenta
Através desses versos sem métrica
É voz já um tanto cansada
Mas atenta

A voz que agora se mostra
Traz consigo alguma coisa de lágrima
Deixa tocar alguma nota de dor
É voz calejada, já sem pudor

Esta voz, que não decide
Entre ser altiva ou ser silenciosa
Transparece anseios de menina, que agride
Que traga a vida, segura e solta

Esta voz, que a duras penas sobrevive
Entre o calento e o abandono
Procura desejos de mulher, que não atingem limite
Que abrem portas e pernas, sem convite

Uso esta voz porque é a única que tenho
Não tem enfeites nem disfarces
Busca tão somente o deleite da coragem
Vive só pela esperança de não ter mais medo.
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Poemas

22

Reflexões de uma jovem poetisa

O primeiro poema é
Uma expressão ingênua
De uma cabeça
Que pensa
E acha que
Pensa alguma coisa importante
Ao ponto de ser escrita

O segundo poema é
Uma expressão fabricada
De um coração
Que tem medo
De não sentir algo
Tão genuíno assim

O segundo poema é 
Por regra geral
Ou acaso
Ou destino
Um poema pudico
Contido
Comprimido pela noção
De que o primeiro poema
Talvez não seja
Tão bom assim

E o primeiro poema
Segue inabalável
Sabendo que
Pode ser bom
Ou ruim
Mas tranquilo porque
Não existirá 
Outro como ele
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Inquietude

Não quero imitar Fernando Pessoa
Nem ser pretensiosa ao ponto de
Acreditar que posso escrever como Fernando Pessoa
Ou como qualquer outro poeta
Que se preze

Não quero passar a minha vida
Escrevendo neste caderno empoeirado
Ou em tantos outros cardernos empoeirados
Que moram nas minhas estantes 
Espalhadas pela casa

Não quero chegar aos 30 anos 
Lançar-me ao mar violento
Extravasando toda impulsividade que reservei
                                                       [por 30 anos
Para ser resgatada e precisar fingir
Que não queria morrer na praia

Não quero viver de frames da vida alheia
Nem ser enfadonha ao ponto de
Falar que não é tão importante assim a vida
                                                     [dos outros
Que se atirem de pontes e me comovam para
Que eu possa sentir algo profundo

Não quero imitar Fernando Pessoa
Nem Goethe, Nietzsche ou Sylvia Plath
Mas meu Desassossego é tão evidente
(Que para não imitar alguém)
Chamarei esta minha Redoma de Vidro de
Inquietude
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Comentários (2)

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Flaquiote
Flaquiote

Que bom, gostei galera

Bianca Lopes

Obrigada, João. Gosto muito dos teus versos!