Carol Ortiz

Carol Ortiz

A minha intensidade vomita existências...

n. 0000-09-18, Campinas, SP

Perfil
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UM CANTO PARA A MORTE

Se a morte é sorte
que seja forte
quem vivenciá-la

porque encará-la
mesmo com coragem
supõe a bagagem
de ansiedade
incredibilidade
e medo
de achar que é cedo

tudo não tarda
e antes que parta
é bom se perder
nas entranhas da vida
que tão resumida
entrega-se à morte
que, cá entre nós, seja forte


2021
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Biografia

Nasci em Campinas, SP. Morei em muitos lugares e voltei para mesma cidade para envelhecer. Sou casada e mãe de cachorros e crianças que precisem de colo. Essas poesias foram escritas durante toda a minha vida e em épocas diferentes. Algumas foram publicadas em coletâneas e outras não. Para quem gosta e quer passar u tempo em contato com a literatura, boa leitura :)
Se quiserem se corresponder, e-mail: [email protected] (posso demorar para responder, mas sempre respondo). Acessem meu canal no youtube sobre livros:
 https://www.youtube.com/channel/UCOj_DssoWp0_1HO7VCXgRcA?view_as=subscriber

Poemas

283

DEVOLUÇÃO

     Bateram à porta de madrugada. Quem seria? E a chuva que não parava!
     Eram quase duas horas da manhã. Descabelada e com cara de sono, foi atender à campanhia. Com medo, olhou pelo olho de vidro . A figura que viu era bem conhecida. Então, abriu a passagem para a pessoa entrar.
     Roberto, seu ex-marido, estava angustido. Chorava como criança.
     Como os homens são volúveis! Alice já tinha amado esse indivíduo. Moraram juntos vários anos e um dia, sem explicação, ele fez as malas e se mudou para o apartamento da Claudinha. Quanta mágoa e tristeza deixou em sua casa! Quantas horas em terapia ela gastou!
     Mas, o destino é irônico. Quase dois anos após, ele bateu à sua porta para chorar porque a namorada o abandonou.
     Roberto abraçou Alice. Alice o acolheu. A chuva aumentava e na rua a temperatura caÍa. Dentro da casa o calor era enorme. Os dois se beijaram. Rooupas voaram pela janela. A cama se agitou e o quarto flutuou a noite toda.
     De manhã, ela olhou para ele e perguntou se já estava melhor. Ele assentiu. Um carinho enorme por ela brotou em seu peito. Confessou, entre tímidas e curtas frases, que sempre amou Alice.
     Ela sorriu e, faminta, foi tomar café.
     Durante um mês inteiro namoraram. Alugaram uma casa e voltaram a morar juntos. Estavam, aparentemente, com pressa em ser feliz.
     Ela se mostrava apaixonada e ele, confuso, estava amando.
     Os dias passavam e o romance dominava o momento.
     Certa manhã, sozinha em casa, Alice fez as malas e foi embora, deixando um bilhete em cima da mesa.
     Roberto encontrou o recado, sentiu uma pontada no peito, sentou no chão e, desconsolado, chorou. Chorou o choro mais amargo e dolorido já sentido. O mundo ruiu a seus pés. Sentiu, finalmente, que ela lhe devolvia toda a mágoa e a tristeza que um dia ele lhe dera.
     Em um balcão de um bar do outro lado da cidade, Alice acendia um cigarro e comemorava. Tinha curado seu orgulho ferido anos atrás. Como era doce o sabor da vingança!


ANO: 1999
589

BUSCA

Quem sou eu
além de ninguém
sozinha na vida
esperando o trem
sem vintém?
Vinte horas ao dia
de incompreensão
na eterna existência
na dor e solidão
Quem sou eu
além de ninguém
a espera de alguém
que nunca mais vem?
Sei andar pelas ruas
de descaso
com ideias tão nuas
e com imenso acaso
Quem sou eu
além de mim mesma
na hipocrisia,
melodia,
de uma tristeza?
Sou um nada
camuflado
num tudo 
embriagado


ANO: 2003
710

ESTRANHO

Estranho 
é saber
que tudo
na vida é
Estranho
é saber
que tudo
na vida é
Estranho
é saber
que tudo
na vida é
Estranho
é saber
que tudo
na vida é
Estranho
é saber


ANO: 2000
503

MATOU O MARIDO E FOI DORMIR (10 MANEIRAS DE MATAR VOCÊ)

Ouça-me bem,
meu quase "big bang",
fiz a janta pra você
sabor SBP,
depois massagem relaxante
e um café com um laxante.
Dormirá numa cama perfumada
com espinhos e sua amada,
beijinhos de madrugada
e uma ideia já formulada.
Outro dia, café da manhã:
inseticida na sua maçã,
ácido sulfúrico na sua bebida
e um beijinho de despedida.

Vai trabalhar e passa mal,
é levado para o hospital!
Chego afobada, sempre a chorar
desesperada, para disfarçar
a ansiedade de ver o efeito
 do seu cérebro com defeito.

Vai pra casa tão confiante
não teve nada de preocupante.
É meio dia, vai almoçar?
botei arsênico no guaraná.
No fim do dia tome um lanchinho, 
é só formicida no seu leitinho
o raticida deixei para a janta, 
não sou má, sou santa.

