Nasci em Campinas, SP. Morei em muitos lugares e voltei para mesma cidade para envelhecer. Sou casada e mãe de cachorros e crianças que precisem de colo. Essas poesias foram escritas durante toda a minha vida e em épocas diferentes. Algumas foram publicadas em coletâneas e outras não. Para quem gosta e quer passar u tempo em contato com a literatura, boa leitura :)
Se quiserem se corresponder, e-mail: cacal.ortiz@hotmail.com (posso demorar para responder, mas sempre respondo). Acessem meu canal no youtube sobre livros:
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Lista de Poemas
Transbordo
Há algo no ar.
Ventos mudam (sinto.tudo
Há cheiro, gestos, atitude.
Há algo mais.
O silêncio compassado
é melodia que mostra alma.
Mas eu,
Mulher,
não sou mais contratempos.
Acordes dissonantes
ficaram no passado.
Sou tudo ou nada.
Num frágil paladar
Infantil
Mergulho no intenso,
sem freios, sem sobras —
num único gesto coerente
Transbordo verdades
sem esconder o rosto,
o corpo,
a alma.
Desnudo segredos.
Quero o real.
Honesto,
Cru
Sem jogos confusos, artificiais.
Quero conexão íntima
e inteira.
Ou mergulha comigo,
ou me deixa voar.
Porque o raso,
o morno,
o indeciso,
o pedaço partido
partiu
no tempo
E tempo... é tempo.
É fato pra ser vivido.
Não é porque sou demais
que você pode ser de menos.
Transborde
2025
Quando crescer quero ser...
Quando criança, tive três grandes desejos sobre o futuro:
1. Ser caminhoneira — viver viajando, livre, só meu cachorro, violão e eu.
Não vingou.
2. Ser exploradora — andar o mundo inteiro, dormir em acampamentos, viajar a pé, de barco, de trem, de qualquer jeito. Descobrir lugares onde ninguém nunca pisou.
Não vingou.
3. Ser astronauta — flutuar livre pelo espaço, de planeta em planeta, galáxia em galáxia e até me tornar Jedi, quem sabe?...
Também não vingou.
No final, só sobrou ser eu:
uma constelação apagada de sonhos que ainda pulsa.
Um planeta habitado por todas as versões que não consegui ser.
E mesmo assim, eu: orbitando o que sobrou,
tentando chamar isso de casa.
2025
UM PAR PERFEITO (sombras de ilusão)
O que sobra de nós?
Somos só sonho?
Um eco onírico?
Um nó no tempo
que nunca aconteceu?
As vezes questiono se ja existimos
se nos tocamos,
ou se fomos apenas a lembrança
do que nunca foi
O universo quis tudo,
planejou tudo,
mas falhou:
você num espelho
refletindo minha dor,
juntos,
correndo mundos,
palavras,
silêncios,
segredos,
vazios
e mesmo assim,
continuamos, perfeitos,
nas imperfeições da existência
Nem o tempo,
nem a dor,
nem a ausência
apagam
o que não se explica
Alguns amores
não precisam acontecer
pra serem verdade
2025
DESESPERO
Faz uma semana, mais ou menos, que me sinto estranha. Fico me questionando sobre ser tão absurda: sei ler as pessoas e não sei ler meu lugar no mundo, sei ver ○ jogo, mas não sei jogar, sei onde todos devem ir, mas não sei chegar...me sinto estúpida, pequena, muito menos capaz do que todo mundo. Enquanto todos constroem relações e mundo concreto, fico estática, divagando sobre coisas abstratas e irrelevantes para o mundo prático. Tenho a intensidade quase insuportável do TPB e ○ hiperfoco ridículo do TDAH/TEA (diagnóstico é irrelevante nesse momento). Irônico, não? Sou duas vezes esquisita e não sei lidar com coisas básicas para a sobrevivência! Recentemente minha terapeuta solicitou que procurasse um neurpsicologo e fizesse um exame de AH/SD. Segundo ela, eu iria me compreende melhor e melhorar minha qualidade de vida. Fiz. Peguei ○ resultado (que ela, com um sorriso, disse "eu te falei") e me senti ainda mais perdida! "E aí? ○ que eu faço com isso agora? Só meti os pés pelas mãos desde que nasci!" É inevitável, mas a comparação sempre vem: pessoas sustentam todos os tipos de relações, conseguem construir carreiras, vivem dentro da sociedade, enquanto eu estou sempre à margem, lutando pra não me afogar e não me perder na minha própria correnteza. Cansa, e muito! Meu mundo é compreendido por sons, tudo soa alguma coisa: meus sentimentos sempre gritam, as palavras estão sempre falando (por isso gosto tanto de ler e
escrever), a música
reordena meu cérebro hiperativo e até o silêncio na minha vida é sonoro! Sinto cansaço...exaustão.
