JOGO
A luz do sol atravessa a janela
até quando haverá luz?
Extraterrestres por toda a Terra
muitas mortes, doenças, soldados,
estamos cercados por todos os lados
há um coração chorando
em algum lugar,
há uma dor devorando
em algum lugar,
há multidões gritando
em algum lugar,
há uma vida acabando
em algumm lugar,
há ódio brotando
em algum lugar
Violência em quadrinhos,
sorvete de sangue,
falsos anjinhos
A humanidade é um mangue
presidente, ministros, prefeitos perfeitos
soldados, coronéis e um homem eleito
amantes e amados
destinos mudados
secas, enchentes, frio e calor
tochas que ardem a todo vapor
dias, conflitos, suor e amor
num jogo noturno
quem ganha é o senhor
ANO: 1993
JOÃO NINGUÉM
Ele nasceu do nada
Cresceu do nada
Viveu do nada
Só suas ilusões o sustentava
Ele passava fome
Não tinha nome
E sempre come
Da mão de um pobre homem
Mas um dia cansado de tudo
De mal com o mundo
Foi lutar
Pra se sustentar
E não acabar
Com fome de não poder falar
No primeiro ano foi aquele pano
De só trabalhar
Não ter onde morar
E se matar
Pra ser alguém
Ia de trem
Trabalhar sem
E não tem Ninguém
No segundo ano
Não teve nem pano
Não tinha trem
Vivia sem
Trabalhar também
Era o "João Ninguém"
Ele nasceu do nada
Cresceu do nada
Viveu do nada
Nem suas ilusões o sustentava
Não tinha a quem
Pedir amém
Diziam estar sem
Pois ele era o "João Ninguém"
ANO: 1993
LIXOS
Lixo
Lixa
Fico
Ficas
TV
Rádio
Poder
Pátrio
Ordem
Progresso
Matéria
Sucesso
Vocês
Eles
Eu
Vezes
ZERO!!!
ANO: 1993
NADA
Qual a fonte de poder?
O ouro, comando, prata?
Por que ninguém quer saber
Quantas pessoas a fome mata?
Somos objetos manipulados
Por animais de gravata
Todos precisam ser mandados
Pra no mundo ter uma vaga
Nos subúrbios da consciência
Existe uma dor em evolução
É preciso ter paciência
Pra rejeitar essa tentação
Quais as virtudes da humanidade?
Quais os caminhos da sociedade?
O mundo é medíocre, o homem é vulgar
Ninguém sabe
Até quando isso vai durar
As indústrias nos transformam em matérias
O homens de gravata nos resumem em fala
No fundo somos todos iguais
No fundo não somos
NADA
ANO: 1993
SEM SENTIDO
Homens sociais,
verdadeiros canibais
Mundo empobrecido,
resulta do capitalismo
Selvas habitadas
por pessoas revoltadas
Guerras e mortes
milhares de jogos de sorte
As bombas tocam o chão
é o final da população
Gritos e gemidos
rasgam a noite sem nenhum sentido
expressam um grande horror,
terra de raiva e dor
Dinheiro, poder, ganância
dando início a uma matança
Vidas computadorizadas
caminham por tortuosa estrada
Espírito de animais expressam o medo
provocadas por humanidade de gelo
Sonhos despencam num abismo
esmagados pela fome e terrorismo
O mundo gira sem parar
apesar da realidade,
a vida tem que continuar
ANO: 1993
GÊMEOS
Já olhei para outros olhos
e não posso entender
como demorei tanto
para ser capaz de ver você!
Toda vida procurando
alma gêmea tão perdida
tenho medo de você
afinal, somos iguais
temos o mesmo potencial
que machuca e amarga
o que é doce
queremos o amor
com liberdade
e, claro,
libertinagem
ANO: 1998
DO AMOR
Filhote de unicórnio
filhote de dragão
filhote de ovelha
filhote de leão
filhote de bruxa
filhote de mago
filhote de homem
filhote de algo...
...não importa,
são todos filhos do amor
ANO: 1998
AO AVESSO
Tudo é uma grande ilusão!
O que parece ser verdade,
no fundo sangra mentira;
O que se acha bonito
é só casca superficial;
Se é dia e pode ser noite,
por que não viver e ver com olhos próprios
que a verdade é, talvez, mentira?
O que vemos pode ser miragem
e a miragem pode ser real,
mas é complicado
porque
o complexo é simples
vemos tudo
e não enxergamos nada...
às vezes, para sair da escuridão
precisa-se apagar a luz
ANO: 1994
TRAIÇÃO/TRADIÇÃO? (MERA DICÇÃO)
Toda traição
é uma tradição
Toda tradição
é uma traição
toda transação
é uma ostentação
da vida
que não trai
não cai
não sai do lugar
amoral
mostruoso carnal
não sabe
saborear
degustar o pecado
pois
toda traição
é uma traDICÇÃO
ANO: 2003
NEXO DE NADA (NADA ANEXO)
Voar por entre céus intocáveis
longe da sanidade enlouquecida
da grande humanidade,
a científica, concreta e cruel verdade
Viver além da carne
degustando lentamente
o letal sabor da vida verdadeira...
...porque dói existir
Estou distante dos sonhos
que te traem a todo instante
e a cada dor sentida
um pedaço se desfaz -
menos um "eu" dos muitos que tenho
Riam da loucura
e a sintam chegar,
se ainda houver tempo
há uma corrida entre morte e sanidade
Vista um sorriso branco
e uma lágrima na garganta,
chore baixinho para não machucar,
dê mais um trago
no amargo cigarro
e cale seus pulmões
e na manhã seguinte
amanhecer mais só
perdido numa procura,
numa rima infantil
...silêncio absoluto
ANO:2000
Adoro suas poesias como adoro seus lábios, minha esposa amada.