À noite, no seu colchão,
terá bons sonhos, abaixo do chão
...será que morreu?...
Adeus


ANO: 2003
600

PACIÊNCIA (ASSIM É O MUNDO)

Jogo paciência
na ciência
do destino
Fui forçada,
na manhã,
brincadeira de menino
Me sangrou até morrer
me comeu, me devorou,
fugi para onde pode-se viver
e nas lembranças me marcou
...morri no mesmo dia,
no mesmo olhar que acaricia
é meu segredo de escola, 
do nunca mais e do agora
Estou caíndo no mesmo abismo
das tuas mãos, adeus preciso
jogar paciência...


ANO: 2003
351

BATALHAS

Gladiadores oculares
buscam um coração
um lugar adormecido
na cauda de um dragão
Fazem fogos, fazem almas
voam alto na batalha
veem a alua,
um uivo agudo,
um gemido
ou uma espada
ou um castelo
Torre alta
bem singela,
magos profundos,
verdades ocultas
ao lado, no adro,
no lago assombrado.
Voe alto
na imensidão
busque um buquê 
na lua, na selva de egos,
na imagem do dragão
Nasce outro homem,
uma vida em vão...

ANO:2000
786

FOME

Se eu não fosse uma atriz, 
uma jovem meretriz,
aqui iria viver
só pra ter o prazer 
de ver em você
a vontade de me ter
meter, me-ter, me ter...
e depois de um dia
uma velha agonia
e a amiga nostalgia...
...vou devorar você!!!


ANO: 2003
709

BULIMIA

Não é ironia
a vida de bulimia?
Desejamos harmonia
e só encontramos confusão
caos, dificuldade 
e antro de escuridão!

Não é ironia
a vida de bulimia?
Devoramos anseios
e devolvemos medos
de existir no vazio,
no ser sombrio,
humano e insano!

Escravas de compulsão
adoramos nossos excrementos
e partimos nessa viagem
na pastagem
de nossos sentimentos

Escravas da confusão
de conhecer seu próprio eu
o seu adeus à divisão
de desejo, de mulher
de prazer e de "me quer"
do suicídio tentado
e da angústia calada
na vaga insensatez 
no medo da ilusão

Não é ironia
a vida de bulimia?
Vive a vida tão vazia
de querer e temer
a desilusão
nessa fétida massa
de humanização!


ANO: 2003
805

UM TEMPO QUE JÁ FOI TEMPO

Psiu!
O que há de ser?
Um canto no lugar de encanto,
um dia que já foi melodia,
um tudo em toda parte
e seu sorriso no laço
que uniu nossos traços,
nossos filhos que não nasceram,
um dia de alegria
espaço de analgesia
e ver você colher nossos frutos
em cada final da canção
e ver a vida.
Na época que a calmaria
estava diante de nós
e não enxergávamos adiante
nos aninhamos
nos aconchegamos em nossos braços
em nossos sonhos esquecidos.
Brindamos uma época
em que o auge da felicidade
era te ninar,
te acariciar
e dormir em teus afagos
deixando a vida flutuar
e parede desabar
com nossos gritos e gemidos.
Tudo era muito
e queríamos mais,
tivemos nosso tempo
que se concretizou
no passado,
no tempo que já foi tempo.
Talvez a porta 
que nos levou ao final
de toda essa grande ilusão
tenha sido nada menos
do que nossa ambição


ANO: 1998
333

ANIMAL

Pareço irracional,
cercada por animal
não sou radical
nem uso fio dental
pra limpeza mental.


ANO: 1992
504

Comentários (6)

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Ademir domingos zanotelli.
Ademir domingos zanotelli.

Minha cara poetiza Carol Ortiz - quanto tempo.... menina ... até que enfim nos conectamos... seu texto é maravilhosamente contundente... como esta você.... está bem de saúde... está viajando muito.... me visite menina... estava com saudade de você no Escrita . org. vê se faz alguns poemas para nós.... manina já estou com 1.840 textos escritos. fui indicado para compor o pessoal de Poesias para as escolas Br. em outubro do ano passado.... vamos ver o que vai dar. abraços. é bom saber que estas bem... me visite aqui no site... Ademir o poeta. rsrsrsrsrsr. até mais.

ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Minha cara Poetisa. Carol Ortiz - teus texxtos poéticos , estou sempre a lelos - em lembranaças de Infância. e cheia de incertezas e de amores... cortados em pedaços certos e errados. a infância ainda é de lembranças alegres. mesmos com sonhos não realizados. a não ser é claro quando sofremos violencias intimas. abaços de seu seguidor ademir.

Olá Carol Poetisa... Boa noite, certamente este mundo não é tão banal... mas os anjos de Istambul ...voam em formas de arco-iris na plenitude de teu imaginário poético. felicidades.

Olá Carol Poetisa.... Boa noite.... certamente que marte é por aqui , seu jeito de esquecer e poético. abraços. de seu sempre admirador. ademir.

Minha Cara e Grande Poetisa.... seus contos e poesias, são deslumbrantes, menina você é demais , me sinto bem pequenino no que tuas mãos escrevem. felicidades. e muitos amores seus versos irão conquistar. abraços e sejas muito feliz.