Esse é meu cantinho para dialogar com as 12 pessoas que conseguem ver meus status porque são as 12 pessoas que fazem sentido pra mim. Não me perguntem ○ porquề, talvez seja TOC ou apenas meu cérebro falando uma língua estranha, mas fico mais e mais perdida a cada braçada que dou...
Mas eu sei que também sou sem sentido,
Como fiquei invisível
Eu era só uma criança e, mesmo assim, vocês me machucaram. O que foi feito teve um efeito além do imaginável e moldou um novo adulto: quebrado.
A dor — muito além da física — criou chagas, sangrou… e sangra até hoje.
Todo o desespero se alicerçou não apenas nas ações cometidas, mas — e isso é o mais triste — na ausência delas: o silêncio, a omissão, a compactuação com o mal, a frieza, a humilhação. Isso me estilhaçou tanto quanto os espancamentos, o corpo machucado, as cicatrizes e os pedaços mutilados.
Quando se é responsável por outra vida, a missão é simples, ainda que exija esforço: proteger.
Senti medo, solidão, abandono emocional, exposição, terror, vergonha, culpa, desespero, desamparo. Nunca soube onde pisar. Sempre estive em meio a uma tempestade e nunca consegui ficar em pé. Nunca soube nada sobre mim: minhas possibilidades, minhas potencialidades, minha verdadeira personalidade.
Fui moldada para não existir, para ser um nada, para engolir todas as minhas palavras, como se elas não devessem ter efeito no mundo. E eu era uma criança: jovem demais para entender, mas grande demais para esquecer.
Sempre acreditei que o problema era eu. Sempre fugi das pessoas porque, na minha verdade distorcida, eu era podre demais para ser amada e desastrosa demais para não causar danos. De uma forma ou de outra, me fizeram acreditar que eu era o grande mal e o incômodo de todos ao meu redor.
Alguém tem ideia de quanto me feri? De quanto sangrei para conseguir um milionésimo de segundo de paz? Em quantos banheiros me machuquei para poder sair inteira? Quantas noites sem dormir, fumando um cigarro atrás do outro, pedindo a Deus que me levasse para um lugar onde eu pudesse, enfim, ser eu mesma?
Me sentia suja, indigna, imunda, pútrida e seca demais para tocar alguma alma.
Quantas vezes acordei desesperada, sem conseguir respirar, com o coração acelerado, vomitando — literalmente — meu desespero, pronta para lutar com as lembranças reais que invadiam meus sonhos? Nunca tive direito de sonhar em paz.
O mais perto que cheguei disso foi quando usei e abusei de substâncias, mas entorpecimento não é sinônimo de descanso.
Sempre achei que o problema era eu:
— Eu sentia demais.
— Chorava demais.
— Respirava demais.
— Falava demais.
— Queria demais.
— Existia demais.
Mas agora eu sei: eu só queria ser amada. Queria ser real. Queria ser de verdade.
Fui invadida. Me tocaram sem permissão. Arranharam minha alma e feriram meu corpo, ultrapassando o limite da minha mais profunda intimidade. E eu nunca disse nada. Minha privacidade foi arrancada. Fui desrespeitada, ignorada, violentada — no sentido mais amplo que essa palavra pode alcançar.
Nunca quis isso. Nunca quis o silêncio. Nunca quis o controle. Nunca quis o julgamento que vocês tanto lutaram para manter sobre mim.
Eu merecia ser criança. No sentido mais puro e ingênuo que isso pode significar.
Tive sorte de construir um mundo solitário, mas seguro, para sobreviver: minha imaginação fértil, meus cachorros, a natureza e a música — um mundo cheio de figuras míticas que eu mesma criei (como Osvald, o elefante branco com bolinhas azuis, que me levava à escola todas as manhãs).
Fiquei amiga da minha solidão, porque sabia que ela jamais me machucaria.
E decidi algo interessante, com quase 50 anos de idade:
Não vou mais me culpar.
Não vou mais sentir vergonha pelo que não posso mudar.
Não vou mais me diminuir para caber no que me ensinaram.
Fui programada para ser uma coisa, um objeto.
Decidi mudar essa programação.
Decidi, agora, que vou ser alguém que vive por mim — e não contra mim.
É curioso… Quando recebi meu diagnóstico, passei por vários especialistas. Dois deles tiveram reações que, de certa forma, dissiparam minhas dúvidas:
Um se recusou a iniciar o tratamento porque disse que minha história era forte demais — além das capacidades dele.
A outra precisou pausar uma das minhas falas e, com lágrimas nos olhos, me abraçou dizendo com ternura:
"Sinto muito."
Se ainda existia dúvida de que eu vivi abusos, ela se dissolveu ali.
O mais estranho é que a gente se afeiçoa tanto às próprias correntes que elas acabam virando parte da nossa personalidade.
