NA CALADA
A noite chega
e com ela as surpresas boas da vida
você vem com seu jeito moleque
seu olhar de menino
tudo é tão lindo
como ser só sua
todas as horas é tão gostoso
teu abraço me devora
e me sinto mulher
à luz da lua
testemunha das nossas peraltices noturnas
a lua é nossa guia
nossa cúmplice
que tudo olha e aprecia
mas, calada, nos sorri
e nos mostra que esse amor
tão saudável e tão selvagem
é a forma mais linda
de deixar a noite mais nossa
a lua nos vê e aprecia
pois sabe que todas as nossas travessuras
serão nossas
e de mais ninguém
ANO: 1998
VIVO
Nasci, cresci, fugi
bebi, andei, curti
menti, esperei, senti
não senti, amei, sofri
não amei, procurei, fugi
Chorei...
Esperei até sentir
descobri, a vida não vivi
sou nova, agora
o presente e futuro
estão aí
Vivo...
ANO: 1992
VULCÃO
Vulcão
engole meu coração
ladrão
face real, sem arranhão
paixão
leve no acaso senão
razão
é realidade da ilusão
tesão
sangue em erupção
visão
intimidade e compreensão
sensação
flui sem ação
desilusão
viva na separação
imaginação
entre o sim e o não
ANO: 1994
JOVEM
Às vezes me sinto longe
perdida em mim mesma
não sei como, nem onde
seja objeto ou incerteza
quero correr sem saber o caminho
vou sorrir como um passarinho
as pessoas agem como vulcão
impedido de entrar em erupção
às vezes liberdade é uma palavra
às vezes liberdade é uma ilusão
quero ser alguém
não só um item como convém
quero voar, quero crescer
quero ser jovem ao envelhecer
se sou um vulcão
quero entrar em erupção
ir além do meu limite
atravessar o infinito
ajudar, querer, ser
jovem além de envelhecer
ANO: 1993
ENTENDER
Calor e poder
luz e saber
angústia de querer
sem saber porquê
dias e dias a entender
um mero pretender
odiando compreender
que agimos sem fazer
ANO: 1995
DOR
O mundo tem portas
tão selvagens quanto o real
são ondas de desentendimento,
lei do mais forte
somos ventos feitos de areia
em que tempo bate e desmancha
somos homens
feitos de sonhos selvagens
são segredos inatingíveis, ilegíveis
o mundo é da cor do mundo,
em que anos passam,
sonhos mudam e o tempo leva
como as águas da correnteza
que, quanto mais quieta,
mais engana
são todos...
são selvagens...
ANO: 1996
VIOLÊNCIA URBANA
Violência urbana
uma vida inteira
num fim de semana
ganância, dinheiro, riqueza
mais um drana
violência gerada da pobreza
revolta, medo, façanha
pisada por incerteza
por azar, por fama
usam armas
revólver, faca
não engana
enquanto os outros
com meras palavras
se armam com campanhas
ratos de esgotos
nojentos e escrotos
geram conflitos
rebelam-se num grito
fome, dor, miséria, morte
violência urbana
acaba com a história
num fim de semana
ANO: 1995
ALEGRIAS
Alegrias,
sonhos, ilusões, fantasias
duendes da imaginação
habitam um coração
meio maluquinho
menino espertinho
mundo de arco-iris
dentro de um píres
vive de emoções
perigos e paixões
seus deuses da emoção
cantam suas canções
é alegre e feliz
sabe tudo o que diz
sem vergonha e sem medo
cada um tem sei jeito
ANO: 1995
QUEBRA DE GELO
Olhe no seu interior
viva o seu vapor
queira sua essência
grite a sua existência
mixe a sua alegria
junto com a rebeldia
negue seus desinteresses
agarre seus interesses
beba da sobrevivência
despeje sua carência
sinta sua realidade
viva todas as idades
chore seus temores
desintegre seus pavores
esqueça os invasores
viva só seus amores
desperte a felicidade
invente sua verdade
respire seus desejos
fale a certeza sem medo
a hora nunca é cedo
consiga ser "quebra de gelo"
ANO: 1994
ESTRADAS
Estradas
meras estradas
que não me levava à nada
era falsa, er amarga
era angústia, era pálida
era ilusória, era apenas
uma estrada
Estradas
várias estradas
que nos deixam fazer
nos escondem o querer
sem querer saber por que
era duvidosa, era magra
era somente mais uma
estrada
Estradas
que nos tiram do nada
nos monstram o bem, o amor
nos faz ser humanos,
nos tiram a dor
e mostra a paz
interior
é pacífica,
bonita
é a real
estrada
ANO: 1994
Adoro suas poesias como adoro seus lábios, minha esposa amada.