FRIBURGO
O grito da serra não se cala. Mas o choro abala suas encostas, e mãos correm em busca de outras mãos, olhos ávidos de esperanças tentam alcançar os seus pares.
E a ignorância de quem manda escreve em tom autoritário sem autoridade: AFASTEM-SE ESTAMOS EM OBRAS.
Seres despedaçaram sonhos tantos.
Vidas engolidas e o porvir é só o choro, a lágrima seca da perda a lamuria, a pergunta sem resposta e o desabafo engolido em pranto.
E mesmo assim, as orquídeas teimam dizer em lindas cores:
EU AINDA ESTOU AQUI.
OTICA REPUDICA
Desnudagem de pensamento, secura de lágrima, esticamento de saudades. Todo sentimento sofre a dura rejeição de uma incompreensível repudia.
Talvez sejamos culpados, pois o nosso teor de egoismo é muito forte e nos sufoca, sufocando também quem a gente tanto ama.
Não procure compreender as pessoas, pois elas (tal qual você) mudam de comportamento e estão sempre em busca de mudanças, pois a vida é um carrossel de sonhos e buscas.
Os nossos pensamentos vagueiam no infinito, mira ao longe até o imperceptível e nos lança sempre adiante em busca do desconhecido.
Onde pretendemos chegar, o que nos bastaria, corremos atrás de que,porque, e prá que?Fama, status social, casa luxuosa carro do ano, mega investidor na bolsa de valores, dono de haras, com manga larga e puro sangue desfilando aos nossos olhos? Riqueza, conquista poder.Talvez esqueçamos de que o verbo “SER” seja mais importante que o verbo “TER”. Ou não ? TER SUPERA O SER?
TER dá direito a convites, viagens, férias a hora que quiser. ”AMIGOS” nossa, e como aparecem amigos, tapas nas costas, cartões de credito, reuniões com figurões da alta sociedade. É isso? E o SER: Diz-me com quem andas e parará, parará...
Empregado (ou não) reclama do gas da água, do aluguel, luta e não consegue dá conta das contas que não param de chegar, pede algum emprestado, o outro que mais tem não se aproxima tanto temendo ser a próxima vitima de um empréstimo.
Emprestar dinheiro a pobre, é pedir esmola prá dois... Eu tô defendendo o meu, e cada um que se vire. Se eu puder aproveitar de algo, usarei qualquer um para conseguir estar bem. Eu, eu e mais eu... (Pensamentos e falas de canalhas que absolvem o talento e explora a miséria de quem o procura). Afaste-se desses antes que morras de tédio e nojo.
Mas seja sempre confiante. Orgulhando-se do SER, pois o TER, um dia desmorona.Já parou para analisar a solidez do muro de Berlim, As torres gêmeas do World Trade Center de Nova Iorque?
O TER, a sua tendência é cair por terra e encontrar o chão como abrigo final, e junto com a queda, os escombros de toda uma prepotência falida jogada ao pó.
Mesmo sem TER, eu prefiro SER, pois sendo, não Terei que dar satisfação aos hipócritas e seus verbetes de cristais expelidos como forma de veneno.
Para conhecer um pouco mais do meu trabalho literal, acesse: www.recantodasletras.com.br/autores/apora
No youtube digite:Estrangeirismo ou Carlos Silva Poeta
Musicas: http://bandasdegaragem.com.br/carlossilvacantador
http://cantoresecompositores.com.br
Boa leitura e boa audição a todos.
TEREZA
Os olhos de Tereza eram luzes
Prumo de viagem,farol de ida em rumo certo.
A boca de Tereza era uma gruta de mel,servido ao nectar sublime do beijar molhado e atiçando as partes escondidas no linho do.meu vestir. Tereza ria.
Os seios de Tereza,palpáveis no aveludar das mãos massageando auréola e bicos empinados apontando pra lua do céu da minha boca.
A pele desnuda,lisa e arrepiada de Tereza,eriçava pelos e tremia a voz mesmo sem ser frio, num calor abrasador envolto em delírios puros chamados desejos.
As curvas de Tereza, confluências de rotas a seguir,já sabendo onde queria chegar.
O mar bailando espumas claras, convidando Tereza a cirandar seus gritos de liberdade, cavalgando firme sem pensar em cansaço do galope.