Mas agora, eu só quero envelhecer em paz.
Na aventura da quietude intrigante do autoconhecimento.
Quero estar rodeada de pessoas boas, que me amem, me conheçam e me aceitem como eu sou.
Quero pegar no colo a criança que fui, mimá-la, amá-la, confortá-la — e dizer, com toda a convicção:
"Ninguém jamais vai te ferir de novo."
Sou sobrevivente
Sou sobrevivente da vida
E nem sempre foi bondosa comigo
Sobrevivi à dores, abandonos, abusos,
Rejeições, humilhações, maus tratos
Sobrevivi ao mundo
Hostil e irreal
Tenho cicatrizes
Minha alma é remendada
Meu abismo é profundo
Minha dor é confusa
Meu mundo é diferente
Somos poucos
Sobreviventes
Mas somos muitos
Que embelezam o mundo
Com nossa loucura
Bondade
Generosidade
E sinceridade
Somos ingênuos
Analfabetos da linguagem da maldade
Somos infantis
Pueris
Molecas
Sapecas
De um universo amargo
Aproveitam-se de nós
Mas continuamos
Acreditando que há solução
Nosso riso é verdadeiro
Não nos interessa o interesse
Apenas a experiência
E o colo de quem amamos
Não quero ser abandonada
Não quero ser excluída
Não quero ser enganada
Quero ser amada
Do jeito que você sabe amar
Mas não quero ser ferida
Abusada por minha ingenuidade
Eu sobrevivi à abusos
Me tocaram sem permissão
Me invadiram sem concessão
Me destruíram quando eu só queria viver
Eu quis morrer
E, juro, várias vezes tentei consumar
Me humilharam
Me fizeram engolir todas minhas potencialidades
Me convenceram de que eu não era ninguém
Me apredejaram e me fizeram desacreditar que eu conseguiria
Me mostraram dor
De uma forma que ninguém neste mundo
Merece passar
Me trancaram em um mundo escuro
Solitário
E tentaram me fazer um nada
Me cuspiram, me bateram, me estupraram
Quebraram meu dedo, meu braço, minha autoestima
Me chutaram
Me fizeram objeto
Fui uma escrava apenas para satisfazer
Necessidades de outros
Tudo em nome do "amor"
Roubaram meus bens
Me fizeram sentir a pior das criaturas do mundo
Bebi litros de álcool e medicação
Deixei de acreditar que estava viva
Dissociei várias vezes
Pra poder apenas respirar
Mas tenho um segredo:
Me cansei e grito alto
Cansei de ser pisoteada
Estou viva
Mesmo duvidando, às vezes, de que sou real
Quero romper esse vortex
Quero olhar para o mundo e dizer:
Sou um ser humano
Sobrevivente à montanha russa de acontecimentos
Vou ser amada por mim mesma
E quem entrar na minha história
Vai ser tão bom e generoso como sou para o mundo
Sobrevivi
(Meus filhinhos, Bento e Chico, sobrevivi por vocês e vou mostrar que valeu a pena. Muitos iguais a mim, eu vou cuidar e, prometo, vou ser o mais próximo do normal que eu consegui. Sobrevivi e esta é minha maior vitória)
8 de março (Sozinha)
Se eu pudesse dormir
e esquecer de uma data
esse seria o dia
Foi tanto medo
nunca me senti tão frágil
desamparada...
Pensei "vou morrer"
sozinha
sem nem menos entender
essa dor!
Fui abandonada
por quem tanto amei
quem tanto cuidei
e, me lembro,
uma noite antes
você, com a garganta doendo,
foi por mim zelado
amado
ninado
Quando você saiu
e me viu caída, no banheiro,
vomitando, com a mão na barriga,
não se importou,
bateu a porta e seguiu
pra noite te engolir...
Tempos depois foi sabido
que em outros braços insignificantes
foi buscar abrigo...
( por que? O que essa mulher te trouxe de importante? Valeu a pena?) - perguntas que nunca serão respondidas
Chovia muito
a dor latejava
o sangue sujava
minha roupa,
meus medos,
minha dignidade,
meus sonhos,
o resto de amor que tive por mim...
Sozinha,
com um estranho na direção,
me joguei no desespero
e descobri que ia ser mãe
Sozinha,
eu chorei
até não poder mais...
Sozinha
eu soube dela
e soube quão nada eu fui...
Dói
e é muita dor...
Eu queria poder dormir
e fingir que nada existiu
mas às vezes machuca
e sei que todo 8 de março
estará marcado
não pela militância e conquista
mas sim pelo medo de reviver
o que fantasio ser nada
mas me leva a ter ideias
de simplesmente deixar de existir
Por que as pessoas machucam quem deveriam proteger?
