Lista de Poemas

AFAGO AUSENTE!

todos os poemas já escritos são ineficientes
as folhas já caídas são ineficientes
os afetos que desenvolvo ora são frágeis
ora são ineficientes
ah e o afago?
o afago é um café quente!
mesmo quando cafés são ineficientes
o afago é um poema quente!

os melhores afagos custam
bem menos que 50 reais e duas
noites sozinhas

e seria tão mais fácil se, bem
de manhãzinha, fôssemos a uma
cafeteria e pedíssemos um
afago expresso,
pra viagem.

mas as coisas são ineficientes

e o meu afago é o afago ausente!
241

PARIDO!

Pessoas deprimidas são um sério problema
para o mundo
pois apenas enfatizam o quão duvidoso ele é
já dizia o velho Durkheim
para todos os suicidas de plantão;
ah como tudo é taciturno
e quando escrevo os poemas
no período noturno
tenho dúvidas a respeito
das coisas mais simplistas
e radiantes...

a escuridão
consome
consome
e consome

Desculpe-nos, Yoñlu, foi um tremendo engano!

Eu me sinto sozinho
como nunca me senti

sequer saberei
sobre o Universo
e sobre as estrelas
sobre os livros de fantasia
sobre ex-amores, sobre
os livros de poesia

Eu não estava
preparado
para nascer!
242

Ao relento

Ao relento, no sereno da noite
       temo ser inexistência
como vi quem inexistiu
       por tanto morrer de desejos
       de enrolar-se em braços
       onde a Não-Reciprocidade
       habitava e festejava.
Ao relento, no sereno da manhã
       temi o meu reflexo
       como em um espelho
       entretanto, haviam momentos em
       que o reflexo do espelho agisse
       tão ríspido e afiado quanto
       lâmina de navalha.
      
Ao relento, no sereno da vida
       vi o amor cair do céu
assim como os dinossauros viram cair
  o tal do meteoro

O amor sou eu, e eu me devoro!
Não cultive afetos que possam te destruir.
272

Uma Cagada na Privada do Universo

Certas manhãs
eu sou uma cagada na
privada do universo

o destino é um peido fedido
de alguém emocionalmente feio

o mundo segue padrões estéticos
infundáveis impossíveis inviáveis

a poesia ronca no meio do meu peito
um estrondo nu do tamanho dos gozos
em versos

e há amores, pelo que vejo, que são
como céus calmos e azuis de meia dúzia
de nuvens carentes
e então
o apocalipse chuvoso relampeja
nos céus calmos do amor!

quando dei por mim
compreendi e aprendi sobre algumas artes
e sensos estéticos
eu beijei as nuvens de algodão ensanguentado
eu fodi o vão livre do MASP
[que é tão vazio quanto o presidente]
e eu fui me deitar em minha cama
num dos mausoléus do
Cemitério da Consolação.
263

Comentários (1)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.
allycia

Que lindo seus poemas, pela sua biografia dá vontade de amigar contigo! Hahaha

me chamo Caio, tenho 18, sou estudante de jornalismo e tenho o sol em libra e a lua em câncer. Às vezes escrevo um poema ou outro. Tomo café mais do que a minha tag tolera, gosto de marcar páginas com objetos inusitados. Coleciono folhas secas e tenho uma cachorrinha que se chama Luna. La Voyage dans la Luna. Tenho como passatempo chorar escutando Smiths e fazer piadas extremamente sem graças que acabam sendo divertidas. Ando muito pela avenida Paulista, e gosto bastante de livros de bolso.
https://www.facebook.com/evoepoetico/https://www.instagram.com/_fuckingp0et/caioneumannalves@gmail.com