Nasci em Campinas, SP. Morei em muitos lugares e voltei para mesma cidade para envelhecer. Sou casada e mãe de cachorros e crianças que precisem de colo. Essas poesias foram escritas durante toda a minha vida e em épocas diferentes. Algumas foram publicadas em coletâneas e outras não. Para quem gosta e quer passar u tempo em contato com a literatura, boa leitura :)
Se quiserem se corresponder, e-mail: cacal.ortiz@hotmail.com (posso demorar para responder, mas sempre respondo). Acessem meu canal no youtube sobre livros:
https://www.youtube.com/channel/UCOj_DssoWp0_1HO7VCXgRcA?view_as=subscriber
Lista de Poemas
CAIXA DE PANDORA
tem um álibi do sol
que escorre pelos dedos
calejados de amar
Tantas coisas já vividas
e histórias envolvidas
numa colcha de Arácne
e um novo contra-ataque
baseado numa erva
que te leva pelo céu
de ondas e "ondes"
reis, príncipes e condes
magos que escondem
o futuro.
No ollho de um verme
que um dia foi um homem
Na mente de Shakespeare
Camus, Bacon, Berkeley
De encontros e distâncias
homens, deuses e crianças
um presente p´ra você:
Uma caixa geometricamente encaixada
num espaço diagonal
de uma eclipse poética,
uma flor especial
ANO: 2003
PERDIDA, ADORMECIDA: A CIDA -TODAS TECIDAS NO ENORME TEAR DAS MOIRAS, OU SERÁ O MANTO DE PENÉLOPE?
adormecida!
Matou seu sangue,
enfurecida,
naquela noite
escurecida
pelo perfume,
uma perdida
no véu bordado
com brilhantina
Nossa Senhora Aparecida
Pobre Cida,
Aparecida!
Foi ao inferno,
a cafetina
e retornou
enrubescida
pelas pegadas,
teia tecida
dessa migalha
chamada vida
Ah, Cida,
entristecida!
Até quando
vive esquecida
nesse inferno
zodiacal?
Cida, Cida,
enlouquecida,
o seu batom
que me fascina
nesse hospício
bilateral
Que Bela Cida,
Adormecida,
uma mulher,
uma menina,
sem sapatinho
de cristal
ANO: 2003
MÁ DONA (QUANDO UMA ROSA DEVORA UMA FLOR, COM ARDOR)
e quem nunca a beijou?
Peitos duros e empinados,
bicos rijos e eriçados
uma dama, um estupor
apetitosa
e fogosa
quero tê-la
com cuidado
tantos beijos e tesão
sua vagina
imagina!
uma flor açucarada
úmida e delicada
enlouquece mil mortais
mas...
sou mulher
sou a rosa que come flor,
amiga do beija-flor,
sou a outra flor
e já fui e serei "flor"...
nada importa,
quero sexo,
quero amor
ANO: 2003
ANJO SUICIDA
despencam a beleza
que a distância dos olhos revelam
Uma gota doce
do pecado concretizado,
uma lágrima amarga
demonstra a dor,
ou cortes profundos
jorrando a vida
mostrando a carcaça da fúria,
um uivo rasga o silêncio
que se evapora com o eco
distante do paraíso,
longe do inferno,
vagando na angústia,
no desespero de entender
que nada é além de nada
e as figuras se misturam
transformando-se em monstros
que o irão assombrar
pela eternidade
A náusea sufocante
é engolida no desespero
da dúvida que o cerca,
a cicatriz eterna
que o acompanhará
por todo o sempre
será angustiante,
aterrorizante,
e as últimas gotas
desse sonho vermelho
estão se esgotando
o ar, já rarefeito,
termina,
insuficiente
para sustentar suas alucinações
nada é como já foi
Um anjo caiu
no vácuo da dor
de entender o mundo
esquecido
naquele banheiro
ensanguentado e apodrecido
ANO: 1999
DEVOLUÇÃO
Eram quase duas horas da manhã. Descabelada e com cara de sono, foi atender à campanhia. Com medo, olhou pelo olho de vidro . A figura que viu era bem conhecida. Então, abriu a passagem para a pessoa entrar.
Roberto, seu ex-marido, estava angustido. Chorava como criança.
Como os homens são volúveis! Alice já tinha amado esse indivíduo. Moraram juntos vários anos e um dia, sem explicação, ele fez as malas e se mudou para o apartamento da Claudinha. Quanta mágoa e tristeza deixou em sua casa! Quantas horas em terapia ela gastou!
Mas, o destino é irônico. Quase dois anos após, ele bateu à sua porta para chorar porque a namorada o abandonou.
Roberto abraçou Alice. Alice o acolheu. A chuva aumentava e na rua a temperatura caÍa. Dentro da casa o calor era enorme. Os dois se beijaram. Rooupas voaram pela janela. A cama se agitou e o quarto flutuou a noite toda.
De manhã, ela olhou para ele e perguntou se já estava melhor. Ele assentiu. Um carinho enorme por ela brotou em seu peito. Confessou, entre tímidas e curtas frases, que sempre amou Alice.