Ainda acredito no seu bom coração
Não tenho mágoa
Mas tenho medo
Desejo que você seja feliz
ao ponto de nunca mais ferir alguém
Sou uma desgraçada
tenho quase nada dessa vida
e sei que sou pequena
pra alguém se importar
mas ao menos me escuta,
Comigo pode doer menos
porque sei que, no final,
não tem quem me cuidar
e eu já estou acostumada a apanhar
Mas a maioria das pessoas ainda tem salvação
(Sou condenada desde quando fui concebida! Sou um erro do acaso, um descarte cósmico, um acidente na vida das pessoas e fácil de esquecer...)
2024
Corro
Corro
Quanto mais
Tanto menos...
Mais distante de mim
Próxima ao silêncio
Sou caos, desordem
Mais perto,
Mais caótica
Dor,
Silêncio
Num eu inquieto
Corro
Pra um abismo
Confuso
Me devoro na gula da vida
Vomito cacos de ilusão
Choro...
Meu vazio particular
Um eco perturbador
Corro
E não vejo nada
Me aquieto,
Cansada,
Num colo selecionado
Para aninhar minha alma,
Com calma,
Na ânsia passageira
De ser quem sou:
Um frêmito suspiro
Num absurdo de angústias,
Num segundo eterno
De tudo e nada
O som do caos
Pulsa em minhas veias
Viver é perder-se
Nas inexplicáveis
Insensatas
Experiências
Viver é ser
Fogo
Brasa
Nada
E calar-se
No cansaço
...
2024
Sou!
Enquanto a noite não dorme, o papel devora minhas angústias...
Gosto de mergulhar
Profundamente
nas pessoas
Sou intensa
Sou febril
Sou leal
Sou o que sou
Não gosto de jogos
Não faço rodeios
Não sigo regras
Não minto
Não tenho amarras
O tédio
o mesmo
o raso
o fraco
não cabem na minha vida
Sou um pouquinho de doçura
Mas não sou pra qualquer um
Minhas asas já quebraram
E, meu amor,
Você tem minha marca
Cravada na alma
Minha intensidade feminina
Transbordou em você
Não adianta correr
Existo na sua essência
2024
Sobre solitude
Amo a solidão pq nela me encontro e descubro o meu eixo. Consigo sentir a paz, o equilíbrio, a clareza e a música da vida. Nela encontro meu refúgio, meu ninho, meu mostro e meu salvador. É nela que me aconchego para sofrer as tão doídas metamorfoses (e são mtas, hein?). Entretanto, para isso, ela tem que acontecer por escolha própria, por prazer, sem justificativa além da necessidade quase que fisiológica/emocional de se amparar em você mesmo e mergulhar na sua prórpia profundidade. Isso é maravilhoso e sinto que estou entrando em uma fase tão gostosa, cheia de novidades e auto-perdão (sim, pq qdo a gente olha pra dentro, o barulho, as descobertas e as agitações são mto maiores do que o externo). Esse é o meu momento. Qto tempo durará essa minha hibernação? Indefinível. Perfeito! Um beijo e abraço de luz e suavidade para quem ler esse post (essas são as únicas armas que carrego comigo hoje: serenidade e amor)
2024
Comentários (6)
Minha cara poetiza Carol Ortiz - quanto tempo.... menina ... até que enfim nos conectamos... seu texto é maravilhosamente contundente... como esta você.... está bem de saúde... está viajando muito.... me visite menina... estava com saudade de você no Escrita . org. vê se faz alguns poemas para nós.... manina já estou com 1.840 textos escritos. fui indicado para compor o pessoal de Poesias para as escolas Br. em outubro do ano passado.... vamos ver o que vai dar. abraços. é bom saber que estas bem... me visite aqui no site... Ademir o poeta. rsrsrsrsrsr. até mais.
Minha cara Poetisa. Carol Ortiz - teus texxtos poéticos , estou sempre a lelos - em lembranaças de Infância. e cheia de incertezas e de amores... cortados em pedaços certos e errados. a infância ainda é de lembranças alegres. mesmos com sonhos não realizados. a não ser é claro quando sofremos violencias intimas. abaços de seu seguidor ademir.
Olá Carol Poetisa... Boa noite, certamente este mundo não é tão banal... mas os anjos de Istambul ...voam em formas de arco-iris na plenitude de teu imaginário poético. felicidades.
Olá Carol Poetisa.... Boa noite.... certamente que marte é por aqui , seu jeito de esquecer e poético. abraços. de seu sempre admirador. ademir.
Minha Cara e Grande Poetisa.... seus contos e poesias, são deslumbrantes, menina você é demais , me sinto bem pequenino no que tuas mãos escrevem. felicidades. e muitos amores seus versos irão conquistar. abraços e sejas muito feliz.
Adoro suas poesias como adoro seus lábios, minha esposa amada.