carloscorrea

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Em algum lugar da noite

Caminho devagar me insinuo à noite 

Por minha janela o ar frio da madrugada

Impregna meus tecidos até que eu a escute

Olho às estrelas parece que cada uma está apagada

 

Presto então atenção e percebo as luzes

Que piscam sozinhas espalhadas pela cidade

São tantas as fontes que tudo isso nos seduz

De repente pretendemos brilhar mais que a verdade

 

Fato é que a luz das estrelas está ali nos guiando

Elas mesmas já se foram mas suas mensagens 

Continuam a nos inspirar continuam nos impregnando

De sentimentos e a maioria pensa que é tudo uma bobagem

 

Fecho meus olhos e apago as luzes da cidade

Direciono meu olhar ao Alto e lá estão todas elas

As palavras enfim ganham vida sua própria liberdade

Se tonam versos contos que entram pela minha janela

 

... e adormecem em algum lugar da noite...

 

Deus abençoe a madrugada

Carlos Correa
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Poemas

12

Uma velha canção de primavera

Era um sonho claro que era
E isso não importava naquele
Momento quase primavera
Tudo que queria estava nele

A caneta voltou a ser uma guitarra
A poesia saiu da linha e pulou no microfone
O som do violino vinha da cigarra
E os girassóis balançavam seus saxofones

Vi as nuvens aglomerando mas não era tempestade
Os cravos paqueravam todas aquelas dançarinas
Margaridas sensuais que comemoravam sua liberdade
As azaleias se despediam delicadas como bailarinas

Em meio a toda aquela algazarra de sons e fantasia
Reparei numa flor de pétalas tão macias quanto vistosas
Tocava uma velha canção que falava de uma garota que partia
Guardei-a num refrão despertei então no perfume daquela rosa

Era um sonho claro que era...

Deus abençoe os portais
Carlos Correa
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Silhuetas

Durante o dia caminhamos pelas avenidas
Cada um de nós com sua própria companhia
Nossas sombras que nos seguem na correria
Salientes em algum lugar da noite ficam escondidas

Quem sabe procurem suas saudades seus telhados
Pessoas da noite que suspiram que ouvem que compõem
Sentido diferente tem esse mundo que existe do outro lado
Bares esfumaçados sonhos fugitivos aleluias e desordens

Se ao cair do dia nos são acorrentadas na noite ganham asas
Fico a pensar se algumas coisas que narramos seriam suas aventuras
Talvez um passo um desatino mas sei quando ela retorna exausta pra casa
Perfume de maresia aquele prurido nos dedos meu mundo minha loucura

Deus abençoe o escuro de meu canto
Carlos Correa
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