QUERO
O mundo é uma grande porta
existem janelas para o nada
em cada canto existe a morte
existe a dor, existe o medo
atrás da porta existem sombras,
onde cheira à ilusão
um lugar perto
de onde ficou a ferida
quando uma pessoa se feriu
com a dor de ser alguém
um lugar assim,
diferente, é absurdo
absurdo é viver igual,
ser minha vó amanhã
é simplesmente desistir de sonhos
do meu eu
e deixar tudo assim,
em vão
Não! Quero crescer ao meu modo
quero viver para viver como posso
quero liberdade
para viver e esquecer
que a noite existe
ANO: 1997
ANEXO POEMA
Não sente dó
se sente só
vive num nó
subproduto do pó
Vive uma nostalgia
sem resolver sua economia
tenta ser uma paralisia
mas no fundo é uma nevralgia
Engole uma farsa
cuspida na "Barsa"
descobre marcas
cobertas por fardas
Submete-se à ilusões
esculpidas em corações
afoga dragões
logrados por indecisões
Vive sem nexo
contendo um gesto
apostado no sexo
lembrando o que foi anexo
ANO: 1994
VIDA
Vida
que te quero viva
e con
tí
nu
a
...
ANO: 1995
SE EU FOSSE NORMAL
Se eu fosse normal
iria ver o mundo estável
iria ser estável
iria ser assim
nem frio, nem quente
nem triste, nem eufórico
nem claro, nem escuro
nem tumulto, nem manso
nem muito, nem pouco
nem falar, nem calar
iria ser sem brilho,
sem cio,
sem nada,
iria ser normal,
só normal
nem louca, nem sã
só normal
seu eu fosse assim
Coitada de mim!
Não ia ter nada
além de um vazio
um eco de existir
se eu fosse normal
seria sem açúcar
sem nada de sal
iria ser nada
então, solitária
sem fantasias
e histórias
seria triste,
monótona,
trajetória
ANO:2005
VONTADE COTIDIANA
Quero viver
para viver como posso
quero liberdade
para viver e esquecer
que tudo o mais existe...
ANO: 1995
FELICIDADE
Vôo razante da saudade
nela enxergo a verdade
enxergo no escuro a idade
sou feita de felicidade
sonhos de vaidade
afogo a falsidade
nego a maldade
sou feita de alegria
nela enxugo a nostalgia
enxergo no escuro a vida
sou feita de maravilha
sonhos de vida
afogo a covardia
nego a agonia
sou feita de alegria
O MUNDO EM QUE VIVEMOS
Guerras, bombas e mortes
fome, miséria e dor...
que mundo vivemos, oh deus?
mundo da desgraça e do horror
Vida artificial
mundo da corrupção
sede do poder
ganância e marginalização
famílias mortas, banhadas em sangue
o horror domina os homens
que vêem a morte cada vez mais próxima
num mundo escuro e sem sorte
O sol do verão já não é mais quente
o frio do inverno já não é mais frio
somente lixo restou da gente
e a vida pendurada num fio
O mundo em que vivemos
cada dia se acabando mais
como um horizonte sem fim
como um dia de ódio, sem paz
Qual é o nosso fim?
Como acabar tudo assim?
ANO: 1991
ALEGRIAS
Alegrias,
sonhos, ilusões, fantasias
duendes da imaginação
habitam um coração
meio maluquinho
menino espertinho
mundo de arco-iris
dentro de um píres
vive de emoções
perigos e paixões
seus deuses da emoção
cantam suas canções
é alegre e feliz
sabe tudo o que diz
sem vergonha e sem medo
cada um tem sei jeito
ANO: 1995
QUEBRA DE GELO
Olhe no seu interior
viva o seu vapor
queira sua essência
grite a sua existência
mixe a sua alegria
junto com a rebeldia
negue seus desinteresses
agarre seus interesses
beba da sobrevivência
despeje sua carência
sinta sua realidade
viva todas as idades
chore seus temores
desintegre seus pavores
esqueça os invasores
viva só seus amores
desperte a felicidade
invente sua verdade
respire seus desejos
fale a certeza sem medo
a hora nunca é cedo
consiga ser "quebra de gelo"
ANO: 1994
NA CALADA
A noite chega
e com ela as surpresas boas da vida
você vem com seu jeito moleque
seu olhar de menino
tudo é tão lindo
como ser só sua
todas as horas é tão gostoso
teu abraço me devora
e me sinto mulher
à luz da lua
testemunha das nossas peraltices noturnas
a lua é nossa guia
nossa cúmplice
que tudo olha e aprecia
mas, calada, nos sorri
e nos mostra que esse amor
tão saudável e tão selvagem
é a forma mais linda
de deixar a noite mais nossa
a lua nos vê e aprecia
pois sabe que todas as nossas travessuras
serão nossas
e de mais ninguém
ANO: 1998
Adoro suas poesias como adoro seus lábios, minha esposa amada.