TODOS OS SENTIDOS
O planeta está em evolução
a vida sorri em compreensão
o sentimento humano é empático
porque sentido é enfático
amor, cuidado, carinho
nascem juntos como em um ninho
a imaginação é o poder de mudar
e ser novo, recomeçar
ANO: 1992
VAPOR
Vapor da humanidade
imagem da falsidade
inteligência desesperada
loucura desamparada
carro do ano, roupa da moda
queremos pensar, mas alguém nos poda
comemos restos que sobram
e a verdade ignoram
não existem mais nomes
somos números
ANO: 1992
SENTIDO
Tudo tem sentido
rodeado por perigo...
vício em adrenalina
ANO: 1993
PERVERSÃO
Um a um enfileirados,
calados, multilados,
perdidos numa multidão,
faces sem expressão,
um caminho:
promiscuidade;
resultado:
perversidade,
nascimento adulterado,
desordem da razão,
uma busca incompreensível,
um vazio, solidão,
desejos banalizados
surdina moralidade
hipocrisia
feto anônimo
moral
segredos
lixo, doença, imundice,
asco, vergonha, tristeza
agonia de saber,
uma vez perdida a inocência
pervertido estarão os sonhos
sem sonhos
sem beleza
ANO: 1994
MUNDO
Lá no fundo
tem um mundo
enlouquecido
e duro
Lá no fundo
tem um mundo
difícil,
irreal
Lá no fundo
tem um mundo
onde perguntas
respondem
questões tortas
Lá no fundo
tem um mundo
sem fundo...
ANO:1996
BURACO NEGRO
Um lugar hostil e sombrio
um lugar onde não há lugar
sombras, restos de sonhos
sobram num buraco
sem nexo
nem acesso
um buraco negro
sem cor, sem nada
perdido
numa ilha
humana
ANO: 1999
FERTILIDADE
Cobra da virilidade
ame-a por toda a eternidade
razão de sobrevivência
leito de uma carência
alvoroço de uma paixão
outra vez um coração
ANO: 1993
DESPERTE
Estamos tentando acordar de um pesadelo
de dor, morte e desespero
queremos nos ver livres de tudo
se o tudo não acabar com a gente
a gente acaba com o mundo
Acordaremos de um dia sangrento
quando conseguiremos acabar
com os monumentos
famílias mortas ressucitarão
e vingar suas mortes é o que farão
Bombas atômicas e nuclear
o mundo, em colapso, vai acabar
homens chorando, mulheres gritando
o mundo está desmoronando
Garrafas quebradas, espalhadas no chão
derramando o sangue sobre tuas mãos
respiramos por tubos de oxigênio
por culpa da ganância de um grande gênio
Somos brinquedos jogados, manipulados
não temos inteligência, não temos entusiasmo
nascemos para viver em pequenos quadrados
para contar nossa vida por retratos
ANO: 1992
DESEJO
Há um desejo, um grito interior
explodindo como um vulcão
liberando para o exterior
uma forte erupção
São as fantasias,
alegrias, nostalgias,
agonias, paralisias,
democracias, anemias,
melancolias, dislexias,
da vida
numa eterna terapia
Carência vaga
inocência rara
como uma conversa
honesta, sincera,
incerta...
Computadores dizem o sim e o não
controlando toda a emoção
não vivemos, obedecemos
obcecados pelo que não temos
ANO: 1993
SEM SAÍDA
Sem paz e mais guerra
com ódio e sem amor
revolução na Terra
mundo de angústia e terror
Sonhos se desmaterializam
caíndo em pavor
pessoas cada vez mais precisam
de coragem para superar a dor
Ruas desertas
onde bombas tocam o chão
vidas incertas
a morte é a solução
Poderes com um ideal
fazendo de suas vidas um mal
doença fatal
matando tudo por igual
Crianças pedindo comida
chorando de muita fome
com muitas, enormes feridas
há muito tempo não comem
Televisão é mentira
mostrando um mundo irreal
vida sem saída
a morte não é mais um mal
ANO: 1992
Adoro suas poesias como adoro seus lábios, minha esposa amada.