Carol Ortiz

Carol Ortiz

A minha intensidade vomita existências...

n. 0000-09-18, Campinas, SP

Perfil
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UM CANTO PARA A MORTE

Se a morte é sorte
que seja forte
quem vivenciá-la

porque encará-la
mesmo com coragem
supõe a bagagem
de ansiedade
incredibilidade
e medo
de achar que é cedo

tudo não tarda
e antes que parta
é bom se perder
nas entranhas da vida
que tão resumida
entrega-se à morte
que, cá entre nós, seja forte


2021
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Biografia

Nasci em Campinas, SP. Morei em muitos lugares e voltei para mesma cidade para envelhecer. Sou casada e mãe de cachorros e crianças que precisem de colo. Essas poesias foram escritas durante toda a minha vida e em épocas diferentes. Algumas foram publicadas em coletâneas e outras não. Para quem gosta e quer passar u tempo em contato com a literatura, boa leitura :)
Se quiserem se corresponder, e-mail: [email protected] (posso demorar para responder, mas sempre respondo). Acessem meu canal no youtube sobre livros:
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Poemas

283

MEDO

Se for assim, 
anjos de marfim,
a morte é longe
e perto de mim
azul do hoje,
amanhã talvez
Se for assim,
anjos de cetim,
a morte é perto
mais perto do fim
enquanto respiro
sufoca-me o frio
Se for assim, 
anjos de alecrim,
estou em guerra
na Terra
de perigo,
aviso,
castigo
Medo de viver?


ANO: 1996
113

MIL E UMA NOITES DE MENINICE

Alberto, o certo,
fundador do deserto,
do ego, do elo
e hoje estão tão perto
(o ciclo vicioso da vida)

Serginho, meiguinho,
tão pequenininho!
Voou no perigo
e ficou esquecido
(um amigo)

Alceu, foi o seu 
trampolim pra perdição
da antiga e tão nova
passada geração

Miguel, de véu
o velhinho volante
vestia vontade
de ser flutuante
(que tédio!)

Carlão, o doidão,
cabelos longos, ilusão!
Na noite de barulho
foi meu rei de confusão
(louco, louco...)

Marcelo, que tédio!
E quanta encenação!
A amiga dormia cedo
e nós na multidão
(foi uma traição)

Luiz, morava ao lado
ao fato, à precisão
tão fofo e tão pacato
e amigo de coração
(fui inocentemente seduzida)

Manu, foi engraçado,
foi bom, foi safado,
foi tudo apenas um dia
e fugiu com minha amiga
(a vida é uma comédia)

Fábio, ferrujinha
tinha cara tão fofinha!
fomos rezar e descansar
mas o destino nos fez beijar

Flávio, foi meu amigo
e tão bonito, o Don Juan
da adolescência, da nostalgia
viciei-me no seu afã

Adriano, o maluquinho,
no carnaval, meu pierrot
me tocou profundamente
foi-se embora e não voltou
(eu sou colombina e você meu pierrot)

Eduardo, loiro tarado
era mais velho e sensual
foi interessante estar ao seu lado
alucinante seu ritual
(se seu fusca falasse...)

Fabiano, doentio
o problmático e sem amor
tenho nada à lhe dizer
indiferença ao seu sabor
(hipócrita!)

Giovane, meu cabeludo
Gigio, sabe-tudo
senti demais quando você
não quis mais me aquecer
(Gigio, Gigio...)

Rick, meu ideal
meu platonista sentimental
o que era fundo e eterno
evaporou-se num cemitério

Marcel, o meu céu
Primeiro homem a aventurar
na mulher que ia nascer
naquela noite de surpresa e prazer
(história forte)

Jiani, era uma vez,
num verão perfeito à beira mar
sol, areia, água
e sua língua a me amar
(milhões de gritos de prazer)

Jorge, me desculpe,
nunca quis te magoar,
mergulhou tão profundo
e não consegui te amar
(desculpe)

Rafael, o baixinho
foi legal ter teu colinho
foi num tempo inocente
e você foi um presente

