INDIFERENÇA
Na minha profunda escolha
há uma dor muito forte
um "quê" abrangendo a morte
meu ego destruído
Dói tanto viver!!!
Tantas coisas cruzei
e da vida quase nada sei
nada tenho, a não ser o pânico
Estou sozinha novamente
sem carinho e sem resposta
Piso numa corda bamba
uma bomba amarga
nessa escuridão
ANO:2005
FRASES
Ninguém é completamente feliz e livre pelo simples fato de existir - 1995
Mais sujo que o mundo só o meu mundo. - 1995
Nunca deseje morrer. Além de morrer em vida, você morrerá em espírito e se transformará numa parte do nada. - 1995
A beleza do mundo não está nas palavras, mas sim depois das janelas, portas e paredes. Está lá fora, debaixo do sol, no riso das pessoas. A beleza está na vida. - 1995
Sabia que você é muito especial? Tão especial que é capaz de ser especial para alguém especial como eu. - 1995
Às vezes a vida é só um subir e descer da escada e ir de encontro ao nada - 2003
A maior grandeza do ser humano é saber que a cada ida a volta é impossível. - 1998
FOI UM ERRO
Até um talvez
não existia uma certeza
imposto um não
surgiu um sim
foi assim...
Fui um erro,
sempre erro
não nego que sou
uma cartilha de erros
surgiu um certo
às vezes...erro
até um talvez
só existia um não
surgiu um sim
e um erro destruíu
o mundo, a vida, as cores
um erro que não sei se é erro
mas fiz
ANO: 1996
VOCÊ SABE AMAR?
Você sabe amar?
Estou aprendendo
a aceitar as pessoas,
que nos desapontam
quando fogem do ideal
nos ferem
nos amedrontam
É difícil aceitar diferenças
não é muito aprazível
não desejo que seja
desta forma, previsível
Aprender a amar
a esccutar
a olhar
e ouvir
com vontade, afeto
ver uma alma sorrir
Olhar ombros caídos,
olhos vazios,
mãos inquietas,
escutar a verdade
em poucas palavras
gestos,
ser poeta
Descobrir angústias,
corriqueiras,
superficiais,
inseguranças mascaradas
sorriso fingido
atitudes exageradas
Descobrir a dor
de cada coração
perdoar desavenças
apagar cicatrizes
jogar mágoas
na lata do lixo
e penetrar
na imensa vastidão
do verdadeiro humano
cigano
engano
Não há sintoma de lástima
autocomisseração
extingue traços
de dor
passo a passo
desvalorização
Dentro de cada vida
valores e rejeição
experiências duras
sofridas
falta compreensão
vividas ao longo dos anos
ver, distante,
as possibilidades
de sorrir
entre milhares de situações
é preciso aceitar
precisamos aprender a vida
precisamos aprender a amar
ANO: 1999
O DRAGÃO E A BAILARINA
Ontem, subindo o morro
um dragão de cauda longa
que andou tantos caminhos
de uma vida
tão cansada de ser só
Cuspiu gelo enraivecido
num potinho made in China
cantou sonhos coloridos
de uma doce bailarina
Onde, subindo o morro
um palhaço de aço
tão bobo,
fez nascer um ar cansado
de uma vida
tão ardente,
tão contida
Viu dragão, duende, bailarina
e chorou porque lembrou de sua filha
que não teve mas nasceu de seu suor
Foste pai, avô, neto da menina
que lhe tocou e aprisionou
numa cauda de dragão
ANO: 2002
DESTINOS CRUZADOS
"Alô, Alex?"
"Oi!"
"É a Letícia, tudo bem?"
"Oi Lê"
"Liguei pra dizer que vou fazer um jantar pra nós. Você vem?"
"Legal!" - disse com espanto. Ela, afinal, nunca gostou ou quis cozinhar durante esses três anos de namoro.
"Então você vem?" - agora ela estava surpresa. Ele nunca gostou de nada romântico e que não pudesse controlar.
"Lógico! Que tal um filme tarde da noite?"
"Filme?!" - ele enlouqueceu, com certeza! Conversa estranha! Alex nunca se importou com filmes. Ele só gostava de ganhar dinheiro. - "Claro!"
"Você escolhe." - ela, definitivamente não está bem, pensou. Letícia nunca gostou de nada além de coisas que reforçassem sua beleza. Era o estereótipo narcisista vivo!
"Ok!" - qual seria essa nova versão de Alex? Ele, tão controlador, estava deixando ela decidir? Era assustador.
"Que horas?"
"A de sempre." - ele sempre passava na casa dela para certificar-se de que tudo estava sob seu controle.
Alex riu:
"Você deve estar fazendo piada, né? Às vezes você é muito cruel! É a primeira vez que você me chama pra fazer algo romântico! Já sei: você sabe o quanto gosto disso e resolveu me zombar...Letícia, você é má!"
"Como? Não estou entendendo..."
"Você é má sim! E estranha...e parece outra pesso..."
"Pessoa ? Espere, será que somos quem pensamos que somos? Sou Letícia, noiva de Alex e..."
