AO AVESSO
Tudo é uma grande ilusão!
O que parece ser verdade,
no fundo sangra mentira;
O que se acha bonito
é só casca superficial;
Se é dia e pode ser noite,
por que não viver e ver com olhos próprios
que a verdade é, talvez, mentira?
O que vemos pode ser miragem
e a miragem pode ser real,
mas é complicado
porque
o complexo é simples
vemos tudo
e não enxergamos nada...
às vezes, para sair da escuridão
precisa-se apagar a luz
ANO: 1994
GÊMEOS
Já olhei para outros olhos
e não posso entender
como demorei tanto
para ser capaz de ver você!
Toda vida procurando
alma gêmea tão perdida
tenho medo de você
afinal, somos iguais
temos o mesmo potencial
que machuca e amarga
o que é doce
queremos o amor
com liberdade
e, claro,
libertinagem
ANO: 1998
SEM SENTIDO
Homens sociais,
verdadeiros canibais
Mundo empobrecido,
resulta do capitalismo
Selvas habitadas
por pessoas revoltadas
Guerras e mortes
milhares de jogos de sorte
As bombas tocam o chão
é o final da população
Gritos e gemidos
rasgam a noite sem nenhum sentido
expressam um grande horror,
terra de raiva e dor
Dinheiro, poder, ganância
dando início a uma matança
Vidas computadorizadas
caminham por tortuosa estrada
Espírito de animais expressam o medo
provocadas por humanidade de gelo
Sonhos despencam num abismo
esmagados pela fome e terrorismo
O mundo gira sem parar
apesar da realidade,
a vida tem que continuar
ANO: 1993
A ERVA DE EVA
A Era
da erva
de Eva
já era
o que dera
na Era de erva da Eva
A pedra
traçada
na brisa,
madrugada,
foi branda
a estrada
na treva
deturpada
Compacto
Oposto
albergue
da insensatez
imensa
orgia
vergonha, nudez
A Serpente,
decadente,
também foi mente
maquiavélica
cadavérica
mordida banal
folia de criança
doença de infância
destroçado
erro fatal
Doces almas
perdidas
decaídas
no outro
espanto
do mundo central,
da dor,
terror,
do medo,
do mal
E a erva
de Eva
já era
da Era
e é
o que é
no tempo atual,
na vida
terrestre
na lua oriental
ANO: 2003
NADA
Qual a fonte de poder?
O ouro, comando, prata?
Por que ninguém quer saber
Quantas pessoas a fome mata?
Somos objetos manipulados
Por animais de gravata
Todos precisam ser mandados
Pra no mundo ter uma vaga
Nos subúrbios da consciência
Existe uma dor em evolução
É preciso ter paciência
Pra rejeitar essa tentação
Quais as virtudes da humanidade?
Quais os caminhos da sociedade?
O mundo é medíocre, o homem é vulgar
Ninguém sabe
Até quando isso vai durar
As indústrias nos transformam em matérias
O homens de gravata nos resumem em fala
No fundo somos todos iguais
No fundo não somos
NADA
ANO: 1993
TRAIÇÃO/TRADIÇÃO? (MERA DICÇÃO)
Toda traição
é uma tradição
Toda tradição
é uma traição
toda transação
é uma ostentação
da vida
que não trai
não cai
não sai do lugar
amoral
mostruoso carnal
não sabe
saborear
degustar o pecado
pois
toda traição
é uma traDICÇÃO
ANO: 2003
JOGO
A luz do sol atravessa a janela
até quando haverá luz?
Extraterrestres por toda a Terra
muitas mortes, doenças, soldados,
estamos cercados por todos os lados
há um coração chorando
em algum lugar,
há uma dor devorando
em algum lugar,
há multidões gritando
em algum lugar,
há uma vida acabando
em algumm lugar,
há ódio brotando
em algum lugar
Violência em quadrinhos,
sorvete de sangue,
falsos anjinhos
A humanidade é um mangue
presidente, ministros, prefeitos perfeitos
soldados, coronéis e um homem eleito
amantes e amados
destinos mudados
secas, enchentes, frio e calor
tochas que ardem a todo vapor
dias, conflitos, suor e amor
num jogo noturno
quem ganha é o senhor
ANO: 1993
DO AMOR
Filhote de unicórnio
filhote de dragão
filhote de ovelha
filhote de leão
filhote de bruxa
filhote de mago
filhote de homem
filhote de algo...
...não importa,
são todos filhos do amor
ANO: 1998
LÁGRIMAS DE SANGUE
Era apenas uma vez:
um olhar triste e sombrio
preso no próprio silêncio,
na dor de ser alguém
Quando sorria,
seu sangue brotava
através das lágrimas sufocadas,
da luta de conseguir algo em vão
E chegar lá era ver
a frustração
angústia
Engula seus sonhos,
doce menina!
Dormir tranquilo era ver
que o mundo se consumia
e os nervos ficavam
a flor da pele
e ela...
...não era ninguém
ANO: 1995
LIBIDO
Seu sabor
ainda escorre nos meus lábios
onde seu mamilo já foi rei
no furor da minha boca
atormentada de prazer
de viver o ápice
de querer
o seu toque
re-toque
foi pecado
Ah, porque essa cama é tão imensa
para guardar tão nobres sonhos
de uma noite inesquecível
ah, porque esse quarto é tão pequeno
para guardar tantos segredos
de uma soprano adormecida
Seu cheiro ainda está no meu vestido
que, tão ligeiro, foi despido
por suas mãos enfurecidas,
por sua sede de desejo
de pecado do querer
ah, porque esse dia é tão estreito
para guardar tantas lembranças
de uma vida enlouquecida
ah, de tantos toques me peguei
num canto escuro sem você
numa tensão enternecida
ANO: 2002
Adoro suas poesias como adoro seus lábios, minha esposa amada.