JOVEM
Às vezes me sinto longe
perdida em mim mesma
não sei como, nem onde
seja objeto ou incerteza
quero correr sem saber o caminho
vou sorrir como um passarinho
as pessoas agem como vulcão
impedido de entrar em erupção
às vezes liberdade é uma palavra
às vezes liberdade é uma ilusão
quero ser alguém
não só um item como convém
quero voar, quero crescer
quero ser jovem ao envelhecer
se sou um vulcão
quero entrar em erupção
ir além do meu limite
atravessar o infinito
ajudar, querer, ser
jovem além de envelhecer
ANO: 1993
VIVO
Nasci, cresci, fugi
bebi, andei, curti
menti, esperei, senti
não senti, amei, sofri
não amei, procurei, fugi
Chorei...
Esperei até sentir
descobri, a vida não vivi
sou nova, agora
o presente e futuro
estão aí
Vivo...
ANO: 1992
FRIO
Lá fora há um mundo que te espera
um mundo com folhas amarelas
um mundo violento e sombrio
cheio de angústia e frio
As selvas são cinzas
são fortes e concretas
o homem podou as vivas
e construíu outras de pedra
Mataram os cavalos
e fizeram ferro com rodas
o achavam muito parado
mas, depois o homem chora
Não usam diálogo agora
substituiram por TV
e tem quem compre horas
é loucura querer entender
Moramos em selvas concretas
andamos nos ferros com rodas
assistimos TV todo dia
cheiramos ao frio que nos guia
ANO: 1993
VIDA
Vida
que te quero viva
e con
tí
nu
a
...
ANO: 1995
CONCERTO EM Em
Como dizer coisas que ficam guardadas
no inconsciente da distância
das coisas que quis um dia
outrora nasce uma vida
dentro de um ser imaginável
trovões, relâmpagos, medos, escuridão
sonhos que aparecem e parecem sem fim
rodeados por anjos intocáveis
uma brecha no meio da imensidão do nada
uma luz que atravessa a escuridão terrestre
uma busca incantável, abstrata
por lugares nunca antes idos
pelo insignificante inseto que vive
no cemitério das emoções
invisíveis pelos campos percorria
uma moça nua de imaginação
de um tempo já visto
de um lugar seguro
como essa música que percorre teclados
de lugares confusos, impenetráveis
de receios de tudo o que houve
a calmaria se aproxima, mas traz ondas
gigantes que chegam
com trovões,
arrombam a imensidaão do eco
Escutem as sombras
elas te levam ao sol
Observem as nuvens pesadas
que circulam suas cabeças
trazem sensações virgens
te levam até o alto
mostram a leveza
após o temporal
só o que se diz
só o que se ouve
Receio?!
Todos os caminhos,
todas as teclas
conduzem à melodia
ANO: 1998
SEM RIMA
A vida é um jogo
somos subprodutos da merda
colecionamos resíduos de nós mesmos
vivemos inventando, consumindo
consumidores de enlatados
detritos matrimoniais
sexo à distância
borracha siliconada
línguas de fogo
estágio avançado
num papel quadriculado
nostalgia e agonia
ambíguas visões
delinquência
prisões ilusionistas
ventres comprados
cobras da sociedade
bomba da humanidade
ANO: 1993
DOR
O mundo tem portas
tão selvagens quanto o real
são ondas de desentendimento,
lei do mais forte
somos ventos feitos de areia
em que tempo bate e desmancha
somos homens
feitos de sonhos selvagens
são segredos inatingíveis, ilegíveis
o mundo é da cor do mundo,
em que anos passam,
sonhos mudam e o tempo leva
como as águas da correnteza
que, quanto mais quieta,
mais engana
são todos...
são selvagens...
ANO: 1996
ANEXO POEMA
Não sente dó
se sente só
vive num nó
subproduto do pó
Vive uma nostalgia
sem resolver sua economia
tenta ser uma paralisia
mas no fundo é uma nevralgia
Engole uma farsa
cuspida na "Barsa"
descobre marcas
cobertas por fardas
Submete-se à ilusões
esculpidas em corações
afoga dragões
logrados por indecisões
Vive sem nexo
contendo um gesto
apostado no sexo
lembrando o que foi anexo
ANO: 1994
ENTENDER
Calor e poder
luz e saber
angústia de querer
sem saber porquê
dias e dias a entender
um mero pretender
odiando compreender
que agimos sem fazer
ANO: 1995
VISÃO SENTIMENTAL
Viver a vida
saber demais
querer que siga
correr atrás
de uma liga
uma paz
então me diza
o que se faz
quando se liga
a algo mais
Ser profissional
dizer a verdade
realidade total
digna da sociedade
visão sentimental
não tem idade
uma vida fatal
sem maldade
Querer, ser,
poder, fazer,
manter, crescer,
saber, dizer,
perder, ter
enfim, viver...
ANO: 1994
Adoro suas poesias como adoro seus lábios, minha esposa amada.