carlos Henrique Rodrigues Roque

carlos Henrique Rodrigues Roque

n. 2001 BR BR

n. 2001-09-10, Arcos MG

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Maldito Eros

Quanto menos me amam,
mais eu amo.

Como se Eros,
em sua ironia cruel,
tivesse feito de mim
discípulo da ausência.

Platão dizia
que a paixão é uma doença da alma,
um movimento desordenado
de um espírito debilitado.

E talvez seja isso.

Talvez exista em mim
algo enfermo
que transforma rejeição em desejo
e distância em devoção.

Sempre anseio aquilo
que não posso ter.

O inalcançável me seduz
como o horizonte seduz o náufrago:
quanto mais distante,
mais irresistível parece.

O meu amor cresce no abandono.
Floresce na distância.
Incendeia no silêncio.

Como se a falta do outro
alimentasse em mim
uma necessidade desesperada
de amar por dois.

E então permaneço,
mesmo diante do frio,
mesmo diante da ausência,
como um homem sedento
bebendo água do mar,
sem perceber
que aquilo que o mantém vivo
também o destrói.

Talvez Schopenhauer estivesse certo:
amar é apenas a vontade
fazendo do homem
servo de suas próprias ilusões.

Porque quanto menos recebo,
mais ofereço.

Quanto menos existo no outro,
mais o outro ocupa espaço em mim.

E assim sigo,
movido por essa estranha enfermidade,
tentando transformar migalhas
em eternidade.

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Poemas

13

Quem realmente importa

Dedico este poema à pessoa que sempre mereceu minha dedicação, embora eu nunca tenha tido olhos para ela; recentemente, tenho aprendido a amá-la pouco a pouco. Busquei nos outros o que sempre esteve dentro de mim mesmo. Estar só não me traz uma paz profunda, mas me permite encarar face a face quem eu realmente sou. Às vezes, essa solidão me assusta, mas também me concede pensamentos intrigantes. A cada café matinal, valorizo ainda mais minha própria companhia, aquela que negligenciei por tanto tempo. Em cada ida ao cinema, risada e nova experiência, percebo que o amor verdadeiro sempre esteve dentro de mim.

Hoje compreendo que antes de escrever versos para amores externos, deveria ter tecido milhares deles para mim mesmo. Agora sei como apreciar minha própria presença, amar cada detalhe que me compõe. Namorar a si mesmo é uma arte que nos leva a reflexões profundas, nos eleva a um patamar onde nenhum amor externo pode alcançar.

Entendo que este poema não é apenas importante para mim; seria egoísmo guardá-lo só para mim. Por isso, compartilho estas palavras na esperança de que todos que, como eu, priorizaram o amor pelo outro em detrimento de si mesmos, possam ler e começar a se amar um pouco mais. Que estas palavras breves possam inspirar o autoamor e valorizar a companhia daqueles que realmente importam "nos mesmos".

Carlos Roque
28/05/2024

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o cão

O cão  
O cão olha dentro dos seus olhos, 
Como se ele realmente soubesse quem você é, 
Como se ele te conhecesse mais que você mesmo, 
O cão olha com pena, 
O cão olha com profundidade, e também um pingo de tristeza. 
Não por ele mas por você, porque ele sabe que você  
Esta magoado com o mundo.

Carlos Henrique Rodrigues Roque 08/01/2021.
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quem eu sou?

Quem sou eu? 
Quem sou no vazio das noites mais escuras, 
De um céu iluminado por estrelas mortas? 
O que seria a morte? 
Seria a morte algo doloroso? 
Bom eu não vejo a morte como algo ruim 
Creio eu, que seja algo completamente efêmero! 
Como uma estrela cadente que brilha como os olhos da senhora morte  
Passando rapidamente pelos céus paulistanos. 
 
As vezes me pego pensando na solidão! 
E me pergunto se sou uma pessoa só! 
As vezes minha solidão me assusta 
Como um bicho papão de baixo da cama, 
Mas as vezes consigo encontrar meu verdadeiro eu, diante da solidão 
Mesmo que por alguns segundos. 
 
Mas a verdadeira pergunta é! 
Quem é o meu eu verdadeiro? 
Ainda não consegui responder essa pergunta! 
Talvez só irei descobrir, 
Quando a estrela cadente sobrevoar sobre meus olhos cansados 
E eu desposar sobre uma cama de flores 
 

( Carlos Henrique Rodrigues Roque ) 31/12/2020
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