Ela sorriu e, faminta, foi tomar café.
Durante um mês inteiro namoraram. Alugaram uma casa e voltaram a morar juntos. Estavam, aparentemente, com pressa em ser feliz.
Ela se mostrava apaixonada e ele, confuso, estava amando.
Os dias passavam e o romance dominava o momento.
Certa manhã, sozinha em casa, Alice fez as malas e foi embora, deixando um bilhete em cima da mesa.
Roberto encontrou o recado, sentiu uma pontada no peito, sentou no chão e, desconsolado, chorou. Chorou o choro mais amargo e dolorido já sentido. O mundo ruiu a seus pés. Sentiu, finalmente, que ela lhe devolvia toda a mágoa e a tristeza que um dia ele lhe dera.
Em um balcão de um bar do outro lado da cidade, Alice acendia um cigarro e comemorava. Tinha curado seu orgulho ferido anos atrás. Como era doce o sabor da vingança!
ANO: 1999
BUSCA
além de ninguém
sozinha na vida
esperando o trem
sem vintém?
Vinte horas ao dia
de incompreensão
na eterna existência
na dor e solidão
Quem sou eu
além de ninguém
a espera de alguém
que nunca mais vem?
Sei andar pelas ruas
de descaso
com ideias tão nuas
e com imenso acaso
Quem sou eu
além de mim mesma
na hipocrisia,
melodia,
de uma tristeza?
Sou um nada
camuflado
num tudo
embriagado
ANO: 2003
PACIÊNCIA (ASSIM É O MUNDO)
na ciência
do destino
Fui forçada,
na manhã,
brincadeira de menino
Me sangrou até morrer
me comeu, me devorou,
fugi para onde pode-se viver
e nas lembranças me marcou
...morri no mesmo dia,
no mesmo olhar que acaricia
é meu segredo de escola,
do nunca mais e do agora
Estou caíndo no mesmo abismo
das tuas mãos, adeus preciso
jogar paciência...
ANO: 2003
INTRANSIGÊNCIAS
a vida passa
e o sangue pulsa
As aves cantam
o mundo gira
e o sangue pulsa
A mentira vem
a verdade vai
e o sangue pulsa
Lembranças
Saudade, medos
e o sangue pulsa
Ideias mudadas
atitudes novas
e o sangue pulsa
Será?
Talvez?
Importância?
Não somos nada
e o sangue pulsa...
ANO: 1995
ESTRANHO
é saber
que tudo
na vida é
Estranho
é saber
que tudo
na vida é
Estranho
é saber
que tudo
na vida é
Estranho
é saber
que tudo
na vida é
Estranho
é saber
ANO: 2000
BULIMIA
a vida de bulimia?
Desejamos harmonia
e só encontramos confusão
caos, dificuldade
e antro de escuridão!
Não é ironia
a vida de bulimia?
Devoramos anseios
e devolvemos medos
de existir no vazio,
no ser sombrio,
humano e insano!
Escravas de compulsão
adoramos nossos excrementos
e partimos nessa viagem
na pastagem
de nossos sentimentos
Escravas da confusão
de conhecer seu próprio eu
o seu adeus à divisão
de desejo, de mulher
de prazer e de "me quer"
do suicídio tentado
e da angústia calada
na vaga insensatez
no medo da ilusão
Não é ironia
a vida de bulimia?
Vive a vida tão vazia
de querer e temer
a desilusão
nessa fétida massa
de humanização!
ANO: 2003
Comentários (6)
Minha cara poetiza Carol Ortiz - quanto tempo.... menina ... até que enfim nos conectamos... seu texto é maravilhosamente contundente... como esta você.... está bem de saúde... está viajando muito.... me visite menina... estava com saudade de você no Escrita . org. vê se faz alguns poemas para nós.... manina já estou com 1.840 textos escritos. fui indicado para compor o pessoal de Poesias para as escolas Br. em outubro do ano passado.... vamos ver o que vai dar. abraços. é bom saber que estas bem... me visite aqui no site... Ademir o poeta. rsrsrsrsrsr. até mais.
Minha cara Poetisa. Carol Ortiz - teus texxtos poéticos , estou sempre a lelos - em lembranaças de Infância. e cheia de incertezas e de amores... cortados em pedaços certos e errados. a infância ainda é de lembranças alegres. mesmos com sonhos não realizados. a não ser é claro quando sofremos violencias intimas. abaços de seu seguidor ademir.
Olá Carol Poetisa... Boa noite, certamente este mundo não é tão banal... mas os anjos de Istambul ...voam em formas de arco-iris na plenitude de teu imaginário poético. felicidades.
Olá Carol Poetisa.... Boa noite.... certamente que marte é por aqui , seu jeito de esquecer e poético. abraços. de seu sempre admirador. ademir.
Minha Cara e Grande Poetisa.... seus contos e poesias, são deslumbrantes, menina você é demais , me sinto bem pequenino no que tuas mãos escrevem. felicidades. e muitos amores seus versos irão conquistar. abraços e sejas muito feliz.
Adoro suas poesias como adoro seus lábios, minha esposa amada.