George, tão inglês,
poderia ser árabe ou japonês,
o seu modo intelectual
me seduziu, sensacional!
(glasses and blue eyes)

Renato, sinto muito,
mas não pude ser assim
nada fiz pra ter você
só queria ser meretriz
(desculpe)

Thomas, meu alemão,
seus olhos cor do sem fim
uma viagem ao teu país
e nos lençóis de cetim
(voltar pra Berlim)

Cleber, foi tão bonzinho
meu menino, meu querido
desculpe se te magooei
queria amar, juro, tentei

Alex, foi sem querer
nunca quis magoar você
simplesmente não teve "um quê"
desculpe todo o auê

Carlos, o sem vergonha
foi tão bom ter sido assim,
uma noite saborosa,
mas foi tudo o que estava afim
(loirinho)

Flávio, não me leve a mal
não estava no humor correto
você foi muito legal
mas não consegui fazer o certo

Paulinho, de um carnaval,
o pigmeu e sensual
foi uma noite tão musical
mas...quem é você afinal/

Rodrigo, lindo sorriso
nada sei sobre os fatos
apenas lembro que no seu carro
registrei o seu retrato

Júlio, de São João
olhos azuis da imensidão
foi tão legal tê-lo ao meu lado
mas nada sei do seu coração

Daniel, não foi por mal
não quis te namorar
muito menos te magoar
apenas quis me deleitar
(desculpe)

Joaquim, meu pequenino
gostei de ti, meu safadinho
não esqueci os teus olhinhos
e de todos, foi o mais novinho

André, fui muito errada
sei que fui safada
mas não tive outra opção
porque viver era minha solução

Carlo, meu italiano,
quanto deleite na sua cama
a Itália foi o local do mundo
mais quente e mais em chama

Rafael, o meu bedel
intelecto e sensual
por tras daqueles óculos
tinha um homem genial
(disciplina era seu nome e o meu era bagunça)

Ricardo, foi lá na praia
na cobertura, toda molhada
aquela chuva nos atiçava
eu eu, mulher, te desejava

Mário lá de Brasília
loirinho e tão meiguinho
nos teus braços adormeci
a noite foi de tão carinho

Paulo foi o primeiro
da família dos três irmãos
impiedoso e forasteiro
me beijou com decisão

Luís foi o segundo
da família dos três irmãos
era mais novo e mais risonho
e não tocou meu coração

Alexandre, o grande
da família dos três irmãos
era fogo e muita brasa
me queimou a separação

Marcelo, o meu doutor
mais velho, me enfeitiçou
me seduziu como ninguém
e como veio, me deixou

André, meu grande amigo
foi de repente, sem refletir
que na noite fomos amantes
inesquecível foi te sentir

E assim muitos se foram
e muitos ainda virão
acho que chego aos 40
pra escolher um coração


ANO: 2000
158

INDIFERENÇA

Na minha profunda escolha
há uma dor muito forte
um "quê" abrangendo a morte
meu ego destruído
Dói tanto viver!!!
Tantas coisas cruzei
e da vida quase nada sei
nada tenho, a não ser o pânico
Estou sozinha novamente
sem carinho e sem resposta
Piso numa corda bamba
uma bomba amarga
nessa escuridão


ANO:2005
117

IDAS E VOLTAS

Num olhar imenso e vazio
ecoava o medo de ter
toda a alegria que o mundo
poderia suspirar
então sabia,
sem pedir licença,
que tudo entraria,
um dia,
num mundo infinito
esquecido,
esquisito
todas as dores estariam
guardadas,
distantes de tudo
e assim que amanhecesse
tudo seria
como já foi
e acordaria
a dor
ou, simplesmente,
o alívio
Então, voltaria para a rotina...


ANO: 1999
134

INFINITO

Há tantas coisas em comum
até mesmo sem valor
mas você é diferente
importante sonhador
Leve-me até o limite
terra firme e prazer
ou me abrace com ternura
numa aventura de viver

Te seguro nos meus lábios
abraçando seu vapor
desejo seu cansaço
enquanto os corpos, o calor
uma fantasia talvez!

