FACE DEPRIMIDA
Tão triste tem sido minha mocidade,
Que o anseio da vida já abandonou-me,
Toda a alegria de sorrir, a dor tirou-me,
Meu coração é poço de infelicidade.
Lágrimas amargas se derramam,
Da minha face abatida e doente,
Cruel sofrer que se faz presente,
Meus olhos negros apenas choram.
Quem me dera ter sequer um amigo,
Para dividir os momentos vividos,
Mas não há ninguém aqui comigo.
Meu desejo é que a vida se acabe,
Que se findem os instantes sofridos,
Assim eu posso repousar, quem sabe.
- Cedric Constance
ESTRANHO NO NINHO
Jamais tive uma vida comum,
Não fui aquilo que desejavam,
O sonho que todos esperavam,
Não segui conselho nenhum.
Andei só pela contramão,
Guiado pelos meus ideais,
Não fui orgulho aos meus pais,
Mas ouvi a voz do coração.
Fui um estranho no ninho,
Uma alma incompreendida,
Que sentia-se sempre sozinho.
Já vivi o que deveria viver,
Da vida não espero mais nada,
Desejo apenas, jovem, morrer.
- Cedric Constance
FALE-ME DO TEU AMOR
Fale-me de todo amor que sente,
Abre o teu peito e me declare,
Que o meu abraço te ampare,
Em todo meu carinho indolente.
Fale-me de sua paixão sentida,
Sussurre a meus ouvidos poesia,
Que de amar, não canso, noite e dia,
És emoção que faz da vida florida.
Sacie esta vontade infinda e gloriosa,
Que tenho tanto de lhe pertencer,
Como o espinho pertence à rosa.
Não fuja por entre meus dedos,
Como fumaça no céu a desvanecer,
Pois tu desfaz todos meus medos.
- Cedric Constance
ESMORECIDO
Sou eu, talvez um sonho perdido,
Triste assim por vontade e gosto,
Embora da vida tenho desgosto,
Em meu coração esmorecido.
Sou eu, talvez o desejo de alguém,
Que vive, esperançoso de encontrar-me,
Para que possa um dia amar-me,
E desfrutar do amor que em mim contém.
Sou eu, a fantasia idealizada
De quem nunca me conheceu,
Nesta existência tão desvairada.
Sou eu, a paixão almejada,
Que ainda não se sucedeu,
E espera assim, ser realizada.
- Cedric Constance
QUIS MORRER
Ah, amor que tanto me machucou
Esses teus olhos já foram colírio,
Mas agora tornaram-se meu martírio,
De uma ferida que nunca cicatrizou.
Ah, eu já desejei morrer por você,
Te amando mais que a mim mesmo,
E hoje ando em um caminho a esmo,
Sem ter destino nem porquê.
Talvez um dia possa entender,
E desaprender a te amar,
Para não precisar mais sofrer.
Soltaste minha mão no escuro,
Sozinho tive que andar,
Sem amor, sem paixão, sem futuro.
- Cedric Constance
SENTIDO DE AMAR
Nem as ciências mais avançadas
Podem dar alguma explicação,
A química que resulta em explosão
Em duas almas apaixonadas.
Nenhuma filosofia há de explicar
O sentido que o amor exprime,
Sentimento vivo e sublime
Que, despertos, nos faz sonhar.
Porque amar não carece de razão,
Basta apenas deixar fluir
E dar ouvidos à voz da emoção.
Amor não necessita de motivos,
E quando a paixão faz sucumbir
Percebemos que estamos vivos.
- Cedric Constance
POETAS NÃO MORREM
Será que após minha morte,
Terei a poesia reconhecida?
Quem dirá até aplaudida,
Depois de uma vida sem sorte.
Terei minh' alma eternizada
Ou serei mais um esquecido?
Um nome qualquer sem sentido
Cinzas e pó, um nada.
E quando meu corpo falecer,
à sepultura resvalar,
Que outros possam-me ler.
Que meu espírito possa viver,
E minha palavra perdurar,
Pois o poeta não há de morrer.
- Cedric Constance
DEVOLVA-ME
Devolva minha vida, por favor
Que tu levaste daqui contigo.
Quero encontrar um novo amor,
Mas te esquecer eu não consigo.
Deixaste o vazio em meu peito,
Arrancando a essência de meu ser,
Restando só um coração desfeito
Que nunca pará de sangrar e doer.
Minh' alma foi-se embora,
Estou vivendo por viver,
Só há meu corpo aqui agora.
Devolva minha vida, eu clamo,
Não suporto mais sofrer,
Dói saber que ainda te amo.
- Cedric Constance
SONETO DA MORTE
Se a vida foi completo martírio,
Recheada de caminhos malditos,
A morte então será meu alívio
Onde descansarei em espírito.
Meu coração frio cessará,
Findará os seus batimentos.
Meu corpo morto perecerá,
Já não haverá mais tormentos.
Não creio em céu ou inferno,
Só desejo dormir em paz,
Em meu profundo sono eterno.
Na lápide hão de escrever
"Um poeta aqui jaz",
E os anjos velaram meu adormecer.
- Cedric Constance

NUNCA MAIS
Perdi da vida, os doces encantos,
Afundados em terríveis amargores,
Que hoje vivo só e aos prantos,
Nessa existência de dissabores.
Como a ave escura de rapina,
Que pousa em minha janela
Lembrando minha triste sina,
Que a vida já não é tão bela...
Sopra-me lamentos ao ouvido,
Como o choro das madrugadas,
Viva como a dor que tenho sentido.
Amor meu, onde agora tu estais?
E corvo responde, ave desgraçada
"Teu amor não há de voltar nunca mais".
- Cedric Constance