camila_duarte

camila_duarte

n. 2003 PT PT

n. 2003-01-10, Coimbra

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A menina-satélite

Lábios metálicos, 
Olhos dourados, 
venda de prata.

Sangue verde
nos dedos molhados.

Na torrente 
Das lágrimas de diamante, 
Um punhal de terra e água 
Atravessando o peito;

Uma labareda azul no ventre 
E um farrapo em cada pulso. 

Unhas pixeladas, desfazendo um
Malmequer:

Vagueia pela eternidade, sentada 
Na ponta de uma lua qualquer.
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Poemas

6

Louça e outros troféus

Não quero ser a louça branca

Exposta na parede de ninguém.

 

E se for,

Terei restos de comida,

Serei um prato de porcelana mal lavado,

Lascado na beira,

Rachado no centro,

Com pó suficiente para mostrar

A sua insignificância.

 

Prefiro que me quebrem de uso

Do que me exponham por inutilidade.

18

Sobre fruta

Todos querem descascar e,

Se for macia, trincam com prazer.

 

Mas o caroço, esse dá dor de dentes.

Raros são os que sabem fazer uso dele.

 

 

 Quanto mais para dentro, mais duro fica.

10

Navalha

As rugas

Não são do tempo

São do sol

Do mato

Do milho defolhado

Da fazenda em combustão

Do carvão que se desfaz

Da terra presa nas unhas

 

As rugas

São fábulas perdidas

Na rudeza da época

 

As rugas

São asfalto do Estado Novo

São carícias de Salazar

 

As rugas

São o grito entalado na derme

São o artifício da mulher silenciada

 

Esta mulher carregava

Nos olhos

A navalha

Da revolução

7

Traição às plaquetas

Ai

Como eu preciso

De estancar

O sangue

 

Mas

 

Ai

Como eu gosto

De arrancar

A crosta

8

Balança

A escassez de tempo

Traz a abundância de afeto

9

Políticos não lavam os dentes

Só fazem
Branqueamento.

6

Comentários (1)

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Thaís Fontenele

Belas poesias, amei!