ABSTRATO
Lágrima cristalinas
Cristal de palavra
Suspense de repente
Faça algo do impossível
E o possível não basta
Longe demais de nenhum lugar
Apesar de querer
Basta ser, pode crer
Às vezes nunca é nada
Tudo é pouco e pouco acaba
Será mesmo algo
Um vazio, um abstrato?
Sou um OVNI sem espaço
Penso, acho, repasso
Não laço, cansaço
Seu mundo não há
Lugar pra imaginar
Será?
ANO: 1994
SENSIBILIDADE
Por que começar a escrever é tão difícil? Talvez seja porque nos encontramos conosco mesmo e enxergamos coisas tão curiosas e assustadoras.
Um escritor sabe que nunca será perfeito e também não alcançará o sublime.
A vida passa e sabemos que um dia iremos morrer e esperamos fazer algo de bom para todos os seres vivos.
Talvez minhas escritas poderão servir para o bem, um incentivo. Enquanto isso, vou vivendo.
Nossos sonhos podem ser agarrados com tal força que, ser fizer parte do destino, isto é, estar no lugar certo e na hora certa, acontecerá.
São várias as crenças que dizem que nossa sina já vem escrita, mas o que vale mesmo é ter atitude, é saber ter iniciativa e construir o dia-a-dia...
ANO: 1998
IDAS E VOLTAS
Num olhar imenso e vazio
ecoava o medo de ter
toda a alegria que o mundo
poderia suspirar
então sabia,
sem pedir licença,
que tudo entraria,
um dia,
num mundo infinito
esquecido,
esquisito
todas as dores estariam
guardadas,
distantes de tudo
e assim que amanhecesse
tudo seria
como já foi
e acordaria
a dor
ou, simplesmente,
o alívio
Então, voltaria para a rotina...
ANO: 1999
DENTRO DESSE MUNDO
Vida perdida,
massacrada,
quem nasce ferida,
morre em vida,
vive perdendo,
sofrendo,
vive lutando por nada,
esquecendo:
a dor não acaba!
Ser diferente dói
mata, destroi
Vivo sem nexo,
sou poeta
enfraquecida
por esses curtos longos anos de vida
Se for para ser vegetal
prefiro ser radical,
ou me deixem viver
ou escolho morrer
de tiro, de queda
talvez, quem sabe,
de uma dose a mais
Fui feliz
mas me esqueci
que isso era proibido
agora, com licença,
acho que puxarei o gatilho
ANO: 1995
BORBOLETA
Ela voa
contra o vento,
contra o frio
Borboleta!
Onde pousaste?
Naquela flor?
No beira rio?
Voa tão suave
quanto seu jeito
colore o mundo
por onde passa
essa missão
é tão vasta!
Borboleta,
qual seu segredo?
-Vou contar-lhe:
para voar basta ser livre
de medos e preconceitos
E então saiu voando
batendo as asas
e colorindo o mundo
ANO: 1997
DESERTO
Olhe com cuidado para o nada
está enxergando os olhos do mundo?
Estão nos observando
e cada gota do nosso sangue
é uma imensa porta para a morte
Estou aqui,
não sou nada
escute a voz
Ouviu?
São pássaros anunciando o medo
de conhecer o que já se sabe
da dor...
Em algum lugar coloquei a vida
onde está?
Lugar nenhum
ANO: 1996
ILUSÃO
Pura ilusão!!!
Todas essas estradas,
tão belas e fartas
te levam ao nada
de mãos atadas
Atenção,
não caia nesse chão
de desgosto
libertino
Essas estradas
não têm destino
METRÓPOLE
Toda noite há uma lembrança
no meio do nada que restou
Faço parte do tudo,
onde vozes gritam com o vento
Só o silêncio pode dizer
as vezes que ri,
as vezes que chorei,
quando gozei,
quando menti,
quando gritei
Sou um todo envolto ao nada
sou lembrança que nunca apaga
Diga-me onde fica nosso novo canto?
Nosso encanto, nosso pranto?
Estou aqui, ao seu lado
pensando quieta, chorando
quero o amor
quero o orgasmo
quero a vida
e você só me trouxe partidas
Sou assim,
preciso que você cante,
no silêncio da noite,
junto comigo
a loucura que ninguém viverá por mim
Segure-se nos meus lábios,
nos meus sonhos
só eles dizem a verdade
ANO: 1996
MEDO
Se for assim,
anjos de marfim,
a morte é longe
e perto de mim
azul do hoje,
amanhã talvez
Se for assim,
anjos de cetim,
a morte é perto
mais perto do fim
enquanto respiro
sufoca-me o frio
Se for assim,
anjos de alecrim,
estou em guerra
na Terra
de perigo,
aviso,
castigo
Medo de viver?
ANO: 1996
INFINITO
Há tantas coisas em comum
até mesmo sem valor
mas você é diferente
importante sonhador
Leve-me até o limite
terra firme e prazer
ou me abrace com ternura
numa aventura de viver
Te seguro nos meus lábios
abraçando seu vapor
desejo seu cansaço
enquanto os corpos, o calor
uma fantasia talvez!
Coincidem-se nossos gestos
abraçarem-se de vez
rabiscando nossos restos
resta o ano e o mês
Infinito de emoção
enquanto, apenas, uma sensação
inigualável furacão
resto de sombra e de ilusão
...ou apenas mais um coração?
Dois infinitos em comum
entregues, juntos, a lugar nenhum
ANO: 1995
Adoro suas poesias como adoro seus lábios, minha esposa amada.