C. A. Afonso

C. A. Afonso

n. 1962 PT PT

Escritor, poeta, Natural de Vinhais-Bragança com diversa obra publicada, poesia, romance e conto.

n. 1962-10-19, Vinhais- Bragança

Perfil
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Meu povo

Deram-te um unicórnio de sonho
Pincéis e tintas para grafitar,
Um muro cinzento e estranho
Onde o sol nunca vai raiar.

Disseram-te para ires à luta
E deixares de ser um menino,
Matar esses filhos da puta
Que te roubam o destino.

Não te deram espada, ou espingarda
Nem nada que se pareça,
Deram-te apenas uma farda
E um gorro para pôr na cabeça.

Uma bandeira na mão
Palavras da ordem do dia,
E fazes a revolução
Sem amor, sem autoria.

Deram-te promessas, em vão,
E uma canção que te acalma,
E assim te tiram o pão,
E assim te roubam a alma.

21/12/2015
C. A. Afonso
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Biografia
C. A. Afonso

Nascido em 1962 em Nuzedo de Cima-Vinhais, Licenciado em Psicologia Clínica e representado pela Ordem dos Psicólogos, Mestrado em Comportamento Desviante e a desenvolver Doutoramento em Ciências Forenses. 

Foi Oficial Miliciano no Centro de Instrução em Operações Especiais-RANGERS em Lamego de 1983-1985.

Encontra-se desde outubro de 2022 na disponibilidade depois de 37 anos consecutivos ao serviço da Polícia Judiciária, onde foi coordenador de investigação criminal na Secção de Informação da Unidade de Cibercrime.

É formador certificado pelo IEFP e pelo Instituto de Polícia Judiciária e Ciências Criminais. 

É Diretor de Psicodrama , Sócio Titular da Sociedade Portuguesa de Psicodrama tendo realizado a supervisão clínica com o Professor José Luís Pio de Abreu de Coimbra e Professor Roma Torres do Porto.

Professor Convidado pelo ISCSP desde 2012 na Pós-Graduação de Antropologia Biológica e Forense onde fundou o Tema de PROFILLING CRIMINAL.

Foi dirigente da ASFICPJ, fundador do Gabinete de Psicologia e Aconselhamento deste sindicato, Gabinete que dirigiu de 2005 a 2022.

Diretor da Revista de Investigação Criminal e Ciências Forenses pertencente a este sindicato da Polícia Judiciária de 2019 a 2022.

Fundador do Observatório da Investigação Criminal e Ciências Forenses e da Associação Portuguesa de Psicologia Judiciária e Ciências Forenses.

Fundador da Academia de Letras de Trás-os-Montes da qual é o Sócio nº 3.

Associado da Academia de Letras e Artes de Portugal.

Participou em diversos programas televisivos sobre criminalidade, nomeadamente nos Casos O Estripador de Lisboa para TVI e ANÓNIMOS na RTP1 e comentou muitos outros casos mediáticos nacionais e estrangeiros.

Representado pela Sociedade Portuguesa de Autores e é autor de diversos Livros nas modalidades de Poesia, Romance e Conto, tendo iniciado a sua atividade literária nos Jornais Correio da Manhã, Diário de Notícias e Jornal de Poetas e Trovadores.

Três dos seus livros fazem parte do plano nacional de leitura em escolas nacionais como o caso do romance A ESPADA DE SANTA MARIA, em Portimão e Aveiro, ANTOLOGIA BREVE em Portimão e A HORA DO LOBO em Caldas da Rainha.

Tem efetuado diversas intervenções em escolas um pouco por todo o país nomeadamente em Lisboa, Leiria, Aveiro, Portimão, Guimarães, Angra do Heroísmo, Ferreira do Alentejo, Caldas da Rainha entre outros. 

A sua poesia e contos foram ainda trabalhados como tema anual em escolas noutros países de língua portuguesa como foi em São Paulo - Brasil onde participou em debates com alunos e professores através de ligações online.  

Em termos bibliográficos tem uma obra dispersa no tempo que se iniciou em 1982 e prossegue até aos dias de hoje conforme seguidamente descrita:
BIBLIOGRAFIA:

Edições individuais:

1982 - A Sombra da Minha, Poesia.

1995 – Paisagem da Lua-verde, Poesia

1996 – Circulo Ardente, Poesia,

2014 -  A Espada de Santa Maria, Romance.

2018 – A Hora do Lobo, Contos de Montesinho

2018 – Antologia Breve, Poesia, Antologia Poética.

2020 – A Forma das Horas, Poesia, Antologia Poética.

