Carol Ortiz

Carol Ortiz

A minha intensidade vomita existências...

n. 0000-09-18, Campinas, SP

Perfil
67 750 Visualizações

UM CANTO PARA A MORTE

Se a morte é sorte
que seja forte
quem vivenciá-la

porque encará-la
mesmo com coragem
supõe a bagagem
de ansiedade
incredibilidade
e medo
de achar que é cedo

tudo não tarda
e antes que parta
é bom se perder
nas entranhas da vida
que tão resumida
entrega-se à morte
que, cá entre nós, seja forte


2021
Ler poema completo
Biografia

Nasci em Campinas, SP. Morei em muitos lugares e voltei para mesma cidade para envelhecer. Sou casada e mãe de cachorros e crianças que precisem de colo. Essas poesias foram escritas durante toda a minha vida e em épocas diferentes. Algumas foram publicadas em coletâneas e outras não. Para quem gosta e quer passar u tempo em contato com a literatura, boa leitura :)
Se quiserem se corresponder, e-mail: [email protected] (posso demorar para responder, mas sempre respondo). Acessem meu canal no youtube sobre livros:
 https://www.youtube.com/channel/UCOj_DssoWp0_1HO7VCXgRcA?view_as=subscriber

Poemas

283

ABSTRATO

Lágrima cristalinas
Cristal de palavra
Suspense de repente
Faça algo do impossível
E o possível não basta
Longe demais de nenhum lugar
Apesar de querer
Basta ser, pode crer
Às vezes nunca é nada
Tudo é pouco e pouco acaba
Será mesmo algo
Um vazio, um abstrato?
Sou um OVNI sem espaço
Penso, acho, repasso
Não laço, cansaço
Seu mundo não há
Lugar pra imaginar
Será?


ANO: 1994
111

SENSIBILIDADE

Por que começar a escrever é tão difícil? Talvez seja porque nos encontramos conosco mesmo e enxergamos coisas tão curiosas e assustadoras.
           Um escritor sabe que nunca será perfeito e também não alcançará o sublime.
           A vida passa e sabemos que um dia iremos morrer e esperamos fazer algo de bom para todos os seres vivos. 
Talvez minhas escritas poderão servir para o bem, um incentivo. Enquanto isso, vou vivendo.
           Nossos sonhos podem ser agarrados com tal força que, ser fizer parte do destino, isto é, estar no lugar certo e na hora certa, acontecerá.
            São várias as crenças que dizem que nossa sina já vem escrita, mas o que vale mesmo é ter atitude, é saber ter iniciativa e construir o dia-a-dia...


ANO: 1998
128

IDAS E VOLTAS

Num olhar imenso e vazio
ecoava o medo de ter
toda a alegria que o mundo
poderia suspirar
então sabia,
sem pedir licença,
que tudo entraria,
um dia,
num mundo infinito
esquecido,
esquisito
todas as dores estariam
guardadas,
distantes de tudo
e assim que amanhecesse
tudo seria
como já foi
e acordaria
a dor
ou, simplesmente,
o alívio
Então, voltaria para a rotina...


ANO: 1999
126

DENTRO DESSE MUNDO

Vida perdida,
massacrada, 
quem nasce ferida,
morre em vida,
vive perdendo,
sofrendo,
vive lutando por nada,
esquecendo:
a dor não acaba!
Ser diferente dói
mata, destroi
Vivo sem nexo,
sou poeta
enfraquecida
por esses curtos longos anos de vida
Se for para ser vegetal
prefiro ser radical,
ou me deixem viver
ou escolho morrer
de tiro, de queda
talvez, quem sabe,
de uma dose a mais
Fui feliz
mas me esqueci
que isso era proibido
agora, com licença,
acho que puxarei o gatilho


ANO: 1995
140

BORBOLETA

Ela voa 
contra o vento, 
contra o frio
Borboleta!
Onde pousaste?
Naquela flor?
No beira rio?

Voa tão suave
quanto seu jeito
colore o mundo
por onde passa
essa missão 
é tão vasta!