Assim era a minha doce Tereza, (Tê, Téca) antes de vê-la balbuciar suas últimas palavras dizendo adeus, sustentando um malicioso sorriso, mordendo o lábio inferior, deixando-me assim, num mar de solitários devaneios, desperto pelo sol quebrando com seus raios o anúncio para o meu acordar.
Cadê Tereza?
Deve estar dormindo ou nesse exato momento acordando, noutros braços que não os meus.
AH, SE O HOMEM SOUBESSE
Na vida tudo acontece,
Alguém sobe, outro desce,
Buscam santo fazem prece
Sem saber que nem merece
Pois promessa aborrece
Que até santo desaparece
Enquanto a aranha a teia tece
O sol lá fora resplandece
Traz calor a terra aquece
E um novo dia amanhece
E todo mundo enriquece
Ah se o Homem soubesse
Que a vida refloresce
Se uma chance ele desse
E com Deus sempre estivesse
Porém ele emudece,
O coração escurece
E Nosso Pai entristece
Sem razão desobedece
Mas Deus nunca se enfurece
Espera que o Homem regresse
E nova vida recomece
Onde o viver engrandece
O nome de Deus enaltece
E a natureza agradece
CAVALEIRO ENCOURAÇADO
Chapéu de couro, jaleco, gibão,guarda peito e perneira. Taca de couro cru, espora prateada, luva de couro, olhar fixo na caatinga, pra ver pra onde corre o boi.
Laço preparado, mãos aflitas, cavalo arrediu querendo partir, gesticulando a pata como se cavasse o chão na expectativa do sinal para arrancada.
Vento parado, suor no rosto, retrata a quentura deste solo árido e desvisitado de chuva nesta estação.
Eita chão quente, mais se parece com uma fornalha. Mas, ali está a figura forte do vaqueiro encouraçado feito tatu, só de fora decifravel, os olhos atentos aos movimentos.
Parte o boi, caatinga a dentro, calumbi, serra guela, pau de colher,quebra facão, tudo passa na velocidade do vento, galho de candeia se tora, toco de jurema se deita, poeira levanta grito se houve no ôco do mato cercado de tantos misterios, compartilhados pelos personagens principais:O BOI, O CAVALO O CAVALEIRO ENCOURAÇADO, A CORAGEM A DETERMINAÇÃO DA LIDA.
Deu vista boa, pegou o laço, girou no ar,a corda de couro fez um bailado zunindo no vento, o lance aplicado, o alvo atingido o grito de guerra "EIA" ecoa feito estampido de arma possante, estrondando no seco solo da lida.
Pescoço do boi, agora não mais livre, e sim dominado pelas ageis mãos e fortes braços do encouraçado Homem da caatinga.
Domador de feras na lida diária do sertão.
Oficio dos seus antepassados, outros encouraçados herois de sina acatingada pelo viver soberano da fortaleza do ser.
AUTOMOBILITIZANDO VERSOS
A minha prima ELBA é uma BESTA,não KOMBInava com nada.
Sonhava com FOCUS de luzes NEON de IPANEMA como se esperasse um PRÊMIUM
Seu olhar OFUSCA feito ECLIPSE.
Queria pegar STRADA ir até a ilha de MARAJÓ pescar.
Parecia uma PERUA em dia de VERANEIO, onde se joga bola, fazem GOL, PARATI, para mim.
So assistia a programação da FOX e o seu sorriso causava ECOS.
MERCEDES era diferente, queria conhecer o circuito de MONZA, casar-se com um sobrinho do milionário FERRARI.Gostava de de fazer VOYAGE, pelo mundo.
Mas, KA pra nós, preferia a zona sul que morar em BRASILIA, pois lá, poderia montar um CORCEL BIANCO ou seu MUSTANG vermelho de crinas bem aparadas.
A cicatriz que tinha no rosto, virou EX CORT,devido a cirurgia feita pelo Dr RENAULT, na clinica PEUGEOT na rua MERIVA numero 1113 ao lado da escola de KADETE próximo ao campo de GOLF.
Ela gostava de FIESTA, desfilava exibindo seus AIRBAGS e o seu PORTA MALAS chamava a atenção de todos.
Só reclamava do transito:
VOLKS dum lado,
CHEVROLET do outro
FORD na frente, FORD atrás
FORD na frente FORD atrás ... coisas de cidade grande
DESPEDIDA
Chegou.