 

Coletivos:

1986- III Antologia de Poesia Portuguesa Contemporânea, Poesia. Lisboa.

1996 – Bosque Flutuante, Poesia, Antologia Poética contemporânea. Lisboa.

1998 – Um outro olhar, Poesia e Conto, Colectânea da Polícia Judiciária. Lisboa.

2016 – Love Box de Ricardo Passos, Textos de vários autores e ilustrações de Ricardo Passos. Lisboa.

2019 – Poetas D’hoje Cantam a Saudade, Colectânea do Grupo de Poesia Beira Ria – Aveiro.

2022 – Um diamante de histórias, Colectânea de contos da Polícia Judiciária. Lisboa.


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Poemas

45

Criança em ruínas

Tenho quatro anos
Que fiz no infantário
A mãe diz-me que estamos
A dois do ensino primário

Chega, ao fim da tarde
Conversa co’ a empregada
Por mais que eu a apresse
Ela diz: – Não demoro nada!

Eu quero ir embora
Preciso do meu quarto
É tão tarde esta hora
E eu sinto-me tão farto

Passei o dia inteiro
A cumprir tantos deveres
Que até lhe sinto o cheiro
Em todas as mulheres

Vou dizer ao meu pai
Que a mãe está cansada
Por vezes ela sai
E esquece-se da estrada

Senta-se e chora, perdida,
Como se fora outra alma
Como se fora outra vida!
Vida que não tem calma

E eu perco-me com ela
Ficamos os dois sem norte
Sem porta e sem janela
Que nos traga a luz da sorte

Não me posso dispersar
Preciso de ver o meu pai
Dizer-lhe para ficar
Que sem ele o mundo cai

Mas ele também se perdeu
Esqueceu-se da morada
Ou quem sabe morreu
Sozinho no vão da escada.

Percorro o secundário
Subo e desço as ermidas
Desde o ensino primário
Passaram-se tantas vidas

Preciso do meu quarto
Deitar-me na minha cama
É lá que ouço mais perto
Aquela voz que me chama

É lá onde estou comigo
E teço o meu horizonte,
O meu deserto o meu abrigo
Onde o mundo está distante.

É lá que vou encontrar-te
Ao chegar a minha hora
É lá que eu vou dizer-te:
– Pai, nunca foste embora.

C. A. Afonso
152

Mulher de março

A mulher de Março
Aquela que luta
Com desembaraço
Contra filhos da puta!

Os filhos da puta
Da porta da frente
Com coragem luta
Em contracorrente

Quebra as amarras
Ganha liberdades
Amor que separas
Mentiras verdades

A mulher de Março
Nasceu da semente
Moldada no aço
Da dor que não sente.

É alma, é corpo
É luz transparente
É instante, é sopro
A força da gente.

03/03/2017
C. A. Afonso
142

Não ter pressa

Nunca ter pressa.
Ter pressa é perder-se do tempo,
Cair por dentro do instante, em movimento,
Passar para a frente do agora
E esquecer-se da aurora.
Ter pressa é sair a correr pela vida
Sem passar na porta de casa,
É não arder intensamente
Quando se é brasa.
Ter pressa é fugir da jornada
Não parar para escutar o que se é,
Seguir sem nunca mudar de estrada
E perder a fé.

17/01/2020
C. A. Afonso
139

Neófito, quem és?

Não sei como chegaste até mim!
Vieste suavemente
Descer ao centro da terra
Onde ficaste encerrado.
Ali despiste a vida e renasceste,
Ali cada ideia em ti morreu
Como os teus preconceitos,
Um novo tu se forjou na terra de breu.
Permaneceste longo tempo calado
À espera que a palavra te encontrasse.
Para que o teu novo eu,
Despido de todos os metais,
Se revelasse com audácia.
E agora és matéria de um novo universo
Tudo o que és se revelou à sombra da acácia.
Neófito, doaste o teu coração
Para construir um templo de alegria,
O teu caminho, trilhado de imperfeição,
Molda as cordas do templo de Salomão,
Talhas a pedra da meia-noite ao meio dia.

30.12.2017
C. A. Afonso
149

Basta!

Tem de haver um momento em que dizer basta é mesmo
basta.
Um momento em que tudo cessa no mais quieto instante
porque tu queres.
Como um botão que desliga o tempo
e interrompe o devir.
E assim ficar suspenso num astro ou estrela, sem pensamentos
ou memórias.
Sem ruído ao fundo
apenas aragem na carícia da pele,
Existir em fotografia captada nesse instante
e depois,
quando apetecer viver
encontrar o mundo mais adiante.

19/09/2019
C. A. Afonso
139

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