Borboleta,
qual seu segredo?
-Vou contar-lhe:
para voar basta ser livre
de medos e preconceitos

E então saiu voando
batendo as asas
e colorindo o mundo


ANO: 1997
104

DESERTO

Olhe com cuidado para o nada
está enxergando os olhos do mundo? 
Estão nos observando
e cada gota do nosso sangue
é uma imensa porta para a morte
Estou aqui, 
não sou nada
escute a voz
Ouviu?
São pássaros anunciando o medo
de conhecer o que já se sabe
da dor...
Em algum lugar coloquei a vida
onde está?
Lugar nenhum


ANO: 1996
87

ILUSÃO

Pura ilusão!!!
Todas essas estradas,
tão belas e fartas
te levam ao nada
de mãos atadas
Atenção,
não caia nesse chão
de desgosto
libertino
Essas estradas
não têm destino
98

METRÓPOLE

Toda noite há uma lembrança
no meio do nada que restou
Faço parte do tudo,
onde vozes gritam com o vento
Só o silêncio pode dizer
as vezes que ri,
as vezes que chorei,
quando gozei,
quando menti,
quando gritei
Sou um todo envolto ao nada
sou lembrança que nunca apaga
Diga-me onde fica nosso novo canto?
Nosso encanto, nosso pranto?
Estou aqui, ao seu lado
pensando quieta, chorando
quero o amor
quero o orgasmo 
quero a vida
e você só me trouxe partidas
Sou assim,
preciso que você cante,
no silêncio da noite,
junto comigo
a loucura que ninguém viverá por mim
Segure-se nos meus lábios,
nos meus sonhos
só eles dizem a verdade


ANO: 1996
119

MEDO

Se for assim, 
anjos de marfim,
a morte é longe
e perto de mim
azul do hoje,
amanhã talvez
Se for assim,
anjos de cetim,
a morte é perto
mais perto do fim
enquanto respiro
sufoca-me o frio
Se for assim, 
anjos de alecrim,
estou em guerra
na Terra
de perigo,
aviso,
castigo
Medo de viver?


ANO: 1996
109

INFINITO

Há tantas coisas em comum
até mesmo sem valor
mas você é diferente
importante sonhador
Leve-me até o limite
terra firme e prazer
ou me abrace com ternura
numa aventura de viver

Te seguro nos meus lábios
abraçando seu vapor
desejo seu cansaço
enquanto os corpos, o calor
uma fantasia talvez!

Coincidem-se nossos gestos
abraçarem-se de vez
rabiscando nossos restos
resta o ano e o mês
Infinito de emoção
enquanto, apenas, uma sensação
inigualável furacão
resto de sombra e de ilusão
...ou apenas mais um coração?

Dois infinitos em comum
entregues, juntos, a lugar nenhum


ANO: 1995
114

Comentários (6)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
Ademir domingos zanotelli.
Ademir domingos zanotelli.

Minha cara poetiza Carol Ortiz - quanto tempo.... menina ... até que enfim nos conectamos... seu texto é maravilhosamente contundente... como esta você.... está bem de saúde... está viajando muito.... me visite menina... estava com saudade de você no Escrita . org. vê se faz alguns poemas para nós.... manina já estou com 1.840 textos escritos. fui indicado para compor o pessoal de Poesias para as escolas Br. em outubro do ano passado.... vamos ver o que vai dar. abraços. é bom saber que estas bem... me visite aqui no site... Ademir o poeta. rsrsrsrsrsr. até mais.

ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Minha cara Poetisa. Carol Ortiz - teus texxtos poéticos , estou sempre a lelos - em lembranaças de Infância. e cheia de incertezas e de amores... cortados em pedaços certos e errados. a infância ainda é de lembranças alegres. mesmos com sonhos não realizados. a não ser é claro quando sofremos violencias intimas. abaços de seu seguidor ademir.

Olá Carol Poetisa... Boa noite, certamente este mundo não é tão banal... mas os anjos de Istambul ...voam em formas de arco-iris na plenitude de teu imaginário poético. felicidades.

Olá Carol Poetisa.... Boa noite.... certamente que marte é por aqui , seu jeito de esquecer e poético. abraços. de seu sempre admirador. ademir.

Minha Cara e Grande Poetisa.... seus contos e poesias, são deslumbrantes, menina você é demais , me sinto bem pequenino no que tuas mãos escrevem. felicidades. e muitos amores seus versos irão conquistar. abraços e sejas muito feliz.