Carol Ortiz

Carol Ortiz

A minha intensidade vomita existências...

n. 0000-09-18, Campinas, SP

Perfil
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UM CANTO PARA A MORTE

Se a morte é sorte
que seja forte
quem vivenciá-la

porque encará-la
mesmo com coragem
supõe a bagagem
de ansiedade
incredibilidade
e medo
de achar que é cedo

tudo não tarda
e antes que parta
é bom se perder
nas entranhas da vida
que tão resumida
entrega-se à morte
que, cá entre nós, seja forte


2021
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Biografia

Nasci em Campinas, SP. Morei em muitos lugares e voltei para mesma cidade para envelhecer. Sou casada e mãe de cachorros e crianças que precisem de colo. Essas poesias foram escritas durante toda a minha vida e em épocas diferentes. Algumas foram publicadas em coletâneas e outras não. Para quem gosta e quer passar u tempo em contato com a literatura, boa leitura :)
Se quiserem se corresponder, e-mail: [email protected] (posso demorar para responder, mas sempre respondo). Acessem meu canal no youtube sobre livros:
 https://www.youtube.com/channel/UCOj_DssoWp0_1HO7VCXgRcA?view_as=subscriber

Poemas

283

CAIXA DE PANDORA

Dentro desse vale
tem um álibi do sol
que escorre pelos dedos
calejados de amar
Tantas coisas já vividas
e histórias envolvidas
numa colcha de Arácne
e um novo contra-ataque
baseado numa erva
que te leva pelo céu
de ondas e "ondes"
reis, príncipes e condes
magos que escondem
o futuro.
No ollho de um verme
que um dia foi um homem
Na mente de Shakespeare
Camus, Bacon, Berkeley
De encontros e distâncias
homens, deuses e crianças
um presente p´ra você:
Uma caixa geometricamente encaixada
num espaço diagonal
de uma eclipse poética,
uma flor especial


ANO: 2003
726

TE AMO

Te amo
mais do que ontem,
menos do que amanhã,
igual a hoje.
É tudo o que posso dar ...


ANO: 1993
497

MÁ DONA (QUANDO UMA ROSA DEVORA UMA FLOR, COM ARDOR)

Já beijei essa mulher,
e quem nunca a beijou?
Peitos duros e empinados,
bicos rijos e eriçados
uma dama, um estupor
apetitosa
e fogosa
quero tê-la
com cuidado
tantos beijos e tesão
sua vagina
imagina!
uma flor açucarada
úmida e delicada
enlouquece mil mortais
mas...
sou mulher
sou a rosa que come flor,
amiga do beija-flor,
sou a outra flor
e já fui e serei "flor"...
nada importa,
quero sexo,
quero amor


ANO: 2003
524

ENCONTRO

Encontrei eu, outro dia, 
com meu eu
que vinha
todo contente
sempre em mente
uma canção

Olhei p´ra mim
e que susto ao ver
que o bicho sorria
e eu que me via
sem saber
que esse eu tão doentio
tão estranho, tão sombrio
era só... eu

Mas eu brigou comigo
e num gesto hostil
me deu um tapa
com palavra amarga,
fel, brasa,
então saí correndo
e onde ia
o eu me perseguia

Fiquei assustada
com medo de (me) ver de novo
aquele bicho horroroso
que me sufocava,
me aterrorizava,
me fazia
ver o que eu não via
e foi só então
que entendi:
não adianta fugir,
o escroto do esgoto
que vive dentro de mim
é o meu eu
que não quer ficar calado,
já foi violentado,
que me assusta 
e me mata,
maltrata,
é o que nunca foi visto
pelos olhos que não quer ver,
a vontade de entender
que o eu que eu fugia
era o que me perseguia,
o verme do escremento, 
o eu subjetivo,
o eu nojento.


ANO: 2000

775

NA LUA

Estamos na lua,
sobre nuvens
fazemos amor com os trovões,
somos poetas,
ouvimos canções.


ANO: 1995
533

AS AVES

As aves aprenderam a voar
para ver o mundo
de longe
e não enxergar a realidade
e os vermes
que habitam a terra


ANO: 1998
800

Feridas


(Apenas palavras, nada real...não culpo, não odeio, só respiro...)
Às vezes me olho
E não sei quem sou
Essa foi a última gota
Que me afundou
Nunca pedi  amor
Nunca pedi  prisão 
Só desejei lealdade...
Me dói existir 
Me dói desconfiar
Me dói ser boa
Num mundo de horrores
Nada tem mais cor
Nada tem mais vida
E meu crime foi apenas
Ser eu mesma
Autêntica
Intensa
Cheia de bondade
De amor
De liberdade
De vida
(Que já tinha sido engolida
Por mãos tão cruéis)
Me sinto sozinha
De um jeito tão fatal
Tão amargo
Tão horrível 
Não confio em mais ninguém 
Não sorrio com brilho
Meu sorriso esconde dor
Vou indo
Andando
No compasso do cansaço 
Até quando deus quiser 
Tudo é indiferente
Vai? Fica? Tanto faz
Histórias...

