carloscorrea

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Em algum lugar da noite

Caminho devagar me insinuo à noite 

Por minha janela o ar frio da madrugada

Impregna meus tecidos até que eu a escute

Olho às estrelas parece que cada uma está apagada

 

Presto então atenção e percebo as luzes

Que piscam sozinhas espalhadas pela cidade

São tantas as fontes que tudo isso nos seduz

De repente pretendemos brilhar mais que a verdade

 

Fato é que a luz das estrelas está ali nos guiando

Elas mesmas já se foram mas suas mensagens 

Continuam a nos inspirar continuam nos impregnando

De sentimentos e a maioria pensa que é tudo uma bobagem

 

Fecho meus olhos e apago as luzes da cidade

Direciono meu olhar ao Alto e lá estão todas elas

As palavras enfim ganham vida sua própria liberdade

Se tonam versos contos que entram pela minha janela

 

... e adormecem em algum lugar da noite...

 

Deus abençoe a madrugada

Carlos Correa
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Poemas

12

Em algum lugar da noite

Caminho devagar me insinuo à noite 

Por minha janela o ar frio da madrugada

Impregna meus tecidos até que eu a escute

Olho às estrelas parece que cada uma está apagada

 

Presto então atenção e percebo as luzes

Que piscam sozinhas espalhadas pela cidade

São tantas as fontes que tudo isso nos seduz

De repente pretendemos brilhar mais que a verdade

 

Fato é que a luz das estrelas está ali nos guiando

Elas mesmas já se foram mas suas mensagens 

Continuam a nos inspirar continuam nos impregnando

De sentimentos e a maioria pensa que é tudo uma bobagem

 

Fecho meus olhos e apago as luzes da cidade

Direciono meu olhar ao Alto e lá estão todas elas

As palavras enfim ganham vida sua própria liberdade

Se tonam versos contos que entram pela minha janela

 

... e adormecem em algum lugar da noite...

 

Deus abençoe a madrugada

Carlos Correa
144

Feitiços

Dizem que os antigos feiticeiros
Detinham poderes cercados de magia
Dizem entre lendas mitos e lugarejos
Dominavam a arte do disfarce e fantasia

 Mas não é assim que eu me lembro...

Eu vi um homem solitário no cavo da cordilheira
Preso no tempo nas sombras dos grandes cavaleiros 
Ao contrário do que pregavam vivia à sua maneira
Seus dedos grafavam o alfabeto das estrelas e seus mistérios

Nos tempos modernos eles ainda caminham com suas varinhas
O cavo das cordilheiras foi substituído pelos beirais de concreto
Mas no abecedário da noite continuam uns escrevendo poesias
Canções ou redesenhando o mármore do mundo com seus martelos

 No fundo o que eu penso...

Eles vivem nas sombras quietos mas são sim cercados de magia
Sobrevivem no tempo por dominarem a arte do disfarce e da fantasia

Deus abençoe as lendas que mantém acesas as verdades
Carlos Correa

153

Novos dias

Já é tarde deveria estar indo embora
Fiquei aqui capturado por meus pensamentos
Um boa noite seria a melhor opção agora
Não consegui ir me explique por favor este sentimento

Tenho dado mais valor às noites do que no passado
Talvez esteja com receio de perde-la em algum momento
O mundo dos sonhos hoje parece me um lugar mais desabitado
Me agarro a noite como se não soubesse que o sol chega com o vento

Já é tarde mesmo deveria estar indo deitar
Estou ficando velho como minhas melodias
Mas se elas puderam viver em mim e no luar
Quem sabe possa também te encontrar outro dia

 E começar tudo de novo...

 Obrigado Senhor pelas oportunidades
Carlos Correa

152

um lugar chamado Xanadu

Dizem que o silêncio é ausência do som
De uma palavra ou mesmo de um verso
Pra mim é somente a falta de algo bom
Os sonhos que desaparecem do universo

Às vezes eu sinto espíritos apoiados no corrimão
Silenciosos sem desejos mas também sem temor
Percebo sua frieza seus olhares sem qualquer direção
Vejo canetas violões pincéis sonhos jogados no corredor

Corro então na direção de um lugar que carinhosamente
Batizei de Xanadu ali quebro regras reaprendo a sonhar
Faço desaparecer o silêncio procuro um caminho diferente
Deixo que a canção corra em minhas veias me chame de lar

Dentro de minha escuridão subo as escadas
Deslizando meus dedos sobre o corrimão
Quem sabe eu possa levar durante a madrugada
Uma faísca ao menos aqueles sem qualquer direção

Deus abençoe os que nos inspiram
Carlos Correa
159

Vórtice

Eu estava meio distraído
Sentado na mesa daquele bar
A guitarra preenchia meu ouvido
Não sei se queria estar em outro lugar

Vi quando entrou trazendo a tempestade
Molhando tudo ao redor como um furacão
Que sopra sonhos girando com sensualidade
Seus cabelos fazendo de seus olhos minha prisão

E foi exatamente no olho do vórtice que senti paz
Sendo de imediato tragado quando o funil tocou
Meu solo preferido tornando-me parte voraz
De um fluxo febril de desejos e deleite que me invadiu

Dizem hoje por aí que foi naquele bar esfumaçado
Com perfume de whiskey que um cara desapareceu
Ninguém lembra ninguém sabe ao certo que aconteceu
Juram ter visto de mãos dadas uma tempestade e um tornado

...por aí...