"Noiva? Não, não. Sou Alex, namorado de Letícia."
"Qual seu número?"
"22655551"
"Opa, liguei errado. Desculpe."
Então desligaram o telefone.
Na mesma noite, Letícia e Alex, o noivo, entrando em um restaurante:
"Não, não. Não quero ficar aqui. Gosto da minha casa, do conforto do meu território."
"Letícia, por favor! Você precisa viver meu mundo. Quer casar? Então, tem que me acompanhar. Garçon, o vinho mais caro, por favor! Com sorte, sairemos em alguma coluna social amanhã. Sorria!"
"Por que você não arruma outra noiva? Eu não sou a mulher perfeita que você quer."
"Não, não é, mas você tem os olhos que eu quero. Minha cara, você será perfeita, acredite!"
Pela porta principal, outro casal chegava em clima de discussão. A loira, alta e esbelta, mostrava-se irritada porque o namorado estva trajado em desacordo com o ambiente e, o que era uma blasfêmia, disse que não gostava de lugares da moda:
"Alex, meu querido! O que faz aqui?" - disse a loira em direção de Alex, o noivo.
"Letícia? Quanto tempo!"
"Esse é meu namorado Alex."
"Essa é minha noiva Letícia."
"Que engraçado! Temos os mesmos nomes. Alex, meu namorado, estava me dizendo que uma Letícia telefonou hoje cedo, por engano, e ele pensou que fosse eu. Tão dramático!"
Letícia, a noiva, corou e olhou para os olhos de Alex, o namorado.
Os quatro se sentaram em uma iluminada e farta mesa. A noite passou entre copos de vinho e papo furado. Ao final, cada um foi para sua casa. Cada um foi para o seu destino: o rompimento dos dois relacionamentos foi inevitável.
Anos depois:
"Mamãe, a gente vai passear esse fim de semana?"
"Talvez, mas acho que seu pai vai querer ver um filme e eu vou cozinhar coisas gostosas para vocês. Amo cozinhar!"
"Que foto é essa?"
Ela estava olhando um caderno com uma fotografia antiga em que quatro pessoas jovens e bonitas estavam em um restaurante. Eles sorriam sorrisos vazios e cansados. Eram infelizes naquela época.
"Sou eu, seu pai e dois amigos: Alex e Letícia."
"Eu já existia?"
Ela sorriu e bagunçou o cabelo da criança:
"Não, seu pai e eu nem namorávamos. Aliás, nós no vimos pela primeira vez durante esse jantar."
"Como foi que vocês se conheceram?"
"Alex, venha explicar para seu filho como nos apaixonamos? Vou preparar um sanduíche."
"Bom, tudo começou quando sua mãe discou um número errado de telefone e eu disse "alô"..."
LIQUIDIFICADOR DE SENTIMENTOS
Um vazio sem identidade,
um triturador sem eletricidade,
um demolidor confuso,
uma peça a mais,
um local obscuro
o tempo não volta atrás
Esmagador de esquecimento
tudo feito sem movimento
com massa, óleo, cimento
uma máquina ou sentimento
cada vez mais girando,
triturando, confundindo,
esmagando e diluindo
Como explicar essa invasão?
Simples liquidificador ou homem?
Eis a questão
ANO: 1995
VALE DO ESGOTO
O vento sopra no portão
Até que ponto o fim está perto?
Longe de algum parco lugar
Onde filosofias de revistas
Jorram nas mentes doentias
E essa sombra colossal?
E Merlin, vem buscar-me?
As pessoas chegam para assombrar
Todo o temor enternecido
De alguma coisa que um dia foi
Dói, a vida dói
E a cada náusea está partindo
O princípio de um longo fim
Estou amando a morte...
ANO: 1997
LÁGRIMAS DE SANGUE
Era apenas uma vez:
um olhar triste e sombrio
preso no próprio silêncio,
na dor de ser alguém
Quando sorria,
seu sangue brotava
através das lágrimas sufocadas,
da luta de conseguir algo em vão
E chegar lá era ver
a frustração
angústia
Engula seus sonhos,
doce menina!
Dormir tranquilo era ver
que o mundo se consumia
e os nervos ficavam
a flor da pele
e ela...
...não era ninguém
ANO: 1995
LIBIDO
Seu sabor
ainda escorre nos meus lábios
onde seu mamilo já foi rei
no furor da minha boca
atormentada de prazer
de viver o ápice
de querer
o seu toque
re-toque
foi pecado
Ah, porque essa cama é tão imensa
para guardar tão nobres sonhos
de uma noite inesquecível
ah, porque esse quarto é tão pequeno
para guardar tantos segredos
de uma soprano adormecida
Seu cheiro ainda está no meu vestido
que, tão ligeiro, foi despido
por suas mãos enfurecidas,
por sua sede de desejo
de pecado do querer
ah, porque esse dia é tão estreito
para guardar tantas lembranças
de uma vida enlouquecida
ah, de tantos toques me peguei
num canto escuro sem você
numa tensão enternecida
ANO: 2002
Adoro suas poesias como adoro seus lábios, minha esposa amada.