Coincidem-se nossos gestos
abraçarem-se de vez
rabiscando nossos restos
resta o ano e o mês
Infinito de emoção
enquanto, apenas, uma sensação
inigualável furacão
resto de sombra e de ilusão
...ou apenas mais um coração?

Dois infinitos em comum
entregues, juntos, a lugar nenhum


ANO: 1995
117

FUROR

Noites longas vão voando
na imensidão de um sonho oco
anjos com asas cristalinas
ecoam no segredo de mais um dia

Sozinha, no lugar de algum
único infinito comum
me entrego à solidão
à sentimentos de angústia
de vida endoidecida
de seiva, saliva, ferida
de nada, hipocrisia
estou assim, tão massacrada
abalada para ter você
por ter te amado e não te esquecer
ficou a dor aguda
no peito, um punhal
e lembrança de tantas coisas
você é especial
sempre lindo
é assim que te guardo
assim que te quero
assim que te espero
assim que os anjos
são anjos


ANO: 2006
112

ILUSÃO

Pura ilusão!!!
Todas essas estradas,
tão belas e fartas
te levam ao nada
de mãos atadas
Atenção,
não caia nesse chão
de desgosto
libertino
Essas estradas
não têm destino
103

ABSTRATO

Lágrima cristalinas
Cristal de palavra
Suspense de repente
Faça algo do impossível
E o possível não basta
Longe demais de nenhum lugar
Apesar de querer
Basta ser, pode crer
Às vezes nunca é nada
Tudo é pouco e pouco acaba
Será mesmo algo
Um vazio, um abstrato?
Sou um OVNI sem espaço
Penso, acho, repasso
Não laço, cansaço
Seu mundo não há
Lugar pra imaginar
Será?


ANO: 1994
115

VIDA CONTIDA

A vida
está contida
numa ilha
a dias
e milhas
vazia,
quem diria?!


ANO: 1994
122

DESERTO

Olhe com cuidado para o nada
está enxergando os olhos do mundo? 
Estão nos observando
e cada gota do nosso sangue
é uma imensa porta para a morte
Estou aqui, 
não sou nada
escute a voz
Ouviu?
São pássaros anunciando o medo
de conhecer o que já se sabe
da dor...
Em algum lugar coloquei a vida
onde está?
Lugar nenhum


ANO: 1996
93

Comentários (6)

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Ademir domingos zanotelli.
Ademir domingos zanotelli.

Minha cara poetiza Carol Ortiz - quanto tempo.... menina ... até que enfim nos conectamos... seu texto é maravilhosamente contundente... como esta você.... está bem de saúde... está viajando muito.... me visite menina... estava com saudade de você no Escrita . org. vê se faz alguns poemas para nós.... manina já estou com 1.840 textos escritos. fui indicado para compor o pessoal de Poesias para as escolas Br. em outubro do ano passado.... vamos ver o que vai dar. abraços. é bom saber que estas bem... me visite aqui no site... Ademir o poeta. rsrsrsrsrsr. até mais.

ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Minha cara Poetisa. Carol Ortiz - teus texxtos poéticos , estou sempre a lelos - em lembranaças de Infância. e cheia de incertezas e de amores... cortados em pedaços certos e errados. a infância ainda é de lembranças alegres. mesmos com sonhos não realizados. a não ser é claro quando sofremos violencias intimas. abaços de seu seguidor ademir.

Olá Carol Poetisa... Boa noite, certamente este mundo não é tão banal... mas os anjos de Istambul ...voam em formas de arco-iris na plenitude de teu imaginário poético. felicidades.

Olá Carol Poetisa.... Boa noite.... certamente que marte é por aqui , seu jeito de esquecer e poético. abraços. de seu sempre admirador. ademir.

Minha Cara e Grande Poetisa.... seus contos e poesias, são deslumbrantes, menina você é demais , me sinto bem pequenino no que tuas mãos escrevem. felicidades. e muitos amores seus versos irão conquistar. abraços e sejas muito feliz.