2024

411

Melodia para dores de amor


Eu amei sozinha
Não me arrependo, não
Amar é vida
não rasa
E meu amor é raro,
Libertário, 
intenso, poderoso,
curador, único 
Mas não suficiente 
Nem mesmo eficiente 
Pra salvar a nossa história 
...
Eu amei sozinha
Agora é tempo de seguir,
nada para, nada espera
As mãos do tempo me abraçam 
e apressam
"faça sua hora
não há onde voltar"
...
Não quero estar no palco,
protagonizar angústia e dor, 
essa história não é mais minha,
me despeço dessa agonia,
sou atriz canastrona 
atuando nas defensivas da vida 
Com um nó na garganta 
faço as malas
recolho meu amor,
pequeno pra você, eu sei,
mas do tamanho do meu ser
...
Vou viver
...
Eu amei sozinha
(Tola que sou!
Deixo as lembranças 
no rastro da minha existência 
e nas linhas deste poema)

193

Sou


Sou!
Enquanto a noite não dorme, o papel devora minhas angústias...
Gosto de mergulhar
Profundamente 
nas pessoas
Sou intensa
Sou febril
Sou leal 
Sou o que sou
Não gosto de jogos
Não faço rodeios
Não sigo regras
Não minto
Não tenho amarras
O tédio
o mesmo
o raso
o fraco 
não cabem na minha vida
Sou um pouquinho de doçura 
Mas não sou pra qualquer um
Minhas asas já quebraram
E, meu amor, 
Você tem minha marca
Cravada na alma
Minha intensidade feminina
Transbordou em você
Não adianta correr
Existo na sua essência

2024

281

DESESPERO


Sou um pedaço devorado
Peça perdida, quase extinta
Sou um abismo no agora
Minha alma e minhas feridas 
Meu corpo mutila, minhas frases terminam
Minhas fases destroem o meu corpo de menina 
Me jogo no fogo e sinto o desespero 
Me sinto num deserto da existência em ruínas 
Medo de te ver
Medo de te querer
Medo de saber
Que sou humana com você 
Medo de você 
Medo de mim
Medo de saber 
Que toda história tem um fim
Desespero 
Meu labirinto ecoa toda essa estranha  confusão
Estou perdida
Uma criança maltratada,
Reescrita para uma história editada
É ir dormir pra esquecer
E acordar bem antes de envelhecer
Pânico 
Medo de te ver
E de te querer
Medo de você 
Medo de mim
Medo em saber
Que essa história não terá fim

259

Comentários (6)

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Ademir domingos zanotelli.
Ademir domingos zanotelli.

Minha cara poetiza Carol Ortiz - quanto tempo.... menina ... até que enfim nos conectamos... seu texto é maravilhosamente contundente... como esta você.... está bem de saúde... está viajando muito.... me visite menina... estava com saudade de você no Escrita . org. vê se faz alguns poemas para nós.... manina já estou com 1.840 textos escritos. fui indicado para compor o pessoal de Poesias para as escolas Br. em outubro do ano passado.... vamos ver o que vai dar. abraços. é bom saber que estas bem... me visite aqui no site... Ademir o poeta. rsrsrsrsrsr. até mais.

ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Minha cara Poetisa. Carol Ortiz - teus texxtos poéticos , estou sempre a lelos - em lembranaças de Infância. e cheia de incertezas e de amores... cortados em pedaços certos e errados. a infância ainda é de lembranças alegres. mesmos com sonhos não realizados. a não ser é claro quando sofremos violencias intimas. abaços de seu seguidor ademir.

Olá Carol Poetisa... Boa noite, certamente este mundo não é tão banal... mas os anjos de Istambul ...voam em formas de arco-iris na plenitude de teu imaginário poético. felicidades.

Olá Carol Poetisa.... Boa noite.... certamente que marte é por aqui , seu jeito de esquecer e poético. abraços. de seu sempre admirador. ademir.

Minha Cara e Grande Poetisa.... seus contos e poesias, são deslumbrantes, menina você é demais , me sinto bem pequenino no que tuas mãos escrevem. felicidades. e muitos amores seus versos irão conquistar. abraços e sejas muito feliz.