Sim, chegou o dia da minha partida.Eu que tanto lutei em busca de vida calma, dias brandos, vida social estável, família feliz, risos largos, conquistas e bem estar.
Procurei em vão, o que a vida não quis que eu encontrasse, adquirisse ou tivesse.
Não serei o ORGULHO DA FAMÍLIA, o conquistador que acreditou, correu atrás, batalhou, se humilhou tanto e conseguiu realizar sonhos.
O que dirão meus filhos, minha esposa? Eu não sei. Mas sei que foram parceiros e nunca me deixaram parar por conta de desânimo, mesmo vendo a realidade estampada de perto, quando por algumas vezes, algumas moedas escorregaram e ficamos sem fazer a nossa feira. Mas estávamos juntos sempre, acreditando no raiar de um novo dia, onde algum Chamado para alguma apresentação aparecesse. Nada, cada dia era uma tortura, uma espera e idas ao computador verificando mensagens que só vinham para aumentar ainda mais a minha dor. Amigos, tive poucos tão poucos que na mão caberia conta-los e quem sabe até ainda sobrassem dedos.(não sei).
Acho que sonhei demais, acreditei demais, depositei confiança em investimento sem retorno e vivi como vivem os loucos acreditando que tudo é azul e que a vida é um intenso mar de rosas. Para mim não foi.
E agora sinto o peso do corpo reclamar as tantas idas e dormidas em estradas e rodoviárias, em busca de um sonho que só me fez dormir, dormir e chegar ao ponto de dizer: CANSEI. Melhor que a morte me abrace, para evitar que meus olhos ainda vejam as minhas frustrações e negações que me foram impostas por tantos que tanto tinham e nada dividiram.
Amigos... amigos... Quantos restaram no caminhar? Confesso que sinto falta de alguns do começo da caminhada, mas é melhor que cada um siga seu rumo, pelo menos os que não valem apena ser lembrado, confesso que luto todo dia para esquece-los de vez.
Quero partir em paz, sem mágoas, sem lembranças amargas que possa despurificar o meu espirito. Não sei se terei um lugar reservado embaixo da árvore de vida, não sei se Cristo me aceitará em seu reino, não sei se viverei a vida eterna ao lado dos escolhidos.
O fato é que, se for para ainda estar aqui nessas proporções, bem melhor será a despedida e estarei aqui Ó Morte, de braços abertos e se você quiser vir agora que venha, mas saiba que levarás um cabra arretado que lutou até a hora exata de dizer: CANSEI.
E quer saber de uma coisa Morte: VÁ PRA PUTA QUE LHE PARIU, e se se você pensa que vou por minha conta, vá se arrombar. Se quiser venha me buscar, pois já estou preparado para isso e disso tudo eu já sabia, desde o dia 14 de abril de 1963.
Despedida, flores, caixão, tanto feladaputa em volta que chegará para minha esposa e filhos e (TALVEZ) dirão: SE PRECISAR DE ALGO ESTOU A DISPOSIÇÃO... QUALQUER COISA BASTA CHAMAR. Porque não disse antes quando eu peregrinava de bar em bar, feito puta se entregando para o oficio e desse trazer para casa o da feira?
Peço á minha família,(PARA CONSERVAR A NOSSA DIGNIDADE) que nem um pedaço de verso meu seja dado pra ninguém, pois me custou caro cria-los e muitos deles revelam as duras penas que arrastei no meu prosseguir, para tentar criar a minha família.
Para muitos artistas famosos mandei musicas, e esses, nem se deram ao luxo de responder, para varias editoras mandei meus escritos, e estas só querem dinheiro para lançar livros. Que bom que as gravadoras, quebraram, em breve, muitas editoras também beberão o seu próprio veneno e quem sabe vão escrever no inferno suas novas publicações.
Quero me despedir fazendo com que o mundo saiba: EU LUTEI, TENTEI, INVESTI, FUI FUNDO E NO ENTANTO, não tenho muito do que me orgulhar. Percebi que MUITAS PESSOAS são e agem como verdadeiras putas: ADORAM ELOGIOS E NÃO IMPORTA DE QUEM OU DE ONDE VENHAM.
Qualquer hora dessas, chegará a minha hora e depois que eu me for, que me importarão os teus cuidados para comigo ou para minha família?
