camila_duarte

camila_duarte

n. 2003 PT PT

n. 2003-01-10, Coimbra

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A menina-satélite

Lábios metálicos, 
Olhos dourados, 
venda de prata.

Sangue verde
nos dedos molhados.

Na torrente 
Das lágrimas de diamante, 
Um punhal de terra e água 
Atravessando o peito;

Uma labareda azul no ventre 
E um farrapo em cada pulso. 

Unhas pixeladas, desfazendo um
Malmequer:

Vagueia pela eternidade, sentada 
Na ponta de uma lua qualquer.
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Poemas

1

Somos flores

Se me tirarem o segundo 
É o fim. 
Aquela casa velha e esburacada
É a memória amargurada da moleirinha 
Que já não cresce entre o musgo; 
É o resto de tudo e o vestígio do nada, 
Lembrando apenas o suspiro da velhice;
É a nostalgia do cheiro a relva, a fruta, 
A canja e talvez a bolo da padeira; 
É a reminiscência enevoada do que foi 
Família, ou nunca foi; 
É o beijo carinhoso dos pais dos meus pais, 
Canção de embalar que ecoa da sepultura;
É o desmembramento da realidade de um dia, 
Da qual sobra pouco; 
É a evidência do nada perante o desabar do mundo, 
É a finitude, o breve trilho que percorremos, 
O sorriso que é mortiço e passageiro;
É o funeral da terrinha, o enterro do bailarico, 
A miséria da filha e da neta, do cão também;
É a última página do livro. Desconcerta... 
Nem sabemos como o fechar e abandonar na prateleira,
Às teias.
É a flor que murcha, queixando-se do sol, da chuva, da terra: 
De tudo o que a fez florir. 
Damos flores e recebemos flores. 
Vivos ou mortos, somos flores. 
Da terra nascem, na terra caem. 
No mundo entram, do mundo saem.
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Thaís Fontenele

Belas poesias, amei!