FRIO
Lá fora há um mundo que te espera
um mundo com folhas amarelas
um mundo violento e sombrio
cheio de angústia e frio
As selvas são cinzas
são fortes e concretas
o homem podou as vivas
e construíu outras de pedra
Mataram os cavalos
e fizeram ferro com rodas
o achavam muito parado
mas, depois o homem chora
Não usam diálogo agora
substituiram por TV
e tem quem compre horas
é loucura querer entender
Moramos em selvas concretas
andamos nos ferros com rodas
assistimos TV todo dia
cheiramos ao frio que nos guia
ANO: 1993
CONCERTO EM Em
Como dizer coisas que ficam guardadas
no inconsciente da distância
das coisas que quis um dia
outrora nasce uma vida
dentro de um ser imaginável
trovões, relâmpagos, medos, escuridão
sonhos que aparecem e parecem sem fim
rodeados por anjos intocáveis
uma brecha no meio da imensidão do nada
uma luz que atravessa a escuridão terrestre
uma busca incantável, abstrata
por lugares nunca antes idos
pelo insignificante inseto que vive
no cemitério das emoções
invisíveis pelos campos percorria
uma moça nua de imaginação
de um tempo já visto
de um lugar seguro
como essa música que percorre teclados
de lugares confusos, impenetráveis
de receios de tudo o que houve
a calmaria se aproxima, mas traz ondas
gigantes que chegam
com trovões,
arrombam a imensidaão do eco
Escutem as sombras
elas te levam ao sol
Observem as nuvens pesadas
que circulam suas cabeças
trazem sensações virgens
te levam até o alto
mostram a leveza
após o temporal
só o que se diz
só o que se ouve
Receio?!
Todos os caminhos,
todas as teclas
conduzem à melodia
ANO: 1998
ANEXO POEMA
Não sente dó
se sente só
vive num nó
subproduto do pó
Vive uma nostalgia
sem resolver sua economia
tenta ser uma paralisia
mas no fundo é uma nevralgia
Engole uma farsa
cuspida na "Barsa"
descobre marcas
cobertas por fardas
Submete-se à ilusões
esculpidas em corações
afoga dragões
logrados por indecisões
Vive sem nexo
contendo um gesto
apostado no sexo
lembrando o que foi anexo
ANO: 1994
VIDA
Vida
que te quero viva
e con
tí
nu
a
...
ANO: 1995
QUERO
O mundo é uma grande porta
existem janelas para o nada
em cada canto existe a morte
existe a dor, existe o medo
atrás da porta existem sombras,
onde cheira à ilusão
um lugar perto
de onde ficou a ferida
quando uma pessoa se feriu
com a dor de ser alguém
um lugar assim,
diferente, é absurdo
absurdo é viver igual,
ser minha vó amanhã
é simplesmente desistir de sonhos
do meu eu
e deixar tudo assim,
em vão
Não! Quero crescer ao meu modo
quero viver para viver como posso
quero liberdade
para viver e esquecer
que a noite existe
ANO: 1997
VISÃO SENTIMENTAL
Viver a vida
saber demais
querer que siga
correr atrás
de uma liga
uma paz
então me diza
o que se faz
quando se liga
a algo mais
Ser profissional
dizer a verdade
realidade total
digna da sociedade
visão sentimental
não tem idade
uma vida fatal
sem maldade
Querer, ser,
poder, fazer,
manter, crescer,
saber, dizer,
perder, ter
enfim, viver...
ANO: 1994
TUDO VAI MELHORAR
Mais uma página branca em vão
tudo uma grande ilusão!
e nessa tarde sangrenta
tão sedenta de loucuras
uma mistura de confusão
um mundo de incerteza
e a vida é a beleza
que os loucos vivem
quem sonha consegue
entender dizer o que é sim e não
o lado bom do coração
e procurar a cada entardecer
a coisa boa e importante
do homem do novo amanhecer
então, viver é aprender?
sem dúvida e sem elouquecer
a vida é a magia boa
o verdadeiro aprendizado
viver é esperar e lutar
é entender que tudo vai melhorar
é amar loucamente
você mesmo
ANO: 1998
SEM RIMA
A vida é um jogo
somos subprodutos da merda
colecionamos resíduos de nós mesmos
vivemos inventando, consumindo
consumidores de enlatados
detritos matrimoniais
sexo à distância
borracha siliconada
línguas de fogo
estágio avançado
num papel quadriculado
nostalgia e agonia
ambíguas visões
delinquência
prisões ilusionistas
ventres comprados
cobras da sociedade
bomba da humanidade
ANO: 1993
SE EU FOSSE NORMAL
Se eu fosse normal
iria ver o mundo estável
iria ser estável
iria ser assim
nem frio, nem quente
nem triste, nem eufórico
nem claro, nem escuro
nem tumulto, nem manso
nem muito, nem pouco
nem falar, nem calar
iria ser sem brilho,
sem cio,
sem nada,
iria ser normal,
só normal
nem louca, nem sã
só normal
seu eu fosse assim
Coitada de mim!
Não ia ter nada
além de um vazio
um eco de existir
se eu fosse normal
seria sem açúcar
sem nada de sal
iria ser nada
então, solitária
sem fantasias
e histórias
seria triste,
monótona,
trajetória
ANO:2005
SERVIDÃO
Luz da indecisão
inocente percepção
longe da avaliação
eu, a escuridão
unida à servidão
ANO: 1992
Adoro suas poesias como adoro seus lábios, minha esposa amada.