Talvez seja besteira, mas se eu morrer aqui, quero ser enterrado em Itamira, lá na Serra do Aporá, junto do meu pai.
Perdão a quem feri nessa caminhada, mas não queiram abraçar os meus queridos, com tua falsidade que nunca teve a honra de bater na minha porta. Contudo, que não haja em mim a condenação para ninguém e que Deus lave a minha alma e me conduza a vida eterna junto aos seus escolhidos, no dia DO GRANDE DIA.
SÃO PAULO DE TODOS NÓS
Quem dera mergulhar em águas imaginárias e, ao emergir, fixar meu olhar no ponto onde tudo começou.
Quem sabe meus pés calcassem então o solo enlameado e virgem de projetos e edificações.
Quem sabe dissesse ao colonizador: “O que estás ajudando a construir hoje tornar-se-á, no futuro, o espaço das grandes concentrações voltadas para o lazer, a informação e a cultura. Enfim, para a vida...
Aqui, onde depositas a pedra fundamental, milhares de passos passarão pisando.
Talvez alheios a tudo que hoje aqui ocorre.
Noutros,, porém – sobretudo aqueles com olhares poéticos,lúdicos e boêmios, repousarão inspirados versos,cantigas,contos e cantorias.
E, mesmo que não verbalizem um agradecimento sonoro que se faça ouvir em toda a plenitude, tenham a certeza de uma coisa: no íntimo de cada ser, desses capazes de enxergar com a ótica poética, haverá ao menos um filete de regozijo e satisfação por estar aqui.
Teus olhos, ó idealizador, obviamente já tragados há muito pelo solo – pois isso dar-se á daqui a mais de quatro centenas e meia de anos – não verão nada disso.
Desde já conforta-te, porém, em saber que tu serás lembrado.
E quando as cortinas do sol abrirem-se no horizonte, e quando vários poetas estiverem reunidos, então saberei que neste dia os calendários do nosso solo paulistano estarão marcando histórica data de 25 de Janeiro.
Teu gesto então será celebrado por aqueles que carregam no coração o amor por esta mãe-metrópole tão receptiva e hospedeira.
Que não faz distinção de raça, cor, credo.
E que a todos se dá, sem nada esperar em troca.
A não ser o gozo pela vida e pela preservação de sua própria história.
UM MUNDO, CALADO E TRISTE
O vazio preencheu a nossa vida e transbordou solidão em nosso prosseguir.
Paramos no tempo, calamos as vozes enquanto que as plateias ficaram mudas e assustadas.
Não mais ninguém nas ruas a andar livremente sem a menor preocupação, onde todo espirro dado, era apenas o anuncio de uma possível gripe, que com um chá de limão logo se curava.
Não mais fontes, para receber as moedas lançadas pelo alcance dos desejos. Não mais praias lotadas com gente em busca do bronze perfeito.
Não mais dei, e nem recebi um simples abraço e se o fiz, foi com receio exagerado para não levar e não adquirir um contágio.
Não, eu não recebo visitas e já não lhes dou a minha presença em suas casas.
Nas ruas (SOLITÁRIAS E TRISTES), os rostos estão semi--irreconhecíveis e as pessoas são apenas transeuntes mascarados, o que dificulta um rápido cumprimento ou um aceno mesmo que tímido por não reconhecer a pessoa que por ti acabara de passar. Onde estão ás nossas crianças, que fazendo firulas agitavam as praças extraindo risos dos idosos que se banhavam ao por do sol, a contemplar as graças que lhes eram oferecidas pela vida livre e solta?
Onde estão os artistas, os músicos que no oficio de execução dos seus instrumentos, destes extraiam sons nas praças que juntava gente que em gratidão, salpicavam uns trocados nos estojos destes instrumentos?
Por onde andam os poetas que declamavam obras marcantes de celebres pensadores, e onde estão os artistas plásticos que pintavam ao ar livre, ouvindo uma musica clássica para melhor inspiração da sua obra?
Onde estão os nossos sorrisos largos, e para onde foram muitas pessoas no mundo que nem se quer as conhecíamos, mas sempre tivemos a certeza que todos eram e sempre serão os nossos irmãos?
Óh natureza, devolve nossas vidas, para darmos continuidade aos passos daqueles que tiveram o seu caminhar interrompido e prometemos melhorar o nosso comportamento com o mundo todo, a partir de ontem.