VIVO
Nasci, cresci, fugi
bebi, andei, curti
menti, esperei, senti
não senti, amei, sofri
não amei, procurei, fugi
Chorei...
Esperei até sentir
descobri, a vida não vivi
sou nova, agora
o presente e futuro
estão aí
Vivo...
ANO: 1992
DÚVIDA
Fazer perguntas e obter respostas
leva-nos a fazer um esforço
ainda que as falas sejam tortas
velejamos num esgoto
inspirando-nos em cordas
ou apenas um esboço
ANO: 1993
VENENO
Quero a sanidade que me pertence
o respeito de uma pessoa
a dignidade pisoteada
a fé de um futuro melhor
o amor que não tem
as coisas todas no lugar
quero acordar desse pesadelo
Você tem o dom da cura
você tem a receita do veneno
você tem o dom da vida
você tem poder da morte
por que faz isso?
por que cava buracos
em pessoas aleatórias?
Pra fazer história?
Isso magoa
meu mundo é pequeno
pra tanto veneno
ANO: 2000
OI?
Porca miséria
é a porca da Dona Nélia
que,
engordando com esperteza
mora ao lado
da Pobre Elza
que é neta
da Dona Tereza
Má, Dio mio!!!
Porca miséria
que pobreza é esta?
ANO: 2000
CONFISSÃO
Entre folhas e linhas
confesso meus sonhos
desejos e medos
todas as coisas minhas
que podem ficar perdidas
no tempo de um tempo
que ainda não veio
ANO: 1995
DESABAFO
Palavras não bastam para carregar todo o peso desse mundo. Qualquer decisão ou atitude é sempre importante. Tudo se resume no silêncio ambíguo da indecisão e do medo de existir. Tudo o que dizerm são palavras, mentiras que não vão ser.
Talvez quem saiba um dia, as histórias contadas serão reais e deixarão de ser meras ideias esquecidas na gaveta trancada.
Pássaros voam em torno da minha cabeça e me perco, aqui, nas hostilidade dos dias atuais.
Qualquer bem pode ser ouvido, qualquer grito pode se evaporar na linguagem anônima do medo e da alegria, no sentido da conquista.
Só palavras...
ANO: 1998
VIOLÊNCIA URBANA
Violência urbana
uma vida inteira
num fim de semana
ganância, dinheiro, riqueza
mais um drana
violência gerada da pobreza
revolta, medo, façanha
pisada por incerteza
por azar, por fama
usam armas
revólver, faca
não engana
enquanto os outros
com meras palavras
se armam com campanhas
ratos de esgotos
nojentos e escrotos
geram conflitos
rebelam-se num grito
fome, dor, miséria, morte
violência urbana
acaba com a história
num fim de semana
ANO: 1995
QUEBRA DE GELO
Olhe no seu interior
viva o seu vapor
queira sua essência
grite a sua existência
mixe a sua alegria
junto com a rebeldia
negue seus desinteresses
agarre seus interesses
beba da sobrevivência
despeje sua carência
sinta sua realidade
viva todas as idades
chore seus temores
desintegre seus pavores
esqueça os invasores
viva só seus amores
desperte a felicidade
invente sua verdade
respire seus desejos
fale a certeza sem medo
a hora nunca é cedo
consiga ser "quebra de gelo"
ANO: 1994
O POETA E O PORTAL
Pelas janelas desse mundo
vê-se uma luz muito distante
entre essas flores, um profundo
uma manhã tão radiante
Pelas janelas que aconchego
paira uma força, algo anormal
nos reflete todo o desejo
como uma vida sempre igual
Na lacuna paira o infinito
d'onde um poeta fez o real
e talvez doce esse serviço
De um simples sonho um total
trás contos num ato maciço
pois no Éden, esse é o portal
ANO: 2000
MÁSCARAS
Tirem suas máscaras
homens primitivos
da tecnologia avançada
Tirem suas máscaras
sociedade hipócrita
da falsa moral
Tirem suas máscaras
soldadinhos do preconceito
da sociedade moderna
Tirem suas máscaras
homens de uniforme
estou sem o meu
por que todos me olham?
Por que todos me condenam?
Não estou só, mesmo separados
existe o pensamento
existe a memória
porque minha máscara caiu
faz algum tempo
será que é agressão ser verdadeiro?
Acredito em alguém
que já esteve só
sem máscara, sem falsidade
deixado de lado por ser verdadeiro
Tirem suas máscaras
e nos entendam
ANO: 1995
Adoro suas poesias como adoro seus lábios, minha esposa amada.