INDO
Andava por multidões
rostos sem expressões
sentia-me perdida
numa ilha...
como eu era vazia!
Humilhava,
chorava,
sofria...
gritos de agonia
era tudo o que ouvia
ANO:1994
VOCÊ SABE AMAR?
Você sabe amar?
Estou aprendendo
a aceitar as pessoas,
que nos desapontam
quando fogem do ideal
nos ferem
nos amedrontam
É difícil aceitar diferenças
não é muito aprazível
não desejo que seja
desta forma, previsível
Aprender a amar
a esccutar
a olhar
e ouvir
com vontade, afeto
ver uma alma sorrir
Olhar ombros caídos,
olhos vazios,
mãos inquietas,
escutar a verdade
em poucas palavras
gestos,
ser poeta
Descobrir angústias,
corriqueiras,
superficiais,
inseguranças mascaradas
sorriso fingido
atitudes exageradas
Descobrir a dor
de cada coração
perdoar desavenças
apagar cicatrizes
jogar mágoas
na lata do lixo
e penetrar
na imensa vastidão
do verdadeiro humano
cigano
engano
Não há sintoma de lástima
autocomisseração
extingue traços
de dor
passo a passo
desvalorização
Dentro de cada vida
valores e rejeição
experiências duras
sofridas
falta compreensão
vividas ao longo dos anos
ver, distante,
as possibilidades
de sorrir
entre milhares de situações
é preciso aceitar
precisamos aprender a vida
precisamos aprender a amar
ANO: 1999
DESERTO
Olhe com cuidado para o nada
está enxergando os olhos do mundo?
Estão nos observando
e cada gota do nosso sangue
é uma imensa porta para a morte
Estou aqui,
não sou nada
escute a voz
Ouviu?
São pássaros anunciando o medo
de conhecer o que já se sabe
da dor...
Em algum lugar coloquei a vida
onde está?
Lugar nenhum
ANO: 1996
VIDA CONTIDA
A vida
está contida
numa ilha
a dias
e milhas
vazia,
quem diria?!
ANO: 1994
ILUSÃO
Pura ilusão!!!
Todas essas estradas,
tão belas e fartas
te levam ao nada
de mãos atadas
Atenção,
não caia nesse chão
de desgosto
libertino
Essas estradas
não têm destino
INDIFERENÇA
Na minha profunda escolha
há uma dor muito forte
um "quê" abrangendo a morte
meu ego destruído
Dói tanto viver!!!
Tantas coisas cruzei
e da vida quase nada sei
nada tenho, a não ser o pânico
Estou sozinha novamente
sem carinho e sem resposta
Piso numa corda bamba
uma bomba amarga
nessa escuridão
ANO:2005
METRÓPOLE
Toda noite há uma lembrança
no meio do nada que restou
Faço parte do tudo,
onde vozes gritam com o vento
Só o silêncio pode dizer
as vezes que ri,
as vezes que chorei,
quando gozei,
quando menti,
quando gritei
Sou um todo envolto ao nada
sou lembrança que nunca apaga
Diga-me onde fica nosso novo canto?
Nosso encanto, nosso pranto?
Estou aqui, ao seu lado
pensando quieta, chorando
quero o amor
quero o orgasmo
quero a vida
e você só me trouxe partidas
Sou assim,
preciso que você cante,
no silêncio da noite,
junto comigo
a loucura que ninguém viverá por mim
Segure-se nos meus lábios,
nos meus sonhos
só eles dizem a verdade
ANO: 1996
PEDAÇOS
Foi num desses dias em que o tédio domina o ser mais insignificante, que aprendi a viver. Sinceramente, não me interessava as consequências do futuro porque talvez não tivesse um pela frente.
Conheci a vida tarde, mas de uma forma intensa. Drogas e aventuras embalaram minha entrada na vida adulta.
Hoje sinto uma dor tão incrivelmente forte que chega a sufocar o que restou de mim. Quem sou eu? Eu existo?
As viagens sóbreas da vida são mais alucinógenas do que uma balinha.Será que um dia a humanidade será mais receptiva e acolhedora?
Os homens são os animais mais complexos que já vi! Talvez queria estar onde estive com pessoas que já vivi.
A dor de um viciado em sonhos é maior que sua jornada social. Por que o mundo insiste em ignorar ou desprezar o diferente? Nós existimos! Grito novamente: Nós existimos!!!
Preciso de um buraco para ficar e encontrar-me de verdade. Não consigo respirar nesse turbilhão de compromissos impostos desde que nascemos.
Meus amigos estão por aí, ligados num mundo externo. Estou presa, sozinha. Sair da escória e voltar para a história? O sentido está se perdendo novamente e eu estou me desfazendo. Me perdoe!
Sábado, aquele sábado! Estive lá no momento certo e na hora certa, apenas não fui a pessoa certa. Estou aqui, hoje, aguentando os resultados dessa sólida viagem.
Do lado de fora está o medo de correr os mesmos riscos. Talvez eu já esteja caída numa dessas armadilhas factuais e sem volta.
Meu corpo está fora da casca, mas meu coração está protegido pelo meu temido eu. Como é difícil ser alguém!
Espero encontrar o verdadeiro caminho. Continuar andando...
ANO: 1995
DENTRO DESSE MUNDO
Vida perdida,
massacrada,
quem nasce ferida,
morre em vida,
vive perdendo,
sofrendo,
vive lutando por nada,
esquecendo:
a dor não acaba!
Ser diferente dói
mata, destroi
Vivo sem nexo,
sou poeta
enfraquecida
por esses curtos longos anos de vida
Se for para ser vegetal
prefiro ser radical,
ou me deixem viver
ou escolho morrer
de tiro, de queda
talvez, quem sabe,
de uma dose a mais
Fui feliz
mas me esqueci
que isso era proibido
agora, com licença,
acho que puxarei o gatilho
ANO: 1995
IDAS E VOLTAS
Num olhar imenso e vazio
ecoava o medo de ter
toda a alegria que o mundo
poderia suspirar
então sabia,
sem pedir licença,
que tudo entraria,
um dia,
num mundo infinito
esquecido,
esquisito
todas as dores estariam
guardadas,
distantes de tudo
e assim que amanhecesse
tudo seria
como já foi
e acordaria
a dor
ou, simplesmente,
o alívio
Então, voltaria para a rotina...
ANO: 1999
Adoro suas poesias como adoro seus lábios, minha esposa amada.