Deus abençoe as forças da natureza
Carlos Correa
160

Dias chuvosos

Quando eu me sinto solitário
Naqueles momentos tempestuosos
Quando tudo que quero vem ao contrário
E meus olhos seguem por um caminho chuvoso

Eu sento à frente de meu teclado
E penso o quão errado eu posso estar
Meus dedos trazem versos ao digitar
Pra mim são notas cânticos apaixonados

Faz parte de minha loucura ou seria de minha saudade
Fazer deste teclado de letras e símbolos meu dó ré mi
E se hoje eu não escrevo uma carta de amor ou felicidade
Ao menos que possa ouvir em seu coração a canção que fiz pra ti

Deus proteja minha loucura ou saudade
Carlos Correa
148

Mil balões

Não importa o que deseje o que aconteça
A noite sempre será um lugar escuro de se estar
Pode ser assustador você pode até perder a cabeça
Mas a gente se acostuma mesmo sem uma luz a te guiar

Você não pertence a esse lugar faz parte do sol da manhã
E toda vez que sinto sua presença perdida em seus pesadelos
Tento através de minha única força a prece que me acompanha
Fazer com que desperte e volte a seu refúgio iluminado seu castelo

Talvez se pergunte como alguém que julga ter a prece ao seu lado
Possa caminhar na noite como pode acreditar ter um amor profundo
Talvez se pergunte se realmente me importo se não estou errado
Digo apenas meu coração só reconhece o seu seja qual for o mundo

Sou um prisioneiro da noite e sei que os anjos virão um dia
Mas para isso terei que chamar seus nomes suas letras suas canções
E ainda não estou pronto só quero hoje te ver sorrir ah o que daria
Para que seu coração fosse leve e pudesse flutuar como mil balões

Deus abençoe a prece que nos mantem
Carlos Correa
175

Ainda é tempo

Chega um determinado momento
A gente começa a cansar mas não deveria
Algumas coisas que provocavam seu pensamento
Hoje trazem apenas suspiros mas sei não poderia

Parece que alguns segredos foram revelados tarde demais
Achei que bastaria sonhar e que tudo logo aconteceria
Esqueci que o tempo não ensina ele não é professor jamais
Nós temos a obrigação de aprender com os erros a cada dia

O tempo aguarda inalterado que deixemos de lado os gestos de criança
O problema é que isso acontece parece quando já temos o gosto de fel
E a gente suspira talvez com intuito de trazer algum sopro de esperança
Uma doce ilusão de que possa ainda trazer de volta o suave sabor do mel

A gente começa a cansar mas não deveria...

Deus abençoe os que mantém os sonhos vivos
Carlos Correa
187

Sombras da noite

Chega o momento em que as velas se apagam

Que as gargalhadas silenciam que o copo esvazia

Enquanto a luz descansa os fantasmas levantam

O copo ganha uma nova pedra de gelo e companhia

 

A noite encontra então um meio de perpetuar

Teimando em manter as estrelas acesas

As palavras seguem o trilho mágico de um olhar

E encontram meu corpo com as mãos sobre a mesa

 

No coração aquelas letras são acolhidas e aquecidas

Se juntam à canção aos sonhos à ingenuidade 

As gargalhadas reacendem e levam versos sopros de vida

La fora a madrugada chora e ilumina cada um dos poetas da cidade

 

Deus abençoe as sombras da noite

Carlos Correa
184

batom e magias

Às vezes precisamos apenas de um toque
Não de palavras frases não de explicações
Um abraço sem necessidade de um porque
Um carinho um beijo sem troca sem condições

 Um toque e eu poderia aliviar toda minha loucura
Estou ficando velho e se meus ouvidos já me traem
Minha pele mantem a lembrança exposta de sua doçura
E mesmo que não perceba espero o dia como ninguém

Em que seus dedos escreverão em meu corpo uma declaração
Um testemunho de amor e paixão marcas de batom e magia
Versos de um coração atento aos teus desertos ao fim da escuridão
Um menino com a lua no colo e te ofertando as estrelas no eclipse do dia

 

Deus abençoe a escrita do coração
Carlos Correa

 

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